quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O AMOR NÃO TIRA FÉRIAS


O AMOR NÃO TIRA FÉRIAS (The holiday, 2006, Columbia Pictures/Universal Pictures, 138min) Direção e roteiro: Nancy Meyers. Fotografia: Dean Cundey. Montagem: Joe Hutsching. Música: Hans Zimmer. Figurino: Marlene Stewart. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Cindy Carr, David Smith. Produção executiva: Suzanne Farwell. Produção: Bruce A. Block, Nanvy Meyers. Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Edward Burns, Eli Wallach, Rufus Sewell. Estreia: 08/12/06

Talvez a maior qualidade dos filmes dirigidos por Nancy Meyers seja a facilidade com que seus roteiros conseguem soar realistas mesmo quando suas personagens passam por situações extremas ou surreais. Foi assim com "O que as mulheres gostam", estrelado por Mel Gibson e Helen Hunt. Foi assim com "Alguém tem que ceder", que deu a Diane Keaton uma indicação ao Oscar de melhor atriz. E é assim também com "O amor não tira férias", uma deliciosa comédia romântica que baixa a faixa etária dos habituais protagonistas de sua filmografia para falar sobre amor, decepções e solidão com bom humor e delicadeza. Fracasso injusto de bilheteria nos EUA, onde nem pagou seu orçamento bastante alto de 85 milhões de dólares, o filme de Meyers diverte e emociona na medida certa e só peca em estender-se demais (característica constante da filmografia da cineasta).

Divindo seu roteiro em dois continentes diferentes, Meyers conta duas histórias simultaneamente, sem perder o fio da meada em nenhuma das duas, principalmente porque conta com atores sensacionais como Kate Winslet e Jude Law para equilibrar a tendência para a canastrice de seus companheiros de cena, Cameron Diaz e Jack Black, que usam e abusam de caretas e das características que parte da crítica louvou levianamente em seus inícios de carreira. Diaz interpreta Amanda Woods, que trabalha em Hollywood criando trailers para filmes de sucesso. Revoltada com as traições do namorado Ethan (Edward Burns), ela rompe o relacionamento e, buscando uma viagem de férias do trabalho e de tudo à sua volta, encontra, em um site da Internet, a possibilidade de trocar de casa com a britânica Iris Simpkins (Kate Winslet com ótimo timing cômico), que mora em uma choupana no interior da Inglaterra. Arrasada com o iminente casamento do amor de sua vida - e chefe - Jasper Bloom (Rufus Sewell), ela vê na chance de mudar de país por uma temporada a saída para sua depressão. Enquanto Amanda fica chocada com a simplicidade da casa de Iris o contrário acontece quando a inglesa entra na mansão da americana e suas vidas irão se transformar sem que elas esperem: Amanda se apaixona pelo irmão de Iris, o charmoso Graham (Jude Law) e Iris se encanta com o compositor de trilhas sonoras Miles (Jack Black).


De forma leve e carinhosa, o roteiro de Meyers desenha suas personagens sem forçar situações, proporcionando a seus atores cenas com deliciosos diálogos, repletos de citações à cultura contemporânea, em especial em relação ao cinema (a ponta divertidíssima de Dustin Hoffman é um claro exemplo disso). Mesclando romance com uma interessante subtrama que envolve um veterano cineasta da antiga Hollywood vivido pelo grande Eli Wallach, a história das duas mulheres que precisam sair de suas zonas de conforto para encontrar a felicidade e um novo caminho para suas vidas encontra em Cameron Diaz e Kate Winslet as intérpretes ideais. Se Diaz não faz mais do que desfilar pelas cenas com um certo overacting, a bela Winslet demonstra que nem só de heroínas trágicas vive sua carreira, enriquecendo de nuances a personagem que lhe cabe e conseguindo inclusive deixar que Jack Black seja menos irritante do que na maioria de seus trabalhos anteriores. E Jude Law nem precisa fazer muito esforço para conquistar a plateia já em sua primeira cena como o tímido Graham.

Produzido com o capricho habitual das obras da diretora, "O amor não tira férias", apesar do título babaca é uma comédia romântica capaz de agradar a todos os fãs do gênero e ainda consegue ser inteligente, charmosa e nostálgica. Terno e sensível, é de deixar qualquer um com um sorriso estampado no rosto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Achei o filme longo demais...