sexta-feira, 12 de novembro de 2010

TOMATES VERDES FRITOS

TOMATES VERDES FRITOS (Fried green tomatoes, 1991, Universal Pictures, 130min) Direção: Jon Avnet. Roteiro: Fannie Flagg, Carol Sobieski, romance "Fried green tomatoes at Whistle Stop Cafe", de Fannie Flagg. Fotografia: Geoffrey Simpson. Montagem: Debra Neil. Música: Thomas Newman. Figurino: Elizabeth McBride. Direção de arte/cenários: Barbara Ling/Debra Schutt. Produção executiva: Anne Marie Gillen, Norman Lear, Yuriko Matsubara, Andrew Meyer, Tom Taylor. Produção: Jon Avnet, Jordan Kerner. Elenco: Kathy Bates, Jessica Tandy, Mary Stuart Masterson, Mary-Louise Parker, Chris O'Donnell, Cicely Tyson, Lois Smith. Estreia: 27/12/91

2 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Jessica Tandy), Roteiro Adaptado

Vez ou outra, cansado de assistir a tiroteios, explosões, exterminadores, chacinas e cenas de sexo mais olímpicas do que românticas, o público recorre a filmes menos hiperbolizados, que contam histórias simples, de gente como a gente. Quando esses filmes são da qualidade de um "Tomates verdes fritos", então, a bilheteria de mais de 80 milhões de dólares só no mercado doméstico (EUA e Canadá) fica muito fácil de entender. Baseado em um romance escrito pela sulista Fannie Flagg - que colaborou no roteiro indicado ao Oscar - o filme de Jon Avnet pegou de surpresa os executivos dos grandes estúdios por levar um considerável público às salas de cinema sem apelar para grandes astros ou continuações de filmes de sucesso. Estrelado por duas vencedoras consecutivas do Oscar de melhor atriz - Jessica Tandy e Kathy Bates - e duas jovens e talentosas atrizes da geração seguinte - Mary Stuart Masterson e Mary-Louise Parker -, "Tomates verdes fritos" é um filme tão bom que é quase como se fosse dois.

Na verdade, ele o é. Duas histórias paralelas são contadas por Avnet, sem que uma atrapalhe a outra. Ao contrário de várias produções, cujas tramas que correm concomitantemente são praticamente independentes, aqui uma narrativa completa a outra e lhe dá sentido. Tudo começa quando a dona-de-casa Evelyn Couch (Kathy Bates, completamente apagando a imagem cruel que lhe deu a estatueta) chega a um asilo, para visitar uma intratável tia do marido. Lá, ela trava conhecimento com uma paciente idosa e comunicativa, Ninny Threadgoode (Jessica Tandy, indicada a um carinhoso Oscar de coadjuvante), que começa a contar-lhe a história da amizade entre duas mulheres, no Alabama dos anos 20. Parente do falecido marido de Ninny, a voluntariosa Idgie (Mary Stuart Masterson) desafia as convenções da sociedade local ao comportar-se de forma completamente oposta ao esperado de uma dama bem nascida. Revoltada com a vida desde a trágica morte do irmão mais velho, Buddy (Chris O'Donnell), Idgie encontra uma razão para viver quando passa a defender a frágil Ruth Jamison (Mary-Louise Parker) dos ataques violentos de seu marido, integrante da Klu Klux Klan. Sócias em um restaurante, as duas começam a sofrer ameaças da seita e o assassinato do marido de Ruth envolve todos os seus conhecidos em uma trama de mistério e solidariedade. Aos poucos, a história das duas jovens passa a operar transformações na vida da própria Evelyn, que redescobre sua auto-estima e resolve salvar seu monótono casamento.



Escrito e dirigido com delicadeza e um ritmo especial, que não atropela acontecimentos nem os valoriza desnecessariamente, "Tomates verdes fritos" é um daqueles raros filmes em que todos os fatores confluem para sua inegável qualidade. A reconstituição de época é discreta mas eficiente e a trilha sonora de Thomas Newman comenta a ação de forma correta - e é bem capaz de emocionar os mais sensíveis. A edição, fator importantíssimo em filmes que se propõem a alternar histórias, também acontece sem sobressaltos ou uma velocidade estonteante: é sutil, parcimoniosa e inteligente. Mas, apesar dos inúmeros destaques, é o elenco de "Tomates verdes fritos" que faz toda a diferença.

Kathy Bates e Jessica Tandy, juntas, encantam. A fragilidade emocional de Evelyn - diametralmente oposta ao físico avantajado que ela decide exercitar graças à Idgie e Ruth - encontra em Bates a encarnação perfeita. É quase impossível acreditar que pouco antes ela havia atemorizado plateias como a violenta Annie Wilkes de "Louca obsessão". E Tandy, idosa e delicada, utilizando apenas de sua voz meiga e de seu jeito de avó, conquista a audiência já em sua primeira aparição. E, apesar do nome de Bates ser o primeiro a enfeitar o cartaz do filme, é preciso dar crédito à Mary Stuart Masterson e Mary-Louise Parker, que são, a bem da verdade, as verdadeiras protagonistas do filme. A sensacional química entre as duas é que dá a veracidade indispensável à bela história de amor e amizade entre as duas. Vale lembrar que o teor homoerótico do filme foi diminuído pelos produtores, mas defendido pelas atrizes, que conseguiram manter ao menos o tom romântico/melancólico da trama, que também toca em assuntos bastante pertinentes, como racismo, violência contra a mulher e sexualidade reprimida.

"Tomates verdes fritos" é quase um filme de mulher. Mas é tão bom que ultrapassa qualquer barreira sexista, tornando-se um dos mais belos filmes sobre amizade feminina da história. Nada mal para um ano que também legou ao cinema o espetacular "Thelma & Louise".

3 comentários:

DENILSON PEREIRAH disse...

Sugestão: acrescenta o Gadget para que a gente possa retuitar ou enviar seus post pra alguém ou em outros redes sociais. Adoro o blog. Abraços!

renatocinema disse...

Preciso entender porque nunca quis assistir a esse filme. Tantos falam bem, elogiam. Mas, nunca me chamou a atenção.

Anônimo disse...

Me surpreendeu!! Nossa, amei esse filme.