segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

QUERO VIVER!

QUERO VIVER! (I want to live!, 1958, Figaro, 120min) Direção: Robert Wise. Roteiro: Nelson Gidding, Don M. Mankiewicz, reportagem de Ed Montgomery e cartas de Barbara Graham. Fotografia: Lionel Lindon. Montagem: William Hornbeck. Música: John Mandel. Direção de arte: Victor Gangelin. Produção: Walter Wanger. Elenco: Susan Hayward, Simon Oakland, Virginia Vincent, Wesley Lau, Philip Coolidge. Estreia: 18/11/58

6 indicações ao Oscar: Diretor (Robert Wise), Atriz (Susan Hayward), Roteiro Adaptado, Fotografia em P&B, Montagem, Som
Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Susan Hayward)
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Susan Hayward)

Se, em 1995, o ator/diretor/roteirista/produtor realizou sua obra-prima "Os últimos passos de um homem" como um libelo anti-pena capital, um outro filme, lançado quase quatro décadas antes, teve o mesmo objetivo, ainda que (mal) disfarçado como um drama biográfico e realista. Dirigido por Robert Wise - que anos depois entraria para a história ganhando o Oscar pelo musical "Amor, sublime amor" - "Quero viver!" conta a história de Barbara Graham, que, acusada de ser co-autora do assassinato de uma mulher de 62 anos, foi executada na câmera de gás em 1955. Baseado em uma série de artigos escritos pelo jornalista Ed Montgomery com base em registros jurídicos, investigações pessoais, entrevistas e cartas escritas pela própria Barbara - o roteiro faz uma severa crítica ao sistema judiciário, mesmo que hoje em dia se saiba que a inocência da protagonista é bastante duvidosa.

Para encarnar Barbara Graham - uma mulher de comportamento nada exemplar, que vivia metida em contravenções e frequentava inferninhos com a mesma desenvoltura com que entrava e saía da cadeia - a atriz Susan Hayward fez extensas pesquisas a respeito do assunto e ela mesma, apesar de tê-la interpretado como uma trágica vítima de circunstâncias adversas, acredita que ela teve uma real parcela de culpa no homicídio da qual foi acusada. Hayward, em uma atuação consagradora que também lhe valeu o Golden Globe, criou uma Barbara intensa, seja na vida pessoal ou em seu destino infeliz, que em nenhum momento apela para o sentimentalismo ou para a autopiedade. Mesmo em suas cenas mais dramáticas - que envolvem seu filho pequeno - o cuidado da direção em não forçar a barra é visível e louvável, mas é também inegável que o filme cresce muito quando chega a seu cerne: o julgamento.


Demora um pouquinho para que "Quero viver!" realmente comece. Wise primeiro estabelece com calma e cuidado o clima do universo que circunda Barbara, com uma trilha sonora composta por peças de jazz que dão o tom do que virá pela frente. Felizmente o ritmo claudicante da primeira fase logo dá lugar ao drama jurídico que dá ao filme sua importância até os dias de hoje. Quando é acusada do assassinato de uma mulher - juntamente com outros dois amigos - Barbara é imediatamente transformada em notícia de jornal, em especial graças aos esforços do repórter Ed Montgomery (interpretado por Simon Oakland em seu primeiro papel). A princípio um dos principais acusadores de Graham, o jornalista acaba por tornar-se um de seus maiores defensores quando começa a questionar as evidências apresentadas no tribunal e, de certa forma, torna-se os olhos do espectador.

Apelando para o máximo de realismo nas sequências passadas no corredor da morte, Robert Wise entrega ao público um espetáculo sério, que serve como um documento de sua época. Seja qual for a verdade a respeito da inocência de sua protagonista, sua dramatização é essencial e emocionante.

Um comentário:

Bárbara Araújo disse...

Excelente filme,amei!!!!!!