quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TERAPIA DO AMOR

TERAPIA DO AMOR (Prime, 2005, Universal Pictures, 105min) Direção e roteiro: Ben Younger. Fotografia: William Rexer. Montagem: Kristina Boden. Música: Ryan Shore. Figurino: Melissa Toth. Direção de arte/cenários: Mark Ricker/Carol Silverman. Produção executiva: Mark Gordon, Bob Yari. Produção: Jennifer Todd, Suzanne Todd. Elenco: Meryl Streep, Uma Thurman, Bryan Greenberg, Jon Abrahams. Estreia: 21/9/05 (Festival de San Diego)

A trama central é tão genial em sua simplicidade e em suas sacadas que é difícil acreditar que "Terapia do amor" demorou tanto tempo para ser realizado: uma mulher de trinta e poucos anos, recém divorciada, se apaixona por um rapaz bem mais jovem e é incentivada por sua terapeuta, uma judia fervorosa, que lhe empurra para os braços do rapaz que, sem que nenhuma das duas saiba, é seu filho. Com essa premissa aparentemente comum, o roteirista e diretor Ben Younger conseguiu um fato raro: dar a Meryl Streep um papel cômico. E não é preciso dizer que a veterana atriz tira de letra o desafio, roubando o filme todo para si apesar dos esforços da real protagonista, Uma Thurman.

Thurman - que substituiu Sandra Bullock na última hora depois que as mudanças no roteiro impostas pela atriz não foram aceitas - está á vontade como em poucas vezes em sua carreira na pele de Rafi Gardet, uma produtora fotográfica de 37 anos recém-divorciada que se apaixona perdidamente pelo jovem David Bloomberg (Bryan Greenberg), que sonha em tornar-se pintor profissional mas que é sufocado por uma família judia que o trata como uma criança - em especial sua mãe, a bem-sucedida terapeuta Lisa Metzger (Meryl Streep), que sonha em vê-lo casado com uma mulher de sua religião e com um trabalho mais formal. O que nem Rafi nem Lisa sabem é que Bryan é filho da médica que tanto encoraja sua paciente a encontrar um novo amor, mesmo que seja mais jovem. Quando a verdade vem à tona, decisões precisam ser tomadas e é aí que idade e fé mostram suas reais importâncias.



O maior mérito do filme do estreante Ben Younger - que escreveu o roteiro inspirado muito em sua própria vivência como um jovem judeu de Nova York - é tratar de assuntos delicados de forma irônica e engraçada sem nunca cair na sátira vazia ou no desrespeito. Tanto a abordagem das doutrinas judaicas - que dão origem a muitas e engraçadíssimas piadas - quanto a do relacionamento ameaçado pela diferença de idade são extremamente felizes. Nem mesmo quando deixa de lado o humor para concentrar-se no romance o filme de Younger perde seu foco, contando com a química entre Thurman e Greenberg como arma secreta quando Streep torna-se coadjuvante. Antes que isso aconteça, porém, o show é, mais uma vez, da veterana atriz.

Poucas vezes explorada pelas comédias até então, Meryl Streep mostra mais uma vez porque é a atriz das atrizes. Não é preciso muito tempo em cena para que ela roube descaradamente o filme, construindo uma supermãe judaica e uma terapeuta profissional com equilíbrio e um timing cômico preciso. A cena em que ela descobre que seu filhinho amado está de romance com uma mulher mais velha, gentia e divorciada é simplesmente genial principalmente por sua causa: nem é preciso diálogos para que seu desespero seja transmitido à plateia - da forma mais sutilmente engraçada possível. Dando humanidade à sua personagem, Streep impede que ela seja apenas um empecilho para a consumação do romance entre os protagonistas, tornando-se uma personagem tão rica quanto eles.

Valorizado ainda pelo final agridoce e realista, "Terapia do amor" é uma comédia romântica que foge do lugar-comum ao retratar não apenas uma história de amor, mas também seus reveses e suas alegrias. Engraçado, triste e capaz de despertar discussões - ainda que sem maiores profundidades - é um belo passatempo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Tenho que descordar de duas coisas, primeira que Meryl faz papéis cômicos desde sempre, mesmo que tenha em sua carreira o marco de papéis dramáticos e obviamente ela se dá bem em todos! (mentira, não gostei dela em "As filhas de marvin"). Segunda coisa, Uma está sempre a vontade na tela, desde os primeiros filmes que a atriz faz, sempre arrebenta, adoro ela! E o filme, apesar de morno, é legalzinho...