segunda-feira

O GRANDE TRUQUE

O GRANDE TRUQUE (The prestige, 2006, Warner Bros/Touchstone Pictures, 130min) Direção: Christopher Nolan. Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan, romance de Christopher Priest. Fotografia: Wally Pfister. Montagem: Lee Smith. Música: David Julyan. Figurino: Joan Bergin. Direção de arte/cenários: Nathan Crowley/Julie Ochipinti. Produção executiva: Chris J. Ball, Valerie Dean, Charles J.D. Schlissel, William Tyler. Produção: Christopher Nolan, Aaron Ryder, Emma Thomas. Elenco: Hugh Jackman, Christian Bale, Scarlett Johansson, Michael Caine, Piper Perabo, Rebecca Hall, David Bowie, Andy Serkis. Estreia: 17/10/06

2 indicações ao Oscar: Fotografia, Direção de Arte/Cenários

Somente um cineasta do porte e da inteligência de Christopher Nolan conseguiria fazer de seu "filme de descanso" entre dois blockbusters - e no caso a expressão blockbuster assume proporções gigantescas, por se falar dos dois primeiros capítulos de sua reivenção do Homem-morcego - um trabalho tão interessante, empolgante e caprichado como "O grande truque". Carregando para o projeto sua equipe de confiança - que incluiu o fotógrafo Wally Pfister, o editor Lee Smith e o Batman em pessoa, Christian Bale, o diretor construiu um thriller de suspense elegante que fala muito mais ao cérebro do que aos músculos, comprovando seu imenso talento em criar pequenas obras-primas.

Baseado em um romance do escritor Christopher Priest - que optou por Nolan em detrimento de Sam Mendes por ser fã de seus "Amnésia" e "Insônia" - e roteirizado pelo próprio diretor e seu irmão Jonathan, "O grande truque" é daqueles filmes que exigem do espectador atenção absoluta, uma vez que brinca de maneira sagaz com as aparências e com pistas deixadas por toda a projeção. Como bom filme sobre mágicos - e em sua temporada surgiu também o pouco visto mas também interessante "O ilusionista", com Edward Norton, que dividiu com ele uma indicação ao Oscar de fotografia - o trabalho de Nolan utiliza a complexidade de sua trama para prender o espectador na poltrona desde seu arrebatador início até seu surpreendente (e coerente) final.


"O grande truque" conta, em sua essência, a história da rivalidade entre dois mágicos na Londres do século XIX, que começa com uma tragédia: o famoso Robert Angier (Hugh Jackman) perde a esposa durante um número e culpa seu então melhor amigo e assistente Alfred Borden (Christian Bale) pelo ocorrido. Sentindo-se injustiçado e ofendido por quem tinha em alto apreço, Borden inicia uma carreira paralela, sempre desejando obter mais sucesso do que seu agora rival. A disputa entre eles passa a atingir níveis extremos de suspense, até que uma nova mulher (Scarlett Johansson) surge entre eles, tornando o jogo ainda mais perigoso.

Quanto menos se souber a respeito da trama de "O grande truque" melhor a diversão. Christopher Nolan não tem medo de lançar pistas falsas e dicas verdadeiras durante a narrativa, sempre desafiando a lógica e a perspicácia da audiência com reviravoltas em número o suficiente para conquistar a todos. Dotado de um ritmo específico, sem pressa mas nunca monótono, o filme se beneficia também da palpável atmosfera criada pela fotografia de Wally Pfister e pela impecável reconstituição de época. Hugh Jackman - entrando no seleto grupo do diretor, que ainda conta com o habitual Michael Caine e o cantor David Bowie em uma participação especial como o cientista Nikola Testa - está soberbo como o quase arrogante Robert Angier, em uma atuação que o livra do estigma de uma personagem só (e no caso o icônico Wolverine) e mostra suas capacidades dramáticas e Christian Bale prova que tem tudo para ser um dos grandes atores britânicos de sua geração.

Excitante, esperto e sóbrio, "O grande truque" é um filme que merece ser visto e revisto, para que todos os seus elementos sejam devidamente degustados e apreciados. Filmaço!

2 comentários:

Guilherme Z. disse...

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Anônimo disse...

Mais uma vez Nolan pesa na plasticidade para esconder um filme fraco e irregular

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