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TRÊS MULHERES, TRÊS AMORES

TRÊS MULHERES, TRÊS AMORES (Mystic Pizza, 1988, The Samuel Goldwyn Company, 104min) Direção: Donald Petrie. Roteiro: Amy Jones, Perry Howze, Randy Howze, Alfred Uhry, estória de Amy Jones. Fotografia: Timothy Suhrstedt. Montagem: Don Brochu, Marion Rothman. Música: David McHugh. Figurino: Jennifer Von Meyerhauser. Direção de arte/cenários: David Chapman/Clay Griffith. Produção executiva: Samuel Goldwyn Jr.. Produção: Mark Levinson, Scott Rosenfelt. Elenco: Annabeth Gish, Julia Roberts, Lily Taylor, Vincent D'Onofrio, Conchata Ferrell, William R. Moses, Adam Storke, Matt Damon. Estreia: 21/10/88

Kat está em vias de iniciar a faculdade em Yale, mas aceita um trabalho extra de babá - até que não consegue controlar seus sentimentos e se envolve em uma relação destinada ao fracasso; sua irmã, Daisy, sensual e extrovertida, inicia um namoro com um rapaz de classe social superior à sua, surda aos avisos de que seu final não tem como ser feliz; e Jojo, que acabou de abandonar o noivo no altar, tenta reconquistá-lo a despeito de seu medo de compromissos e de sua libido à flor da pele serem problemas a superar para que a relação vingue. As três jovens trabalham como garçonetes em uma pizzaria de uma pequena cidade de Connecticut chamada Mystic e, além de lutarem por sua felicidade, são as protagonistas de um adorável pequeno filme chamado "Três mulheres, três amores", primeiro longa-metragem do cineasta Donald Petrie e responsável pelos primeiros papéis de destaque de um trio de atrizes que iria se destacar na década de 90 - sem falar que uma delas iria se tornar um dos maiores nomes do cinema americano do final do século XX: lançado no final de 1988, foi um dos filmes que chamaram a atenção do público e da crítica para uma bela e sorridente candidata a estrela: Julia Roberts.

Às vésperas de ser indicada pela primeira vez ao Oscar - como coadjuvante de "Flores de aço" (89) - e conhecer o estrelato absoluto com "Uma linda mulher" (90) - que lhe colocou novamente no páreo por uma estatueta que só viria uma década mais tarde -, Roberts já demonstrava, em "Três mulheres, três amores", o carisma e o talento que o público estava em vias de celebrar. Mérito também dos produtores, que a testaram para o papel da doidivanas Jojo mas resolveram acertadamente escalá-la para viver a voluptuosa Daisy, uma personagem capaz de explorar todas as facetas de sua capacidade dramática, e deixar Jojo nas mãos de Lily Taylor, também dando seus primeiros passos no cinema e se encaminhando para ser uma das queridinhas do cenário independente. Seu desempenho é repleto de uma jovialidade e de uma energia quase palpáveis, especialmente quando ao lado de Vincent D'Onofrio, que, na pele de seu atônito noivo católico, Bill - que não entende a fixação da noiva em sexo e seu medo de compromissos: juntos, Taylor e D'Onofrio proporcionam ao filme o toque de humor apropriado, que equilibra a determinação de Daisy e o romantismo de Kat - a personagem mais centrada e, justamente por isso, a mais surpreendente das três protagonistas.





Sensível e responsável, Kat resolve se dividir entre o emprego de garçonete na pizzaria e um trabalho de babá para a filha pequena do arquiteto Tim (William R. Moses), cuja esposa está viajando a trabalho. Enquanto aguarda o momento de embarcar para a universidade, ela começa a passar tempo demais com a menina e, por consequência, com seu pai, o que a leva a um romance inesperado e pouco recomendável - especialmente para alguém tão romântica e responsável. Nem mesmo sua irmã, Daisy, é tão inconsequente: apesar de namorar um rapaz rico, Charlie (Adam Storke), Daisy jamais se permite ser magoada ou inferiorizada, e usa de sua personalidade forte para impor seu ponto de vista mesmo que isso arrisque seu relacionamento. Juntas, as três se completam e dão força umas às outras - uma espécie de família abençoada pela dona do restaurante, Leona (Conchata Ferrell), cujo ingrediente secreto de seu molho unanimemente elogiado ela insiste em manter apenas para si.

Leve e despretensioso, "Três mulheres, três amores" (que quase ganhou uma sequência nos anos 90) se tornou o cartão de visitas de Donald Petrie, um diretor que especializou-se em comédias e episódios de séries de televisão até que, em 2000, tirou a sorte grande com "Miss Simpatia", um enorme sucesso de bilheteria estrelado por Sandra Bullock - e que redefiniu os rumos de sua carreira, levando-o para a seara das comédias românticas ("Como perder um homem em dez dias", de 2003, também surpreendeu positivamente). Já em seu primeiro filme, ele demonstra um bom senso de ritmo, de carinho pelos personagens e, ainda mais importante, a capacidade de criar identificação entre público e a história a ser contada. Pode parecer pouco, mas quando os créditos finais sobem e a plateia se despede das três moçoilas que lhe fizeram companhia nos últimos 100 minutos, pode-se perceber que nem todo cineasta consegue causar tanta simpatia e leveza. Uma ótima sessão da tarde adulta!

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