quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A PONTE DE WATERLOO

A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge, 1940, MGM, 108min) Direção: Mervin LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau, George Froeschel, peça teatral de Robert E. Sherwood. Fotografia: Joseph Ruttenberg. Montagem: George Boemler. Música: Herbert Stothart. Figurino: Adrian, Gile Steele. Direção de arte/cenários: Cedric Gibbons/Edwin B. Willis. Produção: Sidney Franklin. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Lucile Watson, Virginia Field, Maria Ouspenskaya, C. Aubrey Smith. Estreia: 17/5/40

2 indicações ao Oscar: Fotografia em P&;B, Trilha Sonora Original

Quando o filme "A ponte de Waterloo" foi lançado nos EUA, em 1940, a Polônia já havia sido invadida pelos alemães, e a França estava começando a passar pelo mesmo drama. Chegando aos cinemas em pleno desenvolvimento do conflito, o filme de Mervin LeRoy, adaptado de uma peça teatral de Robert E. Sherwood acabou por ser uma das primeiras produções que citava a tragédia enquanto ela ainda acontecia diante dos olhos do mundo. Estrelado por Vivien Leigh em seguida a seu sucesso estrondoso em "... E o vento levou", o filme é um melodrama romântico dos mais assumidos, repleto de lágrimas, segredos e um final capaz de deixar os mais sensíveis com lágrimas nos olhos. Não é à toa que é, dentre seus trabalhos, um dos preferidos de Leigh - que queria seu futuro marido Laurence Olivier no papel principal - e o favorito absoluto do protagonista masculino, Robert Taylor. Juntos, eles formam um dos pares românticos mais impactantes de sua época.

Narrado em forma de flashback - quando o oficial britânico Roy Cronin (Robert Taylor, simpático e envolvente) relembra a história ao passar pela ponte do título, durante os primeiros dias da II Guerra - a trama começa justamente nos primórdios do primeiro conflito mundial, quando ele conhece e se apaixona perdidamente pela jovem aspirante a bailarina clássica Myra Lester (Vivien Leigh). O romance entre os dois é avassalador, porque ele está em vias de viajar para a França, e ela sofre com a rigidez do treinamento da veterana Madame Olga Kirinova (Maria Ouspenskaya). Seu desejo de casar-se antes da viagem acaba sendo frustrado por motivos diversos, mas o rapaz promete manter seu compromisso assim que retornar. Um mal-entendido, porém, faz a moça julgá-lo morto - e, a partir daí, longe da companhia de balé e ao lado da amiga Kitty (Virginia Field), entra em um caminho de necessidades que a obriga a tomar decisões que irão mudar definitivamente sua vida.




Dirigido com sobriedade por Mervin LeRoy - autor de alguns clássicos indiscutíveis, como o drama policial "O fugitivo" (32) e o musical "Cavadoras de ouro" (33) - "A ponte de Waterloo" não tem vergonha de abraçar seu lado melodramático, talvez seu maior trunfo. Amparada pela belíssima trilha sonora de Herbert Stothart (indicada ao Oscar, assim como a fotografia de Joseph Ruttenberg), a trágica história de amor entre Roy e Myra é contada sem maiores arroubos criativos, mantendo o interesse da plateia graças principalmente ao roteiro linear e dramático bem ao gosto do público médio de sua época e à química entre seus dois atores centrais. Seja nas sequências em que veem seu amor surgir - em meio a bailes e a explosões de bombas pelas ruas londrinas - seja nos momentos de maior dramaticidade depois de seu reencontro, Leigh e Taylor esbanjam carisma e talento, o que torna fácil a qualquer um torcer por seu final feliz mesmo quando é inevitável que o destino já esteja planejando das suas para impedí-lo.



"A ponte de Waterloo" é, no final das contas, um grande e eficiente melodrama, realizado à moda antiga por um cineasta de grande talento em saber como seduzir seu público utilizando-se de todos os meios à sua disposição. Nem mesmo o fato de Laurence Olivier ter sido preterido pela MGM no papel principal masculino - ele acabou indo fazer Mr. Darcy em uma versão de "Orgulho e preconceito", baseado em livro de Jane Austen - enfraquece o resultado final. Quando Roy e Myra estão dançando e se apaixonando sob o testemunho do público, fica bem claro que Hollywood é especialista em criar grandes e dolorosas histórias de amor.

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