domingo, 13 de maio de 2012

TRÓIA


TRÓIA (Troy, 2004, Warner Bros, 163min) Direção: Wolfgang Petersen. Roteiro: David Benioff, poesia "A ilíada", de Homero. Fotografia: Roger Pratt. Montagem: Peter Honess. Música: James Horner. Figurino: Bob Ringwood. Direção de arte/cenários: Nigel Phelps/Anna Pinnock, Peter Young. Produção: Wolfgang Petersen, Diana Rathbun, Colin Wilson. Elenco: Brad Pitt, Orlando Bloom, Eric Bana, Diane Kruger, Julie Christie, Peter O'Toole, Brian Cox, Brendan Gleeson, Sean Bean. Estreia: 14/5/04

Indicado ao Oscar de Figurino

 Muito foi falado sobre os excessos de “Tróia”, a super-produção de Wolfgang Petersen sobre a Guerra entre Tróia e Esparta. Realizado com um orçamento milionário de cerca de 175 milhões de dólares e com uma renda abaixo do esperado no mercado americano, o filme, estrelado por Brad Pitt, foi massacrado pela crítica, ignorado pelas cerimônias de premiação e fez um barulho muito menos ensurdecedor do que se esperava de um projeto de seu porte. No final das contas, graças à arrecadação pelo resto do mundo, “Tróia” conseguiu se pagar, mas mesmo assim passou à história como um fracasso. Mas é realmente tão ruim como se pintou?
   
Na verdade, como história “Tróia” é uma nulidade. Chega a ser vergonhoso como o roteiro do prestigiado David Benioff – autor de “A última noite”, de Spike Lee – ignora fatos importantes e cria outros jamais citados com a única intenção de deixar a trama mais dramática e romanesca. Incorrendo na ira dos puristas, Benioff comprou briga também com o público menos ligado à mitologia, justamente por não se decidir entre narrar um romance capaz de desencadear batalhas grandiosas ou mostrar essas batalhas, timidamente filmadas por Roger Pratt apesar do orçamento generoso.

        

O filme começa quando o príncipe caçula de Tróia, o jovem Paris (o fraquíssimo Orlando Bloom) inicia uma história de amor com a bela Helena (a inexpressiva e nem tão bela assim Diane Kruger), esposa de um dos príncipes de Esparta. O flagrante adultério – e a subsequente fuga para casa – destrói a paz recém estabelecida entre os dois países e o rei de Esparta, Agamenon (o onipresente Brian Cox) cede aos desejos sanguinários de seu irmão Menelau (Brendan Gleeson) e declara guerra à Tróia. Para ajudá-los nas sangrentas batalhas lideradas pelo competente Heitor (Eric Bana), os espartanos contam com a ajuda do lendário Aquiles (Brad Pitt), que entra em uma guerra que não é sua quando tem seu primo assassinado por Heitor.
   
Como já foi dito, “Tróia” não deve ser visto como uma aula de História. Repleto de falhas e invenções, o roteiro - que desagradou totalmente ao cineasta Terry Gilliam, que recusou a oferta de dirigí-lo - ganha pontos quando humaniza personagens tidos como deuses, como Aquiles, por exemplo. No entanto, ao mesmo tempo em que faz isso, de certa forma enfraquece seu herói. Diante de um íntegro e valente Heitor vivido com sutileza e garra pelo sensacional Eric Bana, o personagem de Brad Pitt empalidece sem maiores chances de redenção e conseqüentemente leva a trama a um cruel impasse: pra quem se deve torcer afinal? Para um país que prefere começar uma guerra por uma mulher ou por um quase mercenário pop e arrogante? Essa dubiedade, que poderia elevar o filme a um patamar de maior inteligência, no entanto o amarra a uma quase esquizofrenia. Se levarmos em consideração que as cenas pretensamente climáticas do filme – a invasão de Tróia pelo cavalo de madeira dado de presente pelos gregos – são filmadas quase com preguiça e que  o desenvolvimento dos personagens é quase nulo, certamente podemos afirmar que a obra do alemão Petersen é um fiasco. Mas se levarmos em conta a beleza da produção, a história bem contada (ainda que repleta de furos) e a atuação de nomes consagrados como Peter O’Toole – dono da cena mais tocante do filme – e jovens como Eric Bana, pode-se considerar “Tróia” como um filme que poderia ter sido extraordinário mas que nunca deixa de ser apenas razoável.

3 comentários:

Rafael W. disse...

Gosto de Tróia. Tem lá seus excessos e por vezes é um pouco maçante, mas é um épico bonito, bem filmado, e com cenas de ação empolgantes.

http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

Hugo disse...

É um bom filme na questão da produção e das batalhas, mas o roteiro com certeza não pode ser levado a sério.

Um ponto positivo sãos os coadjuvantes britânicos. Brian Cox, Brendan Gleeson e Peter O'Toole sempre competentes.

Abraço

Paulinha disse...

Quase assino embaixo, só preciso discordar de duas coisas: Diane Kruger é lindíssima e Eric Bana é um picolé de chuchu. Teria sido melhor ir ver o Pelé...