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A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO

A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO (The hand that rocks the cradle, 1992, Hollywood Pictures, 110min) Direção: Curtis Hanson. Roteiro: Amanda Silver. Fotografia: Robert Elswit. Montagem: John F. Link. Música: Graeme Revell. Figurino: Jennifer von Mayrhauser. Direção de arte/cenários: Edward Pisoni/Sandy Reynolds Wasco. Casting: Junie Lowry-Johnson. Produção executiva: Robert W. Cort, Ted Field, Rick Jaffa. Produção: David Madden. Elenco: Rebecca De Mornay, Annabella Sciorra, Matt McCoy, Ernie Hudson, Julianne Moore, Madeline Zima. Estreia: 10/01/92

No início dos anos 80, Tom Cruise revelou-se ao mundo dançando só de cuecas no filme "Negócio arriscado", uma comédia divertida onde ele contracenava com uma bela loura que parecia tão promissora quanto ele. O tempo passou, Cruise tornou-se um dos maiores astros de Hollywood e a loura desapareceu dentre as dezenas de promessas que surgem a cada ano. Em 1992, no entanto, ela voltou. Má, vingativa e cruel, a protagonista de "A mão que balança o berço" devolveu à bela Rebecca de Mornay a chance de brilhar - e por que não? - assustras plateias mundo afora.

Não que a obra de Curtis Hanson (que anos depois deixaria os cinéfilos de queixo caído com o sensacional "Los Angeles, cidade proibida") seja um filme para marcar a história do cinema, ou que a atuação de Rebecca seja digna de um Oscar (apesar de um prêmio da MTV americana como Melhor Vilã), mas os quase 90 milhões de dólares arrecadados somente nos EUA demonstraram sem sombra de dúvida a boa vontade do público de abraçar uma história que deixa de lado monstros mascarados e sangue aos borbotões para dar mais atenção à tensão psicológica que surge entre o bem e o mal, aqui divididos clara e maniqueistamente entre a dona de casa vivida por Annabella Sciorra e a insidiosa babá interpretada por De Mornay.



Sciorra vive Claire Bartel, uma mulher que divide seu tempo entre o trabalho e a família, formada por um marido apaixonado, uma filha encantadora e um bebê recém-nascido. É justamente para ajudá-la a cuidar de tudo isso que ela contrata a dedicada e angelical Peyton Flanders como babá de seu filho caçula. Aparentemente perfeita, aos poucos a nova funcionária começa a mostrar as garrinhas, tentando destruir a paz da casa, mesmo que tenha que prejudicar todas as pessoas que lhe pareçam ameaçadoras a seu objetivo. A razão para tamanho ódio? Ela é a viúva do ginecologista de Claire, que suicidou-se depois de ter sido acusado de abuso sexual pela própria. Após a morte do marido e a subseqüente perda do bebê que esperava, a loira tem certeza que vingar-se da família Bartel é a única coisa certa a fazer.

A partir daí é esperar a baixaria: Peyton dá em cima do marido de Claire, forja um relacionamento dele com a melhor amiga da esposa (uma Julianne Moore em início de carreira), amamenta o filho da inimiga e chega ao extremo de tentar mandar pra cadeia o empregado com problemas mentais contratado para serviços de jardinagem (o bom Ernie Hudson). A absoluta falta de remorso ou hesitação da protagonista é comparável a vilãs de novelas globais, que não permitem que ninguém ou nada atrapalhe seus objetivos - e o roteiro tampouco se preocupa em buscar profundidade em seus atos, tendo como finalidade absoluta levar a história a um clímax como manda qualquer curso para escritores de cinema. A escalada de maldades de Peyton é interpretada com visível gosto por Rebecca, que acaba sendo o destaque absoluto de um filme interessante mas que nunca ultrapassa as limitações do gênero a que pertence. Não deixa de ser um correto currículo para Hanson - que atingiria estágios extremamente superiores em seu ofício - e o destaque maior da carreira de De Mornay, que apesar do sucesso do filme não atingiu o patamar de estrela que prometia.

"A mão que balança o berço" é um suspense mediano, construído corretamente pelo talentoso diretor Cutis Hanson. Prende a atenção, mas não muda a vida de ninguém.

4 comentários:

renatocinema disse...

Adorei esse filme quando assisti. Meses atrás vi pela segunda vez e percebi que ainda gosto da produção.

Bela sacada. Não chega a ser espetacular. Mas, para um sábado a noite ou para fugir da televisão aberta, vale a pena.

Hugo disse...

Após o sucesso de "Atração Fatal" surgiu uma onda de suspenses com pessoas (muitas vezes mulheres) que parecem normais e se mostram psicopatas em seguida.

São vários filmes medianos como este, "Mulher Solteira, Procura", "Nunca Fale com Estranhos" e "Morando com o Perigo".

Aqui Rebecca de Mornay faz uma vilã gelada e assustadora.

Abraço

chuck large disse...

Só de ver o título do filme, já fico curioso ...

Elton Telles disse...

Ah, um clássico! Clássico meio trash =D
coisa do Cinema em Casa do SBT que passava filmes inapropriados para as crianças durante as tardes rs. Rebecca De Mornay rules!


abs, Clenio!

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