terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O LABIRINTO DO FAUNO


O LABIRINTO DO FAUNO (El laberinto del fauno, 2006, Estudios Picasso, 118min) Direção e roteiro: Guillermo Del Toro. Fotografia: Guillermo Navarro. Montagem: Bernat Vilaplana. Música: Javier Navarette. Figurino: Lala Huete. Direção de arte/cenários: Eugenio Caballero/Pilar Revuelta. Produção executiva: Belén Atieza, Elena Manrique. Produção: Álvaro Augustín, Alfonso Cuarón, Guillermo del Toro, Bertha Navarro, Frida Torresblanco. Elenco: Ivana Baquero, Sergi Lopez, Maribel Verdú, Doug Jones, Ariadna Gil. Estreia: 27/05/06 (Festival de Cannes)

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme Estrangeiro, Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora Original, Direção de Arte/Cenários, Maquiagem
Vencedor de 3 Oscar: Fotografia, Direção de Arte/Cenários, Maquiagem

Poucos filmes conseguem ultrapassar a barreira da linguagem e conquistar os eleitores da Academia, sempre tão herméticos a produções estrangeiras - a ponto de existir uma categoria específica para abrigar aquelas obras que se destacam em seu país de origem mas encontram resistência no mercado norte-americano por causa do idioma. Quando acontece de uma produção deslumbrar os eleitores, porém - como ocorreu com "A vida é bela", "O tigre e o dragão" e "O fabuloso destino de Amelie Poulain", só para lembrar os mais recentes - a rendição é quase absoluta. Também foi o resultado da qualidade assombrosa de "O labirinto do fauno", a espetacular obra-prima do mexicano Guillermo del Toro. Indicado a seis Oscar - inclusive a de melhor filme estrangeiro, que surpreendentemente perdeu para o alemão "A vida dos outros" - e vencedor em 3 categorias, o filme de Del Toro utiliza-se magistralmente de poesia visual e um tom de fábula para contar uma história avassaladora sobre a perda da inocência.

Situada na Espanha de 1944 - ou seja, em pleno fascismo de Franco - a trama de "O labirinto de fauno" equilibra um tom de violência gráfica e realista com um subnível fantástico apropriado à imaginação fértil de sua protagonista, a introvertida Ofelia (Ivana Baquero). Órfã de pai, a menina é levada por sua mãe grávida para a propriedade de seu novo marido, o capitão do exército espanhol Vidal (Sergi López), localizada perto de montanhas, onde, correm rumores, esconde-se um grupo de rebeldes armados. Tentando acostumar-se com a nova rotina e com a tensão sempre presente no ambiente - e também com a forma seca e quase agressiva com que seu padrasto trata a todos à sua volta - Ofelia acaba, uma noite, sendo levada por uma espécie de fada até um misterioso fauno que afirma que ela é uma princesa que precisa cumprir três provas para provar sua identidade e assim assumir seu lugar no trono e reencontrar seu pai. Ofelia - sabendo que essa é sua única chance de escapar de uma vida que lhe faz infeliz - aceita o desafio do fauno. Enquanto isso, aperta o cerco aos rebeldes que estão circundando a propriedade de Vidal e uma batalha parece estar prestes a começar.


É admirável a forma com que o roteiro de Del Toro consegue manter a atenção do espectador tanto quando está com seu foco voltado para os perigos reais e imediatos da guerra quanto nos momentos lúdicos em que Ofelia trava sua própria batalha para cumprir sua missão e atingir seus objetivos. Mesmo que muitas vezes as duas linhas narrativas pareçam totalmente díspares elas se encontram de maneira orgânica, jamais subestimando a inteligência e o bom gosto do público. A sensibilidade com que o diretor trata Ofelia e seu mundo de fantasia contrasta chocantemente com a violência quase excessiva com que mostra a tortura física e psicológica perpetrada por Vidal a seus desafetos, a ponto de em alguns momentos ser tentador virar o rosto ou esconder os olhos para não testemunhar agressões realmente impactantes. E é lógico que, para esse efeito devastador a atuação irretocável de Sergi López contribui imensamente.

Mas, se a atuação de López é fenomenal, o equilíbrio entre drama e fantasia é admirável e a direção delicada de Guillermo Del Toro é sensacional já fazem de "O labirinto do fauno" um programa imperdível, seria injusto não louvar seu visual. Deslumbrante em certos momentos, claustrofóbicas em outros e apaixonante em todos, as imagens captadas pela fotografia de Guillermo Navarro nunca estão aquém de geniais, colaborando para o clima proposto pelo cineasta sem chamar, no entanto, atenção demasiada para si mesma. Não foi à toa que Navarro saiu com um Oscar nas mãos, assim como a direção de arte e a maquiagem, todos elementos cruciais para o resultado brilhante conquistado. Longe de ser um filme infantil como pode sugerir seu material promocional, "O labirinto do fauno" é uma obra-prima capaz de emocionar e encantar qualquer adulto com um mínimo de sensibilidade.

Um comentário:

K disse...

Achei que fosse um filme de fantasia infantil. Quando assisti me surpreendi. Achei um filme "forte".
Abraços
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