sábado, 31 de julho de 2010

VELUDO AZUL


VELUDO AZUL (Blue velvet, 1986, De Laurentiis Entertainment Group, 120min) Direção e roteiro: David Lynch. Fotografia: Frederick Elmes. Montagem: Duwayne Dunham. Música: Angelo Badalamenti. Direção de arte/cenários: Patricia Norris/Edward 'Tantar' LeViseur. Casting: Pat Golden, Johanna Ray. Produção executiva: Richard Roth. Produção: Fred Caruso. Elenco: Isabella Rosselini, Kyle MacLachlan, Dennis Hopper, Laura Dern, Dean Stockwell, Hope Lange, Brad Dourif. Estreia: 19/9/86

Indicado ao Oscar de Diretor (David Lynch)

O “american way of life”, tão louvado em filmes de diretores como Frank Capra sofreu um duro golpe, pelo menos da maneira como estamos acostumados a vê-lo, em 1986. E quem fez a plateia perceber que por trás de cada cerca branca dos subúrbios americanos pode-se esconder muito mais do que podemos imaginar foi um diretor que concorreu ao Oscar por um filme em preto-e-branco chamado “O homem elefante” e que, ao contrário do que se poderia supor, não se deixou levar pelo mainstream. Em “Veludo azul” David Lynch fez um filme sobre aparências. E parece que sua intenção era apenas desmascará-las.

O jogo de aparências de “Veludo azul” já começa em sua estrutura. Aparentemente, é um filme noir, com mocinhos honestos, vilões crudelíssimos e mulheres fatais. Na verdade, é bem mais complexo em termos de certo e errado do que supõe a vã filosofia do espectador acostumado a maniqueísmos típicos do gênero. O herói da história, Jeffrey Beaumont (vivido por Kyle MacLachlan) é um jovem que chega a cidade onde vive sua família para visitar seu pai, vítima de um enfarte. Por mais bizarro que possa parecer (e bizarro é uma palavra que pode definir “Veludo azul” como um todo), Jeffrey encontra em um terreno baldio uma orelha humana. Essa orelha o levará, com a ajuda de Sandy (Laura Dern), a filha do chefe de polícia do local, até a cantora Dorothy Vallens (a bela Isabella Rossellini, gélida e enlouquecida como convém), cujo relacionamento doentio com o misterioso Frank (Dennis Hopper, em um dos mais assustadores vilões da década de 80) ultrapassa todos os limites da normalidade.

À primeira vista, Jeffrey é o herói do filme. Mas, ao contrário do que normalmente se espera em filmes assim, ele não é exatamente um santo. Enquanto inicia um tímido romance com Sandy, ele também fica fascinado pela beleza misteriosa de Dorothy e por seus traumas psicológicos que a levam a exigir violência durante o ato sexual. E Dorothy, aparentemente uma dama fatal, não deixa de ser a principal vítima de uma rede de obsessões, perversidades e medo.

Em uma cena do filme, Jeffrey diz que o mundo é estranho. Tudo bem, de certa forma ele está certo. Mas é inegável que um mundo dirigido por David Lynch (que recebeu nova indicação ao Oscar por este filme) é ainda mais estranho. Afinal, em que mundo considerado normal alguém (mesmo que seja um exageradamente maquiado Dean Stockwell) começa, do nada a dublar Roy Orbison e um maníaco seja tarado por um pedaço de veludo azul? O mundo de David Lynch é muito estranho... e nós gostamos dele!

4 comentários:

pseudo-autor disse...

Esse filme está merecendo uma revisão da minha. O Hopper vai deixar saudades!

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Rodrigo Mendes disse...

Um clássico que adoro rever quando tenho oportunidades.

Abs!
Rodrigo

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