terça-feira, 14 de abril de 2015

THOMAS CROWN - A ARTE DO CRIME

THOMAS CROWN, A ARTE DO CRIME (The Thomas Crown Affair, 1999, United Artists/MGM, 113min) Direção: John McTiernan. Roteiro: Leslie Dixon, Kurt Wimmer, estória de Alan R. Trustman. Fotografia: Tom Priestley. Montagem: John Wright. Música: Bill Conti. Figurino: Kate Harrington, Mark Zunino. Direção de arte/cenários: Bruno Rubeo/Leslie E. Rollins. Produção executiva: Michael Tadross. Produção: Pierce Brosnan, Beau St. Clair. Elenco: Pierce Brosnan, Rene Russo, Denis Leary, Ben Gazzarra, Frankie Faison, Fritz Weaver, Faye Dunaway. Estreia: 27/7/99

Em 1968, dois dos maiores astros da época, Steve McQueen e Faye Dunaway, protagonizaram "Crown, o magnífico", um policial romântico que se tornaria um clássico do estilo e referência para futuras produções que tentassem misturar dois gêneros aparentemente opostos. Mais de três décadas depois do lançamento do original, com sua eterna falta de criatividade, Hollywood resolveu revisitar a história da improvável história de amor entre um milionário entediado e a investigadora de uma companhia de seguros que está em seu encalço. Revestida com elegância e um erotismo, a nova versão - estrelada pelo então 007 Pierce Brosnan e pela bela Rene Russo - modificou detalhes da trama original e acabou agradando à crítica e ao público, ambos sedentos por filmes adultos que falassem mais ao cérebro do que aos músculos. Dirigido por John McTiernan - cujo currículo repleto de blockbusters explosivos incluia os primeiros "Duro de matar" e "Predador" - "Thomas Crown, a arte do crime" surpreende pela sutileza e pela inteligência em contar uma história policial sem recorrer a um único tiro.

Thomas Crown (Pierce Brosnan, também produtor do filme), é um milionário do setor de aquisições que, sentindo-se aborrecido com a pasmaceira de sua vida fácil, volta e meia envolve-se em complicados esquemas de falsificação das obras de arte que rouba (sem despertar a menor suspeita) até mesmo dos mais sofisticados e seguros museus do mundo. Sua tranquilidade é posta em xeque, porém, quando ele rouba um valiosíssimo Monet, em uma arriscada manobra realizada durante o horário de visitação às obras: disposta a recuperar o quadro e assim poupar milhões de dólares, a seguradora contratada pelo museu chama a competente e dedicada investigadora Catherine Banning (Rene Russo, linda e sexy) para descobrir seu paradeiro. Esperta e experiente, Banning logo passa a desconfiar do charmoso e prestativo Crown e, ignorando os conselhos do policial Michael McCann (Dennis Leary), se aproxima dele com o objetivo de desmascará-lo. Não é preciso muito tempo para que surja entre investigadora e investigado uma atração irresistível, que pode por tudo a perder.


Mantendo o tempo todo a dubiedade em relação aos verdadeiros sentimentos de seus protagonistas em relação um ao outro, o roteiro de "Thomas Crown, a arte do crime" prende a atenção do público em vários niveis: tanto funciona como um romance de alta voltagem erótica (as cenas de sexo, de extremo bom gosto, mostram o pela primeira vez nu o corpo escultural da bela Rene Russo) quanto como um policial bem engendrado, repleto de pistas espalhadas pelo caminho, à espera de serem unidas. O desfecho, um clímax bem armado e inteligente, não decepciona a ninguém, enfatizando a opção de McTiernan em contar uma história utilizando-se do cérebro como principal elemento. Depois de deslumbrar a audiência com tomadas de tirar o fôlego de paisagens deslumbrantes, mansões luxuosas e obras de arte fascinantes (além de momentos românticos pra ninguém botar defeito), ele encerra seu filme com uma sequência exemplarmente bem editada e empolgante, mostrando de uma vez por todas que a sutileza pode substituir sem perda a violência desnecessária. É impossível que o público termine a sessão sem que fique com a bela sensação de ter sido respeitado em sua inteligência, o que, convenhamos, é algo raríssimo em produções comerciais norte-americanas.

Contando ainda com a simpática participação especial de Faye Dunaway - que viveu a investigadora na primeira versão do filme - na pele da terapeuta do enfastiado milionário, "Thomas Crown, a arte do crime" é um entretenimento maduro, esperto, romântico e elegante, que nada contra a corrente do emburrecimento do cinema hollywoodiano. É, também, um dos poucos filmes de sua época a ter como protagonista um casal acima dos 30 anos de idade que não hesita em usar e abusar da sensualidade sem culpa. Palmas para ele!

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