quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O ULTIMATO BOURNE

O ULTIMATO BOURNE (The Bourne ultimatum, 2007, Universal Pictures, 115min) Direção: Paul Greengrass. Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns, George Nolfi. Fotografia: Oliver Wood. Montagem: Christopher Rouse. Música: John Powell. Figurino: Shay Cunliffe. Direção de arte/cenários: Peter Wenham/Tina Jones. Produção executiva: Doug Liman, Henry Morrison, Jeffrey M. Weiner. Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall, Paul L. Sandberg. Elenco: Matt Damon, Joan Allen, David Straithairn, Julia Stiles, Paddy Considine, Albert Finney, Scott Glenn, Daniel Bruhl. Estreia: 25/7/07

Vencedor de 3 Oscar: Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som

Caso raro dentro da indústria dos filmes de ação hollywoodianos, a trilogia Bourne, inspirada na série de livros do escritor Robert Ludlum conseguiu uma façanha e tanto: não apenas manteve o interesse do público por seus três filmes (interesse que inclusive aumentava a cada lançamento) como superou toda e qualquer expectativa em termos de qualidade narrativa e técnica. Um exemplo perfeito dessa afirmação é "O ultimato Bourne", seu capítulo final, que não apenas rendeu mais de 220 milhões de dólares nas bilheterias americanas como agradou em cheio à crítica, à audiência e até mesmo à Academia, que lhe ofereceu em troca 3 estatuetas do Oscar, que sublinharam suas qualidades técnicas impressionantes. Se os dois primeiros filmes já eram sensacionais, o terceiro é absolutamente impecável.

Dessa vez, o agente secreto Jason Bourne (interpretado a cada filme com mais intensidade por um Matt Damon que nunca esquece, mesmo em momentos de quebradeira, que é um ator sério e talentoso) é tirado de seu anonimato graças às investigações do repórter investigativo inglês Simon Ross (Paddy Considine), que tenta trazer à tona os segredos de uma operação secreta da CIA, o Projeto Blackbriar - que vem a ser um passo à frente da antiga missão de Bourne, a Operação Treadstone. A busca de Ross pela verdade coincide com uma falsa acusação de traição contra Bourne, que, na tentativa de provar sua inocência e descobrir a verdade sobre seu passado (que continua vindo em lembranças intermitentes), conta com a ajuda inesperada de Pam Landy (Joan Allen), diretora da agência, que deseja manter a integridade do órgão de segurança.


Equilibrando cenas de tensão constante - em especial uma perseguição de tirar o fôlego sobre telhados e a tentativa de Bourne em salvar a vida de Simon Ross em meio à multidão que frequenta as estações de Londres - com momentos dramáticos importantes para o desfecho da trilogia (como o encontro com o irmão de Marie (Franka Potente), "O ultimato Bourne" atinge sua excelência por atingir a perfeita mistura entre um roteiro inteligente, atuações seguras de um elenco de feras (Damon, Joan Allen, David Straithairn) e uma técnica invejável. A edição espetacular de Christopher Rouse - premiada com um Oscar justíssimo - não dá folga ao espectador, praticamente jogando-o no meio das eletrizantes sequências de luta, coreografadas de forma a impressionar a audiência sem precisar de efeitos especiais mirabolantes. Seu realismo é um ponto mais do que positivo, por destacar o tom seco e direto da direção de Paul Greengrass - que usa e abusa de câmeras na mão e de sua experiência em filmes de estilo semi-documental para criar uma atmosfera claustrofóbica e tensa mesmo em espaços vastos e planos abertos.

No final das contas, "O ultimato Bourne" encerra com chave de ouro uma série cinematográfica que devolveu ao público o prazer de acompanhar uma boa história recheada de cenas extraordinárias de ação sem que seja preciso abdicar do cérebro. E Jason Bourne, é, com toda certeza, um dos mais fascinantes personagens do cinema de ação vindo de Hollywood. Vai deixar saudades.

Um comentário:

Valdeci Poscai disse...

Realmente, Jason Bourne foi, e é, uma das melhores personagens criadas até hoje!