domingo, 30 de abril de 2017

O MAIOR AMOR DO MUNDO

O MAIOR AMOR DO MUNDO (Mother's Day, 2016, Open Road Films, 118min) Direção: Garry Marshall. Roteiro: Anya Kochoff Romano, Matt Walker, Tom Hines, estória de Lily Hollander, Matt Walker, Tom Hines, Garry Marshall. Fotografia: Charles Minsky. Montagem: Bruce Green, Robert Malina. Música: John Debney. Figurino: Marilyn Vance, Beverly Woods. Direção de arte/cenários: Missy Stewart/Bob Kensinger. Produção executiva: William Bindley, Deborah E. Chausse, Leon Corcos, Mark Fasano, Kevin Frakes, Howard Gilden, Fred Grimm, Bill Heavener, Matthew Hooper, Tedd Johnson, Scott Lipsky, Danny Mandel, Rodger May, Ankur Rugta, Jared D. Underwood. Produção: Brandt Andersen, Howard Burd, Daniel Diamond, Mark DiSalle, Mike Karz, Wayne Rice. Elenco: Jennifer Aniston, Kate Hudson, Julia Roberts, Timothy Olyphant, Jason Sudeikis, Margo Martindale, Shay Mitchell, Hector Elizondo, Aasiv Mandvi. Estreia: 13/4/16

Parecia uma fórmula imbatível de sucesso: escolher uma data comemorativa como tema, escalar um elenco de astros conhecidos do grande público, lançar no feriadoc correspondente e correr pro abraço. Foi assim com "Idas e vindas do amor" (sobre o Dia dos Namorados) e com "Noite de ano-novo" (autoexplicativo). Porém, mesmo as fórmulas aparentemente infalíveis podem desgastar-se: se os dois primeiros filmes fizeram sucesso nas bilheterias mundiais (216 milhões e 142 milhões respectivamente), o terceiro capítulo da série do diretor Garry Marshall decepcionou em todos os quesitos, tanto em termos de crítica (o que já havia acontecido com os anteriores, aliás) quanto financeiros, rendendo menos de 50 milhões de dólares no total. Último filme de Marshall - que de certa forma revelou Julia Roberts ao mundo, em "Uma linda mulher" (90) e morreu poucos meses depois da estreia, "O maior amor do mundo" padece de um roteiro simplista e personagens sem muito carisma ou profundidade, que serve unicamente como passatempo rápido e facilmente esquecível.

Menos ambicioso do que os filmes anteriores do estilo, e com um elenco de estrelas mais enxuto, "O maior amor do mundo" se fixa em apenas cinco núcleos, que se cruzam ocasionalmente e tem, como pano de fundo, o amor materno. Julia Roberts, amiga do diretor, está pouco confortável como Miranda Collins, uma escritora famosa que é conhecida por apresentar um programa de televisão onde vende joias ao telespectador. Quem deseja ser contratada por ela como designer é Sandy (Jennifer Aniston), que está passando pela complicada situação de lidar com o novo casamento do ex-marido, Henry (Timothy Olyphant), e ver seus filhos conquistados pela madrasta. Nesse meio-tempo, ela conhece o viúvo Bradley (Jason Sudeikis), que perdeu a esposa há pouco tempo e tenta compreender o universo de suas duas filhas, uma delas em plena adolescência. Já as duas irmãs Jesse (Kate Hudson) e Gabi (Sarah Chalke) tentam esconder de seus pais (preconceituosos) seus relacionamentos amorosos: a primeira com um médico indiano e a segunda com uma mulher, com quem tem um filho. E finalizando a ciranda de relações está o casal formado pelo comediante inglês Zack (Jack Whitehall) e sua amada Kristin (Britt Robertson), que tem um bebê juntos mas não conseguem se casar por causa de uma situação mal resolvida no passado da jovem.


Mesmo com um número relativamente baixo de tramas paralelas, o roteiro de "O maior amor do mundo" consegue ser superficial em todas. Julia Roberts talvez seja o maior talento desperdiçado dentre todo o elenco, com uma personagem tão rasa e inverossímil que chega a parecer proposital - além de não oferecer à atriz a chance de mostrar sua beleza. Jennifer Aniston ainda consegue extrair um pouco mais de sua Sandy, que se envolve em duas das histórias contadas, mas mesmo assim pouco faz para deixar de lado os trejeitos de sua personagem mais famosa, a Rachel Green da série "Friends" - sorte que seu carisma é inabalável. Margo Martindale quase rouba a cena como a mãe preconceituosa de Kate Hudson, mas lhe é dado tão pouco tempo em cena que seu enredo - talvez o mais interessante de todos - acaba perdido em meio a algumas piadas sem graça e tentativas nem sempre felizes de emocionar o público. A sorte é que Marshall - um veterano com larga experiência - sabe como transformar seus filmes em produtos agradáveis mesmo quando pouco profundos e não deixa que a sessão se torne um pesadelo.

A receita de "O maior amor do mundo" é fácil: um visual bonito, com atores atraentes, uma trilha sonora pop com alguns sucessos do momento, personagens com problemas facilmente identificáveis (mas não pesados a ponto de afastar o público) e alguns momentos de humor e drama, dosados para conquistar tanto os fãs de comédia quanto aqueles que gostam de chorar diante da tela. Todos os ingredientes estão presentes no filme, mas o resultado é apenas razoável, sem nada que o diferencie de dezenas de outros produtos lançados semanalmente nos cinemas. Talvez agrade mais a quem for mãe - ou a quem se conecte especificamente com alguma das tramas - mas no final é simplesmente uma sessão da tarde pouco memorável. Uma pena que Marshall tenha se despedido do cinema com um filme tão banal e vazio!

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