terça-feira

O LABIRINTO DO FAUNO


O LABIRINTO DO FAUNO (El laberinto del fauno, 2006, Estudios Picasso, 118min) Direção e roteiro: Guillermo Del Toro. Fotografia: Guillermo Navarro. Montagem: Bernat Vilaplana. Música: Javier Navarette. Figurino: Lala Huete. Direção de arte/cenários: Eugenio Caballero/Pilar Revuelta. Produção executiva: Belén Atieza, Elena Manrique. Produção: Álvaro Augustín, Alfonso Cuarón, Guillermo del Toro, Bertha Navarro, Frida Torresblanco. Elenco: Ivana Baquero, Sergi Lopez, Maribel Verdú, Doug Jones, Ariadna Gil. Estreia: 27/05/06 (Festival de Cannes)

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme Estrangeiro, Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora Original, Direção de Arte/Cenários, Maquiagem
Vencedor de 3 Oscar: Fotografia, Direção de Arte/Cenários, Maquiagem

Poucos filmes conseguem ultrapassar a barreira da linguagem e conquistar os eleitores da Academia, sempre tão herméticos a produções estrangeiras - a ponto de existir uma categoria específica para abrigar aquelas obras que se destacam em seu país de origem mas encontram resistência no mercado norte-americano por causa do idioma. Quando acontece de uma produção deslumbrar os eleitores, porém - como ocorreu com "A vida é bela", "O tigre e o dragão" e "O fabuloso destino de Amelie Poulain", só para lembrar os mais recentes - a rendição é quase absoluta. Também foi o resultado da qualidade assombrosa de "O labirinto do fauno", a espetacular obra-prima do mexicano Guillermo del Toro. Indicado a seis Oscar - inclusive a de melhor filme estrangeiro, que surpreendentemente perdeu para o alemão "A vida dos outros" - e vencedor em 3 categorias, o filme de Del Toro utiliza-se magistralmente de poesia visual e um tom de fábula para contar uma história avassaladora sobre a perda da inocência.

Situada na Espanha de 1944 - ou seja, em pleno fascismo de Franco - a trama de "O labirinto de fauno" equilibra um tom de violência gráfica e realista com um subnível fantástico apropriado à imaginação fértil de sua protagonista, a introvertida Ofelia (Ivana Baquero). Órfã de pai, a menina é levada por sua mãe grávida para a propriedade de seu novo marido, o capitão do exército espanhol Vidal (Sergi López), localizada perto de montanhas, onde, correm rumores, esconde-se um grupo de rebeldes armados. Tentando acostumar-se com a nova rotina e com a tensão sempre presente no ambiente - e também com a forma seca e quase agressiva com que seu padrasto trata a todos à sua volta - Ofelia acaba, uma noite, sendo levada por uma espécie de fada até um misterioso fauno que afirma que ela é uma princesa que precisa cumprir três provas para provar sua identidade e assim assumir seu lugar no trono e reencontrar seu pai. Ofelia - sabendo que essa é sua única chance de escapar de uma vida que lhe faz infeliz - aceita o desafio do fauno. Enquanto isso, aperta o cerco aos rebeldes que estão circundando a propriedade de Vidal e uma batalha parece estar prestes a começar.


É admirável a forma com que o roteiro de Del Toro consegue manter a atenção do espectador tanto quando está com seu foco voltado para os perigos reais e imediatos da guerra quanto nos momentos lúdicos em que Ofelia trava sua própria batalha para cumprir sua missão e atingir seus objetivos. Mesmo que muitas vezes as duas linhas narrativas pareçam totalmente díspares elas se encontram de maneira orgânica, jamais subestimando a inteligência e o bom gosto do público. A sensibilidade com que o diretor trata Ofelia e seu mundo de fantasia contrasta chocantemente com a violência quase excessiva com que mostra a tortura física e psicológica perpetrada por Vidal a seus desafetos, a ponto de em alguns momentos ser tentador virar o rosto ou esconder os olhos para não testemunhar agressões realmente impactantes. E é lógico que, para esse efeito devastador a atuação irretocável de Sergi López contribui imensamente.

Mas, se a atuação de López é fenomenal, o equilíbrio entre drama e fantasia é admirável e a direção delicada de Guillermo Del Toro é sensacional já fazem de "O labirinto do fauno" um programa imperdível, seria injusto não louvar seu visual. Deslumbrante em certos momentos, claustrofóbicas em outros e apaixonante em todos, as imagens captadas pela fotografia de Guillermo Navarro nunca estão aquém de geniais, colaborando para o clima proposto pelo cineasta sem chamar, no entanto, atenção demasiada para si mesma. Não foi à toa que Navarro saiu com um Oscar nas mãos, assim como a direção de arte e a maquiagem, todos elementos cruciais para o resultado brilhante conquistado. Longe de ser um filme infantil como pode sugerir seu material promocional, "O labirinto do fauno" é uma obra-prima capaz de emocionar e encantar qualquer adulto com um mínimo de sensibilidade.

Um comentário:

K disse...

Achei que fosse um filme de fantasia infantil. Quando assisti me surpreendi. Achei um filme "forte".
Abraços
blogtvmovies.blogspot. Com.br

MUDANÇA DE HÁBITO

  MUDANÇA DE HÁBITO (Sister act, 1992, Touchstone Pictures, 100min) Direção: Emile Ardolino. Roteiro: Paul Rudnick (como Joseph Howard). F...