sexta-feira, 18 de novembro de 2016

AMIGAS PARA SEMPRE

AMIGAS PARA SEMPRE (Beaches, 1988, Touchstone Pictures, 123min) Direção: Garry Marshall. Roteiro: Mary Agnes Donoghue, romance de Iris Rainer Dart. Fotografia: Dante Spinotti. Montagem: Richard Halsey. Música: Georges Delerue. Figurino: Robert De Mora. Direção de arte/cenários: Albert Brenner/Michael Bird, Garrett Lewis. Produção executiva: Teri Schwartz. Produção: Bonnie Bruckheimer-Martell, Bette Midler, Margaret Jennings South. Elenco: Bette Midler, Barbara Hershey, John Heard, Spalding Gray, Lainie Kazan, James Read. Estreia: 21/12/88

Indicado ao Oscar de Direção de Arte/Cenários

Indicada ao Oscar de melhor atriz logo em sua estreia nas telas, com o musical "A rosa" (79), biografia disfarçada de Janis Joplin dirigida por Mark Rydell, Bette Midler tornou-se, na segunda metade da década de 80, sinônimo de sucesso dentro da Touchstone Pictures. Protagonista de três êxitos incontestáveis na sequência - "Um vagabundo na alta roda" (86), "Por favor, matem minha mulher" (86) e "Cuidado com as gêmeas" (88) - ela conquistou as plateias com seu humor histriônico e frequentemente excessivo que deixava de lado seu talento dramático e seus dons musicais. Disposta a mudar esse cenário, ela encontrou no romance "Beaches", de Iris Rainer Dart, o material ideal para voltar a ser lembrada por seus dotes como intérprete séria. Assinando também como produtora, Midler escolheu uma companheira de cena acima de qualquer suspeita - Barbara Hershey, que acabara de ser vista nos cinemas como a Maria Madalena de Scorsese, em "A última tentação de Cristo" (88) - e um cineasta, Garry Marshall, que, apesar de não ter uma personalidade artística das mais marcantes, emplacaria um megasucesso dois anos depois, o romântico "Uma linda mulher" (90). De olho principalmente no público feminino, "Amigas para sempre" não repetiu o mesmo sucesso do filmes anteriores da estrela, mas para os menos exigentes funciona como um bom drama lacrimoso - e que sim, explora todos os seus talentos.

A história, como não poderia deixar de ser, é puro clichê: ainda crianças, em Atlantic City, a mimada e sofisticada Hillary Whitney e a rebelde com vocação artística CC Bloom se conhecem e se tornam amigas, apesar de suas diferenças sociais e de criação. Apesar de distantes fisicamente uma da outra, elas continuam mantendo uma assídua correspondência, até que finalmente, anos mais tarde, se reencontram quando CC (já vivida por Bette Midler) está iniciando uma bem-sucedida carreira nos palcos e Hillary (Barbara Hershey com excesso de botox) dedicando-se a trabalhar como advogada para causas sociais. Elas passam a morar juntas no apartamento decrépito de CC e é justamente seu empresário, John Pierce (John Heard), que irá detonar a primeira crise entre as amigas - que passarão as décadas seguintes em constante instabilidade emocional e profissional, brigando e fazendo as pazes enquanto passam por momentos cruciais de suas vidas. É somente depois que Hillary tem uma filha pequena, no entanto, que o maior problema surge em seu caminho: uma doença rara e incurável que irá por em xeque seu relacionamento.

Com um roteiro bastante superficial, que não explora a contento a profundidade dos sentimentos entre as protagonistas, que passam o filme basicamente brigando e se reconciliando, "Amigas para sempre" é nitidamente um veículo para o brilho de Bette Midler. É ela quem tem as melhores e mais importantes cenas, é ela quem tem a chance de equilibrar momentos dramáticos com sequências cômicas, e, para confirmar seu status de estrela maior, canta em diversos números musicais - alguns interessantes, outros bastante enfadonhos e que atrapalham o ritmo do filme, tornando-o desnecessariamente longo. Hershey, uma atriz de grande capacidade, fica relegada quase sempre a um segundo plano melancólico, sendo desperdiçada com uma personagem mal desenvolvida que serve, aparentemente, como escada para o espetáculo de Midler - que deita e rola mesmo quando sua personagem ultrapassa o limite do suportável, com um egocentrismo que só não a transforma em alguém totalmente desprezível graças ao carisma da atriz, que mesmo assim não agrada a todos. É preciso um mínimo de simpatia por ela para se gostar do filme.

Indicado ao Oscar de direção de arte, "Amigas para sempre" é uma sessão da tarde lacrimosa, mas agradável o suficiente para manter o interesse do público até seus minutos finais, embalados pela bela "Wind beneath my wings", cantada (obviamente) por Bette Midler. Com interessantes referências aos bastidores do mundo do teatro, do cinema e da música, é um filme capaz de emocionar aos mais sensíveis, mesmo que force a barra no terceiro ato, quando substitui a leveza de uma história sobre amizade pelo drama fácil de uma doença terminal. Pode levar às lágrimas, mas é longe de ser inesquecível - e pelo menos deu à Bette Midler a chance de sair um pouco das comédias escrachadas e provar a extensão de seu talento.

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