sábado, 2 de outubro de 2010

A GUERRA DOS ROSES

 
 A GUERRA DOS ROSES (The war of the Roses, 1989, 20th Century Fox, 116min) Direção: Danny DeVito. Roteiro: Michael Leeson, romance de Warren Adler. Fotografia: Stephen H. Burum. Montagem: Lynzee Klingman. Música: David Newman. Figurino: Gloria Gresham. Direção de arte/cenários: Ida Random/Anne D. McCulley. Produção executiva: Doug Claybourne, Polly Platt. Produção: James L. Brooks, Arnon Milchan. Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny DeVito, Marianne Sagebrecht, Sean Astin. Estreia: 08/12/89

Em 1987, o ator Danny DeVito provou que também tinha talento por trás das câmeras, com o sucesso crítico e comercial de "Jogue a mamãe do trem". Antes disso, ele contracenou com Michael Douglas e Kathleen Turner em dois sucessos de bilheteria - "Tudo por uma esmeralda" e "A jóia do Nilo" - que comprovaram a química entre os dois atores. Não foi nenhuma surpresa, então, quando os três voltaram a trabalhar juntos em "A guerra dos Roses", uma comédia de humor ainda mais negro do que o primeiro filme de DeVito. Baseado no livro de Warren Adler - que teve uma continuação lançada mais de uma década depois - o roteiro consegue ao mesmo tempo ser mordaz, irônico e dono de uma contundente crítica social. De quebra, apresenta atuações memoráveis do seu casal protagonista.


O filme é narrado por Gavin D'Amato (o próprio DeVito), um advogado que tenta demover um cliente de sua ideia de entrar com um processo de divórcio contando a história de um casal de clientes. Oliver e Barbara Rose (vividos por Douglas e Turner) se conheceram na juventude, se apaixonaram e subiram na vida juntos. Enquanto ela abandona uma promissora carreira como ginasta para dedicar-se ao casamento, ele foca toda sua energia em tornar-se um advogado bem-sucedido. Quando, depois que o casal de filhos gêmeos sai de casa para estudar, Barbara resolve começar um negócio próprio, ela percebe que não sente mais nada pelo marido, exceto repulsa e um ódio quase mortal. Ao entrar com o pedido de divórcio, no entanto, ela descobre que Oliver não está nem um pouco disposto a abrir mão da espetacular mansão em que eles vivem - e é justamente a casa que decorou com tanto esmero e cuidado a única coisa que ela deseja na custódia dos bens.

"A guerra dos Roses" começa como uma comédia romântica, ou no máximo, uma comédia como dezenas de outras. É somente aos poucos que DeVito vai levando o público em sua viagem de humor sombrio. De cena em cena a plateia é apresentada ao crescente desprezo de Barbara pelo marido ou da falta de fé de Oliver no ódio da esposa. Ainda apaixonado, ele não acredita que ela seja capaz de chegar aos extremos que ameaça. Quando ele vê que ela realmente o É, o filme deslancha de vez. Se como dona-de-casa entediada Kathleen Turner é boa, como ex-mulher enraivecida ela é ainda melhor.


A química entre Turner e Michael Douglas é gloriosa. Fica clara, em cada sequência, a intimidade entre os dois, que se divertem claramente frente às câmeras. É hilariante a maneira com que o diretor consegue utilizar detalhes - como a implicância do casal com os bichos de estimação um do outro - para apresentar, desde sempre, aquela centelha de raiva enrustida que os move. E a forma surpreendente com que o roteiro se desenrola é triunfo de uma história tão inacreditável que acaba sendo plenamente verossímel dentro de suas idiossincrasias. Tudo é tão deliciosamente exagerado no filme de DeVito que fica difícil não aceitar seu convite para a diversão.


"A guerra dos Roses" não é uma comédia no sentido tradicional. Seu humor não busca gargalhadas e sim a identificação da plateia com os meandros de uma relação desgastada pelo tempo e pela desilusão. De certa forma é até triste. Mas ao mesmo tempo é irresistível e garantia de duas horas de bom entretenimento.

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