domingo, 10 de outubro de 2010

GHOST - DO OUTRO LADO DA VIDA

GHOST, DO OUTRO LADO DA VIDA (Ghost, 1990, Paramount Pictures, 127min) Direção: Jerry Zucker. Roteiro: Bruce Joel Rubin. Fotografia: Adam Greenberg. Montagem: Walter Murch. Música: Maurice Jarre. Figurino: Ruth Morley. Direção de arte/cenários: Jane Musky/Joe D. Mitchell. Casting: Janet Hirshenson, Jane Jenkins. Produção executiva: Steven-Charles Jaffe. Produção: Lisa Weinstein. Elenco: Patrick Swayze, Demi Moore, Whoopi Goldberg, Sam Goldwin. Estreia: 13/7/90

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Whoopi Goldberg), Roteiro Original, Montagem, Trilha Sonora Original
Vencedor de 2 Oscar: Atriz Coadjuvante (Whoopi Goldberg), Roteiro Original
Golden Globe de Melhor Atriz Coadjuvante (Whoopi Goldberg)

Não é exatamente difícil explicar os motivos que fizeram o público gostar tanto de "Ghost, do outro lado da vida". Sua história de amor é comovente e a química entre seus protagonistas é genuína e fotogênica; seu lado cômico tem momentos verdadeiramente hilariantes; sua trama policial consegue ser interessante na medida certa; e seu tema espírita não poderia ter sido mais adequado a um final de século. O que realmente faz pensar é por que seu sucesso foi tão, mas tão grande. Indicado inclusive a um exagerado Oscar de Melhor Filme - além de levar duas estatuetas (o questionável prêmio de roteiro original) e o mais que merecido de atriz coadjuvante para a sempre ótima Whoopi Goldberg - a obra de Jerry Zucker (mais conhecido por ser parte do trio de cineastas responsáveis por comédias amalucadas como "Apertem os cintos, o piloto sumiu!") é apenas mais uma história de amor como tantas que chegam às telas semanalmente, mas que teve a sorte de contar com uma equipe mais talentosa do que o normal.

Senão vejamos: o casal Sam Wheat (Patrick Swyze) e Molly Jensen (a bela Demi Moore) está no auge da paixão e da ascensão social. Acabaram de comprar um excelente apartamento, são bem-sucedidos em suas profissões - ele bancário, ela artista plástica - e, lindos e jovens, tem de repente seus sonhos destruídos quanto, em um assalto, Sam morre assassinado. Desesperada, Molly nem percebe que o melhor amigo de seu marido, o ambicioso Carl (Tony Goldwin) está apaixonado por ela e pior ainda, é o responsável pelo crime. Em espírito, Sam descobre a verdade e, através de Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma medium que se julgava charlatã, tenta contar-lhe a verdade.



E a bem da verdade é só isso. A trama escrita por Bruce Joel Rubin mistura os ingredientes de diversos gêneros e, justiça seja feita, é feliz em nunca atropelá-los. Os momentos cômicos, cortesia da fantástica Whoopi Golberg, são engraçadíssimos e as cenas românticas aproveitam ao máximo a química entre Swayze (péssimo ator de grande carisma) e Demi Moore e da bela trilha sonora de Maurice Jarre (que inclusive ressuscita a linda "Unchained melody", dos Righteous Brothers, que tocou à exaustão à época do filme...) A trama policial não chega a empolgar, mas de certa forma também não atrapalha o andamento do filme, dono de um ritmo exemplar, que nunca deixa o espectador cansado e/ou entediado. É tudo tão milimetricamente planejado no roteiro de  "Ghost" que o público nem percebe que o filme só fica realmente bom depois de mais de meia-hora de projeção, quando entra em cena seu maior trunfo: a excelente Whoopi.

Em um papel absolutamente distante da sofrida Celie de "A cor púrpura" - filme que a lançou e demonstrou seu imenso talento - Goldberg rouba descaradamente todas as cenas das quais participa, colocando o filme de Zucker no bolso. Dona de um timing perfeito e repleta de nuances, Whoopi é uma atriz tão competente que quando não está em cena faz uma falta danada. Poucas vezes o Oscar e o Golden Globe de atriz coadjuvantes foram tão merecidos.

Mas o grande problema de "Ghost" é um só: ele já havia sido feito antes e, para sua sorte, seu irmão mais velho não empolgou nem um pouco nas bilheterias. Lançado em 1989, "Além da eternidade", de Steven Spielberg, não fez o sucesso esperado, mas conta praticamente a mesma história - sem os lances cômicos e policiais - com a diferença que seus protagonistas Richard Dreyfuss e Holly Hunter são atores muito mais talentosos, ainda que menos atraentes. "Ghost" é divertido, sim. Emociona os mais sensíveis e ficou na mente e no coração de muita gente mundo afora. Mas está longe de ser a obra-prima que tanto se apregoou.

Um comentário:

Hugo disse...

A química entre Demi Moore e Patrick Swayze, misturada com a grande interpretação de Whoopi Goldberg são as grandes qualidades do filme.

Estes detalhes fizeram "Ghost" ser um sucesso extremamente maior do que o bom longa "Além da Eternidade".

A música com certeza ajudou a criar um clima de romance e drama.

Abraço