quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SIMPLESMENTE ALICE

SIMPLESMENTE ALICE (Alice, 1990, Orion Pictures, 102min) Direção e roteiro: Woody Allen. Fotografia: Carlo di Palma. Montagem: Susan E. Morse. Figurino: Jeffrey Kurland. Direção de arte/cenários: Santo Loquasto/Susan Bode. Casting: Juliet Taylor. Produção executiva: Charles H. Joffe, Jack Rollins. Produção: Robert Greenhut. Elenco: Mia Farrow, Alec Baldwin, Blythe Danner, Judy Davis, William Hurt, Joe Mantegna, Cybill Sheperd, Gwen Verdon, Julie Kavner. Estreia: 25/12/90

Indicado ao Oscar de Roteiro Original

Que Woody Allen é um cineasta autoral, independente e criativo todo mundo sabe! Dono de uma carreira que, a despeito de não ter nenhum êxito comercial retumbante é absolutamente respeitada pela integridade, ele é capaz de equilibrar pequenas obras-primas como "Crimes e pecados" com filmes que não obtiveram o mesmo sucesso entre a crítica e o público, como é o caso de "Simplesmente Alice". Mesmo tendo sido indicado ao Oscar de roteiro original, o 21º longa-metragem de Allen não tem o mesmo frescor que a maioria de seus trabalhos, utilizando elementos de outros filmes com a sua assinatura ao lado de um elemento novo:a fantasia.

Mia Farrow é novamente a protagonista em "Simplesmente Alice". Ela vive Alice Tate, uma mulher que vive dividida entre compromissos sociais, visitas ao shopping e aos salões de beleza e um casamento morno com o bem-sucedido Doug (William Hurt). Sofrendo de constantes dores nas costas, ela visita o afamado Dr. Yang (Keye Luke), acunpunturista recomendado por todas as suas amigas. Surpreendida pelo tratamento do médico oriental, que lhe oferece os mais variados tipos de ervas naturais - que permitem que ela fique invisível, que fale com um ex-namorado morto (Alec Baldwin) e que se torne menos tímida - ela aproveita o momento para levar adiante um hesitante romance com Joe Ruffalo (Joe Mantegna), músico divorciado, pai de uma colega de seus filhos pequenos. Além disso, passa a questionar suas escolhas em abandonar tudo para tornar-se esposa e mãe.



A trama lembra "A outra", filme bastante superior dirigido por Allen em 1988. No entanto, o cineasta não é feliz em lançar mão de alguns artifícios que não combinam com seu estilo. Ver Alice voando sobre Nova York ao lado do falecido namorado não encanta como deveria e sim torna-se bobo. Até mesmo o fato de conseguir ficar invisível para espionar a vida do amante, das melhores amigas e do marido infiel soa como uma solução fácil e sem imaginação. Suas dúvidas a respeito de seguir uma nova carreira como escritora e sua relação mal-resolvida com a irmã advogada (Blythe Danner, mãe da atriz Gwyneth Paltrow) são extremamente semelhantes às questões levantadas por Gena Rowlands em "A outra", mas sem o peso e a densidade do filme anterior.

Sendo assim, "Simplesmente Alice" é um filme ruim? De jeito nenhum. Woody Allen é incapaz de criar alguma coisa que seja menos do que interessante. Mia Farrow novamente entrega uma atuação consistente, mesmo quando sua personagem passa por situações quase inverossímeis. O elenco coadjuvante também não atrapalha nem um pouco - até mesmo Joe Mantegna consegue apagar sua imagem de "gângster" e William Hurt, apesar de não ter muito o que fazer, pontua com correção mais uma grande interpretação de Mia. Nem mesmo o final um tanto abrupto consegue esconder o fato, no entanto, de que Allen tem o que dizer em qualquer trabalho que assine.

"Simplesmente Alice" não é um dos mais populares trabalhos de Woody Allen. Ao assistí-lo logo se vê os motivos. Não é particularmente engraçado nem especialmente sério. Mas é Woody Allen é sempre Woody Allen, quer seja para o bem ou para o mal.

Um comentário:

renatocinema disse...

Tenho um sério problema. De todos amigos que amam cinema sou o único que não sou fã de carteirinha de Woody Allen. De todos os seus trabalhos o único que guardo no coração e na alma é "A Rosa Púrpura do Cairo". abs