sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O DIABO VESTE PRADA


O DIABO VESTE PRADA (The Devil wears Prada, 2006, 20th Century Fox, 109min) Direção: David Frankel. Roteiro: Aline Brosh McKenna, romance de Lauren Weisberg. Fotografia: Florian Ballhaus. Montagem: Mark Livolsi. Música: Theodore Shapiro. Figurino: Patricia Field. Direção de arte/cenários: Jess Gonchor/Lydia Marks. Produção executiva: Joe Caraciollo Jr., Karen Rosenfelt. Produção: Wendy Finerman. Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci, Emily Blunt, Simon Baker, Adrian Granier, Gisele Budchen. Estreia: 30/6/06

2 indicações ao Oscar: Atriz (Meryl Streep), Figurino
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Comédia (Meryl Streep)

Ainda bem que não é somente de filmes sérios e densos e adaptações de histórias em quadrinhos repletos de cenas de ação bem-feitas que o cinema hollywoodiano é feito. De vez em quando, uma comédia com um aparente público-alvo limitado surpreende e se torna cult imediato, enchendo os cofres dos estúdios, divertindo a plateia e, pasmem, concorrendo ao Oscar. Logicamente contar com a espetacular Meryl Streep no papel central não atrapalha em nada, mas além da atuação impecável da veterana atriz (rejuvenescida e belíssima em um papel de má que lhe cabe perfeitamente), há muito o que se elogiar em "O diabo veste Prada", divertidíssima adaptação de um bestseller de Lauren Weisberg.

Escrito por Weisberg como uma espécie de vingança bem-humorada contra a editora-chefe da "Vogue" americana, a temida Anna Wintour, o livro tornou-se sucesso imediato nos EUA e chegou às telas sob a direção correta e dotada de exímio ritmo por David Frankel, que assinou vários episódios da série de TV "Sex and the city". Mesmo focalizando sua história nos bastidores do mundo da moda - o que, em tese, poderia atrapalhar sua penetração em outro público-alvo que não mulheres e gays - o filme é também uma crítica mordaz a um estilo de vida glamouroso e fútil e um olhar antenado às transformações sociais que permitem às mulheres a luta pela igualdade no mercado de trabalho. Tudo embalado por uma trilha sonora deliciosa - que inclui Madonna e Alanis Morissette - e um figurino luxuoso assinado por Patricia Field (também vinda de "Sex and the city" e que abocanhou uma indicação ao Oscar por seu primoroso trabalho).



Apesar de ter ganho um Golden Globe e ter concorrido ao Oscar de melhor atriz, Meryl Streep é, na verdade, coadjuvante em "O diabo veste Prada". A protagonista é Andrea Sachs (a bela e competente Anne Hatthaway), jovem recém-formada em Jornalismo e que aceita um trabalho na revista de moda "Runway" apenas como um primeiro passo para uma carreira mais sólida e relevante. Inteligente e culta, Andrea se vê repentinamente inserida em um universo luxuoso e quase surreal, cercada de modelos magérrimas, roupas caríssimas e, pior ainda, uma chefe irascível e aterrorizante, Miranda Prestley (papel de Streep, roubando cada cena com seu invejável timing cômico). Não apenas Andrea precisa lidar com sua falta de jeito com a nova função, mas também com a falta de bom-senso de sua patroa, que lhe incumbe das mais variadas missões como se essas fossem as mais corriqueiras do mundo. Enquanto isso acontece, seu relacionamento com o namorado Nate (Adrian Grenier) entra em crise e ela se vê atraída pelo jornalista Christian Thompson (Simon Baker), mais adequado a esse novo estilo de vida.

Com um humor ferino e sutil, Weisberg criou uma personagem antológica - ainda que chupada radicalmente da realidade - que desfila sua acidez e sua classe por ambientes chiques e destila seu veneno e seu desprezo em festas opulentas e bem frequentadas. Felizmente, o filme consegue fugir do maniqueísmo, emprestando à Miranda uma personalidade em que cabe com verossimilhança um lado frágil e inseguro, demonstrado em uma cena em que Streep aparece desprovida de maquiagem. Na visão de David Frankel, não há vilões e sim pessoas ambiciosas, capazes de atos desprezíveis para atingir seus objetivos mas igualmente donas de certa generosidade bem disfarçada. Essa dualidade é representada com maestria por Meryl Streep mas também ganha o dócil rosto de Anne Hatthaway, cuja personagem precisa, em determinado momento, escolher o caminho certo para sua felicidade.


Contando ainda com um elenco coadjuvante inspiradíssimo - em que se inclui o ótimo Stanley Tucci e a excelente Emily Blunt - "O diabo veste Prada" é um clássico instantâneo, inteligente e muito, muito divertido.

3 comentários:

Alan Raspante disse...

O elenco inteiro está muito bem em cena! Um desses eternos "guilty pleasure" :)

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

O filme é ótimo, atinge público e crítica e deveria ter dado o Oscar para Meryl