sábado, 24 de setembro de 2016

ECOS DO ALÉM

ECOS DO ALÉM (Stir of echoes, 1999, Artisan Entertainment, 99min) Direção: David Koepp. Roteiro: David Koepp, romance de Richard Matheson. Fotografia: Fred Murphy. Montagem: Jill Savitt. Música: James Newton Howard. Figurino: Leesa Evans. Direção de arte/cenários: Nelson Coates/David Krummel. Produção executiva: Michele Weisler. Produção: Judy Hofflund, Gavin Polone. Elenco: Kevin Bacon, Illeana Douglas, Kathryn Erbe, Zachary David Cope, Kevin Dunn. Estreia: 28/7/99

Em 1999, um filme estrelado por um astro dos anos 80 voltando a chamar a atenção da crítica e um menino com o poder de ver e falar com fantasmas chegou às telas de cinema para assustar às plateias e deixá-la grudada na poltrona. Não, não estamos falando de "O sexto sentido", que, com Bruce Willis à frente dos créditos e um roteiro pra lá de bem amarrado seduziu o público do mundo todo, transformando-se em um dos maiores sucessos de bilheteria da história, e sim de "Ecos do além", que, com trazendo alguns elementos semelhantes, teve o azar de estrear poucos meses depois, quando todos ainda estavam encantados e/ou assombrados pela trama de M. Night Shyamalan e mal perceberam suas qualidades. Baseado em um livro de Richard Matheson, autor de clássicos sobrenaturais com o romântico "Em algum lugar do passado", o filme de David Koepp - cuja estreia como diretor foi o subestimado "Efeito dominó", de 1996, não fez feio nas bilheterias, mas foi eclipsado sem pena pela obra do cineasta indiano. Merece, depois de mais de uma década, ser descoberto pela audiência.

Kevin Bacon - um ator de extrema competência, que sai-se bem tanto como herois quanto como vilões - interpreta o personagem principal, Tom Witzky, um músico frustrado que vive do emprego na companhia telefônica para manter a família, a esposa Maggie (Kathryn Erbe) e o filho pequeno, Jake (Zachary David Cope). Na mesma noite em que fica sabendo que será pai pela segunda vez - fato que o afunda ainda mais na mediocridade de um cotidiano que não o faz feliz - ele aceita ser hipnotizado pela cunhada, Lisa (Illeana Douglas), em uma festa da vizinhança. Sem lembranças do que aconteceu durante o período em que esteve desacordado, ele tenta seguir sua vida normal, mas começa a ser assombrado por visões de uma jovem fantasmagórica e flashes incompreensíveis de um crime cujos detalhes ele não consegue discernir. Ao mesmo tempo, seu filho também mantém contato com a garota, que ele descobre chamar-se Samantha Kozac (Jennifer Morrison) e ter desaparecido há algum tempo, antes mesmo de sua mudança para o bairro. Aos poucos, Tom vai perdendo o equilíbrio emocional, envolvendo toda a família em sua loucura.


Com um tom bastante diferente daquele mostrado em "O sexto sentido" - que equilibrava o suspense com toques emocionais sofisticados e sutis - "Ecos do além" mescla os sustos de um filme de fantasmas com uma trama policial consistente e verossímil, apesar de resvalar em um clímax desnecessariamente barulhento e lugar-comum, que substitui a tensão construída com cuidado até então por um desfecho quase preguiçoso. Sustentada por uma trilha sonora adequada de James Newton Howard - coincidentemente ou não também o autor da música do filme de Shyamalan - e um clima de angústia crescente proposto pela fotografia de Fred Murphy, que utiliza com precisão a luz noturna para sublinhar a escuridão cada vez mais profunda em que Tom vai penetrando, a trama de Matheson ganha contornos bem reais quando se percebe que, por trás de ectoplasmas misteriosos e hipnoses profundas, é a maldade humana quem está por trás de todo o drama. Esse pé fincado na realidade é a maior qualidade do filme, valorizado pela presença forte e contundente de Kevin Bacon.

Não fosse a presença de Bacon em seu papel central, "Ecos do além" estaria fadado a ser confundido com apenas mais um suspense feijão-com-arroz, daqueles que abarrotam as prateleiras das videolocadoras. Sua presença, porém, confere autenticidade e credibilidade ao filme, transformando-o em uma produção bem acima da média do gênero. Pode não ser um "O sexto sentido", mas quantos filmes o são??

Nenhum comentário: