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DE VOLTA PARA O FUTURO - PARTE III

DE VOLTA PARA O FUTURO - PARTE III (Back to the future - Part III, 1990, Universal Pictures, 118min) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Bob Gale, estória e personagens de Robert Zemeckis, Bob Gale. Fotografia: Dean Cundey. Montagem: Harry Keramidas, Arthus Schmidt. Música: Alan Silvestri. Figurino: Joanna Johnston. Direção de arte/cenários: Rick Carter/Margie Stone McShirley, Jim Teegarden. Produção executiva: Kathleen Kennedy, Frank Marshall, Steven Spielberg. Produção: Neil Canton, Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Mary Steenburgen, Lea Thompson, Elisabeth Shue, Thomas F. Wilson, James Tolkan. Estreia: 25/5/90

Quando Robert Zemeckis e Bob Gale resolveram que o sucesso estrondoso de "De volta para o futuro" (85) merecia uma continuação, se depararam com uma situação atípica dentro da indústria hollywoodiana: ao invés de experimentarem um bloqueio criativo, eles foram brindados com uma profusão de ideias, que expandiam o universo de viagens no tempo a ponto de dar material não apenas para uma, mas duas sequências. Então, com o aval da Universal Pictures, entusiasmada com a centena de milhares de dólares arrecadados pelo primeiro filme, diretor e roteirista tomaram a decisão então inédita de rodar dois filmes simultaneamente, para que estreassem com o intervalo de um ano entre um e outro. Assim, a história do adolescente que precisava voltar trinta anos no passado para garantir que sua existência não fosse apagada acabava por se transformar em uma trilogia das mais amadas de sua época, repleta de personagens adoráveis, diálogos bem escritos e cenas que entraram para o inconsciente coletivo. Uma pena que seu encerramento, "De volta para o futuro - parte III" seja o menos empolgante da série, deixando no ar uma ligeira sensação de anti-clímax.

Depois de dedicar os dois primeiros filmes à família de Marty McFly (Michael J. Fox) - tanto em 1955 quanto em um 1985 alternativo - o roteiro do terceiro capítulo volta seus olhos para o outro protagonista da história, o cientista Emmett Brown (Christopher Lloyd, sempre ótimo), dessa vez remetendo os personagens para o Velho Oeste, mais precisamente para o ano de 1885, onde Brown está levando uma vida pacífica e tranquila, segundo uma carta escrita de próprio punho para ele mesmo, no futuro. A complicação começa, porém, quando ambos descobrem, em 1955, que apenas uma semana depois de ter escrito a carta, o cientista será assassinado por um conhecido criminoso local. Para impedir que tal tragédia ocorra, Marty convence o amigo a deixá-lo retornar no tempo mais uma vez. É assim que ele chega a uma Hill Valley em seus primórdios e, assumindo o pseudônimo de Clint Eastwood, conhece seus antepassados, Seamus (também Michael J. Fox) e Maggie McFly (Lea Thompson), o apavorante "Mad Dog" Tannen (Thomas F. Wilson) e a professora Clara Clayton (Mary Steenburgen), que, tão logo chega no local, desperta uma inesperada paixão no solitário Emmett Brown.


Como uma grande homenagem a um dos gêneros mais queridos de Hollywood, "De volta para o futuro - parte III" abarca uma infindável coleção dos maiores ícones do western. Do nome adotado por Marty quando chega à Hill Valley até o clímax em uma estrada de ferro, todos os elementos mais clássicos do faroeste desfilam pela tela, de forma mais ou menos explícita. Há o saloon onde se encontram os valentões e McFly dá de cara com Mad Dog pela primeira vez; há os bailes ao ar livre onde a comunidade confraterniza em momentos de paz; há os figurinos típicos, com direito a um extravagante conjunto vestido pelo protagonista ("Deve ter roubado de algum chinês morto!"); há ataques indígenas e, finalmente, há a moldura esplendorosa do Monument Valley, cenário arquetípico facilmente reconhecível até mesmo por aquela plateia que jamais ouviu falar em John Ford. Para aproximar-se de um público mais jovem e menos afeito à nostalgia, Zemeckis reveste todos esses ingredientes com um atraente senso de humor e aventura que disfarça sua real intenção: realizar um faroeste à moda antiga, mas com os recursos da (então) moderna tecnologia cinematográfica. Ao mesmo tempo em que brinca com os demais filmes da série - com cenas e situações que dialogam diretamente com os capítulos anteriores - o diretor injeta sangue novo à mitologia do enredo, mostrando a construção da torre do relógio (peça-chave nos três filmes), apresentando os pioneiros McFly nos EUA e o início da rivalidade entre a família do protagonista e os Tannen - que um século mais tarde ainda estará bem viva, como mostram as brigas entre George e Biff. Sem perder em momento algum o senso de humor e a coerência interna com o universo criado em 1985, o filme só não é perfeito por estender-se demais.

Com uma trama sem a quantidade de acontecimentos dos dois primeiros filmes - tão movimentados que chegavam a dar um nó na cabeça do espectador - e a história principal centrada no romance entre Brown e Clara Clayton, "De volta para o futuro - parte III" se ressente de uma edição mais enxuta, capaz de limar alguns excessos. O clímax do filme, por exemplo, em um trem à toda velocidade, mais cansa o público do que o encanta, e o desfecho da história, mesmo que necessário, estende-se mais do que deveria: não deixa nenhuma ponta solta, o que é admirável, mas demora a ponto do quase tédio. Por mais que o público goste de Marty McFly e Emmett Brown, sua despedida poderia ser bem mais ágil e divertida. É um final agradável, simpático e coerente, mas que não chega a estar à altura dos dois primeiros filmes, o que, de certa forma, era uma missão quase impossível.

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