domingo, 14 de novembro de 2010

INSTINTO SELVAGEM

INSTINTO SELVAGEM (Basic instinct, 1992, Carolco Pictures, 127min) Direção: Paul Verhoeven. Roteiro: Joe Eszterhas. Fotografia: Jan De Bont. Montagem: Frank J. Urioste. Música: Jerry Goldsmith. Figurino: Ellen Mirojnick. Direção de arte/cenários: Terence Marsh/Anne Kuljian. Produção executiva: Mario Kassar. Produção: Alan Marshall. Elenco: Michael Douglas, Sharon Stone, George Dzunza, Jeanne Tripplehorne, Leilani Sarelle, Wayne Knight, Stephen Tobolowski, Dorothy Malone. Estreia: 20/3/92

2 indicações ao Oscar: Montagem, Trilha Sonora Original

Bissexual, usuária de cocaína, praticante de várias modalidades de sexo, brilhantemente inteligente e suspeita de um violento assassinato. Essas são as características de Catherine Tramell, a improvável heroína de um dos maiores e mais controversos sucessos de bilheteria dos anos 90, o já icônico "Instinto selvagem". Recusado por várias atrizes devido a seu teor potencialmente polêmico, o papel de Tramell acabou nas mãos de Sharon Stone, que já havia trabalhado com o diretor holandês Paul Verhoeven em "O vingador do futuro".
Pode ter sido um desses casos escritos nas estrelas porque o fato é que Catherine Tramell e Sharon Stone parecem, desde o primeiro momento em que a atriz entra em cena, feitas uma para a outra. Devido a seu trabalho como a sedutora e ambígua personagem criada pelo roteirista Joe Ezsterhas - que recebeu de pagamento o então recorde de 1 milhão de dólares - Stone transformou-se, da noite para o dia, no maior símbolo sexual da década, povoando o imaginário masculino - e por que não? - o feminino também.

A trama de “Instinto selvagem” se passa em San Francisco. Um roqueiro é violentamente assassinado a golpes de picador de gelo durante o ato sexual com uma loura escultural – em uma cena pra lá de excitante. Chamado à cena do crime, o policial Nick Curran (Michael Douglas em um período de bons filmes) logo fica sabendo que a vítima tinha um caso com a bela Catherine Tramell, escritora de livros policiais eróticos. Além de parceira sexual do roqueiro, Tramell também havia descrito um assassinato nos mesmos moldes do ocorrido em um de seus romances. Ao lado do parceiro Gus (George Dzunza), Curran procura a escritora, mas ela, apesar de parecer um tanto fria e racional, passa com louvor no detector de mentiras. Ainda na pele de suspeita, ela seduz o policial, ele mesmo com vários problemas a resolver: ainda se curando de vícios em drogas e bebida, ele é obrigado por seu departamento a ter consultas psicológicas com sua ex-namorada, Beth Garner (Jeanne Tripplehorn), devido à morte acidental de um civil, causada por ele. Envolvido com a bela possível assassina, Curran tenta provar sua inocência, ainda que os fatos comecem a se acumular contra ela.


Fotografado com requinte e dono de uma parte técnica impecável – edição, trilha sonora, som – “Instinto selvagem” ainda por cima tem uma qualidade que o eleva a vários patamares sobre seus colegas de gênero: a inteligência do roteiro. Repleta de pistas falsas, reviravoltas verossímeis e sequências de tirar o fôlego – sejam elas de ação ou puramente sexuais (e elas são várias e bem desinibidas) – a trama de Ezterhas conquista desde o primeiro minuto, nunca deixando o público antecipar o que virá a seguir. O que é uma regra básica de roteiro policial, mas que é constantemente negligenciado. Só a cena do primeiro interrogatório de Tramell merece figurar em qualquer antologia, tanto de suspense quanto de erotismo. Atire a primeira pedra quem consegue esquecer a famosa cruzada de pernas de Stone...

E erotismo é o que não falta em "Instinto selvagem". Fetiches desfilam pela tela sem pudor - e são dirigidos com visível gosto por Verhoeven. Bondage, lesbianismo, sexo grupal, sexo violento... tudo é permitido no universo do filme, ou ao menos mais comum do que na maioria dos produtos hollywoodianos. Tudo bem que a sofisticação quase exagerada que permeia o longa - carros belíssimos, mansões deslumbrantes, mulheres gostosas - imediatamente o afasta do grosso do público, mas o roteiro e a direção são espertos o bastante para nunca deixar a atenção ser desviada do que realmente importa: a história.

Logo que "Instinto selvagem" estreou - despertando a ira de ativistas homossexuais - Sharon Stone espalhou aos quatro ventos que as cenas de sexo entre ela e Michael Douglas foram reais e o ator declarou ser viciado em sexo. Não é preciso dizer que foi um bom marketing e o filme tornou-se um sucesso enorme no mundo todo. Logicamente um bom boato pode fazer maravilhas por um produto cinematográfico, mas não há como negar que o filme de Verhoeven mereceu todo o auê. Infelizmente, a ganância, como sempre, falou mais alto, e uma intragável e desnecessária continuação estreou anos depois. Merecidamente foi execrado.

4 comentários:

renatocinema disse...

sempre deixei esse filme para "amanhã' e nunca assisti. Não sei o motivo. mas, nunca me atraiu.

Hugo disse...

É um ótimo filme, não são Michael Douglas estava no auge, como Verhoeven vinha de sucessos seguidos como "Conquista Sangrenta", "Robocop" e "O Vingador do Futuro".

Com certeza foi a papel da vida de Sharon Stone, mesmo com um pouco do sucesso de "O Vingador do Futuro", sua carreira deslanchou aqui.

A continuação além de desnecessária foi tardia.

Abraço

Anônimo disse...

Oi! Conheci seu blog via Google e adorei! Uma ótima ideia... e com ótimos textos. Voltarei sempre.

Abs,

Luciana

Anônimo disse...

Ate hoje esse filme me excita,e muito bom mesmo!!!!!!!!1