segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PERFUME DE MULHER

PERFUME DE MULHER (Scent of a woman, 1992, Universal Pictures, 157min) Direção: Martin Brest. Roteiro: Bo Goldman, romance de Giovanni Arpino. Fotografia: Donald E. Thorin. Montagem: Harvey Rosenstock, William Steinkamp, Michael Tronick. Música: Thomas Newman. Figurino: Aude Bronson-Howard. Direção de arte/cenários: Angelo Graham/George DeTitta Jr. Casting: Ellen Lewis. Produção executiva: Ronald L. Schwary. Produção: Martin Brest. Elenco: Al Pacino, Chris O'Donnell, Gabrielle Anwar, Philip Seymour Hoffman, Todd Louiso, Bradley Whitford, James Rebhorn, Frances Conroy, Ron Eldard. Estreia: 23/12/92

4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Martin Brest), Ator (Al Pacino), Roteiro Adaptado
Vencedor do Oscar de Melhor Ator (Al Pacino)
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Ator/Drama (Al Pacino), Roteiro

Em tese, este "Perfume de mulher" é a refilmagem de um já clássico italiano de 1974 dirigido por Dino Risi e estrelado por Vittorio Gassman. Em tese. Na realidade, apenas a ideia central do filme de Risi é aproveitada nessa releitura do americano Martin Brest, que deu o tão esperado e aclamado Oscar de melhor ator a Al Pacino. E é Pacino, do alto de seu talento indiscutível, que faz com que um drama acadêmico e quase previsível caia no gosto da audiência, em mais uma atuação antológica em sua brilhante carreira.

O jovem Chris O'Donnell - que ficou com um papel para o qual até mesmo Chris Rock foi testado - vive Charlie Simms, um jovem e dedicado estudante de uma escola preparatória das mais tradicionais dos EUA. Sem recursos financeiros, ele vê sua bolsa de estudos correr risco de ser cancelada quando testemunha, ao lado de um colega milionário (interpretado por um jovem Philip Seymour Hoffman) um grupo de alunos aprontando um trote contra o diretor da instituição. Pressionado a contar em juízo o que testemunhou - sob pena de ser expulso da escola - Charlie vai passar o feriado de Ação de Graças fazendo um trabalho extra (para juntar dinheiro e passar o Natal com a família). O trabalho, que aparentemente seria fácil, torna-se complicado, porém: contratado para tomar conta de Frank Slade (Al Pacino), coronel do exército aposentado por cegueira, Charlie se vê acompanhando o veterano a uma viagem inesperada a Nova York. Lá, hospedado em um hotel cinco estrelas, Charlie frequenta restaurantes chiques, dirige uma Ferrari, visita a família do irmão do militar e, deslumbrado, o vê dançar tango com uma bela mulher. Fascinado com a maneira de Slade de levar a vida, Charlie fica chocado quando descobre que ele pretende cometer suícídio no final do feriado.

"Perfume de mulher" é inegavelmente um bom filme. Qualquer fã de cinema é obrigado a tirar o chapéu para a performance única de Pacino, entregue de corpo e alma à sua personagem irascível mas ao mesmo tempo apaixonante. O problema maior é que, ao seguir passo a passo a cartilha de como escrever um roteiro, Bo Goldman (também autor do sublime "Um estranho no ninho") não surpreende o espectador em momento algum. Desde o início é bastante óbvio, por exemplo, que a relação entre Slade e o jovem Charlie passará do profissional para o quase paternal e que o clímax, em uma reunião na instituição educacional onde começa o filme, será a grande cena do protagonista, aquela que justifica a premiação da Academia. As engrenagens do roteiro são quase visíveis demais para serem ignoradas e isso, dependendo de cada espectador, é claro, incomoda em grau maior ou menor.



Se essa questão um tanto técnica for deixada de lado, no entanto, "Perfume de mulher" é um espetáculo. Dirigido com sobriedade e interpretado com paixão - até mesmo o normalmente apático Chris O'Donnell entrega uma atuação passional - a versão de Brest do romance de Giovanni Arpino é o típico filme que os membros da Academia adoram: um protagonista com uma deficiência, lições de moral, dramas não muito pesados e um final "feliz". Se não fosse o ano de "Os imperdoáveis", era bem possível que tivesse levado o Oscar principal para casa, tamanha a sua adequação às normas hollywoodianas. Apesar de ter um linguajar barato e ter entre seus últimos desejos uma noite de sexo com uma prostituta, o contato mais erótico de Slade em relação a uma mulher é o belíssimo tango que dança com uma desconhecida - Gabrielle Anwar, que não fez a carreira que prometia aqui. Aliás, a cena do tango - que levou 3 dias para ser filmada - é, sem dúvida, a mais marcante do filme, digna de figurar em qualquer antologia dos momentos mágicos do cinema.

Apesar dos pequenos defeitos - que incomodam somente aos mais críticos, diga-se de passagem, uma vez que o público médio não se importa nem um pouco com detalhes técnicos - "Perfume de mulher" é um drama dos melhores, para se assistir ao lado da família. E é um dos trabalhos mais fascinantes de um dos melhores atores que o cinema americano produziu em sua história.

3 comentários:

Hugo disse...

Um grande desempenho de Pacino num papel extremamente complexo.

Apenas este detalhe já vale a sessão.

Abraço

renatocinema disse...

Não possuo justificativa e nunca assisti esse filme tão bem falado por todos. Imperdoável de minha parte.

! Marcelo Cândido ! disse...

Show do Al Pacino
!!!