domingo, 25 de abril de 2010

BONEQUINHA DE LUXO


BONEQUINHA DE LUXO (Breakfast at Tiffany's, 1961, Paramount Pictures, 115min). Direção: Blake Edwards. Roteiro: George Axelrod, baseado no romance de Truman Capote. Fotografia: Franz F. Planer. Montagem: Howard Smith. Música: Henry Mancini. Produção: Martin Jurow, Richard Sheperd. Elenco: Audrey Hepburn, George Peppard, Patricia Neal, Buddy Ebsen, Martin Balsam, Mickey Rooney. Estreia: 05/10/61

5 indicações ao Oscar: Atriz (Audrey Hepburn), Roteiro Adaptado, Direção de Arte em Cores, Trilha Sonora Original, Canção Original ("Moon river")
Vencedor de 2 Oscar: Trilha Sonora Original, Canção Original ("Moon river")


O filme que definiu para toda a eternidade o mito Audrey Hepburn é hoje uma comédia romântica simpática, charmosa e pasmem, ingênua. Muitos anos antes da prostituta sonhadora vivida por Julia Roberts em “Uma linda mulher”, a doce e melancólica party girl Holy Golightly interpretada por Hepburn e criada pelo escritor Truman Capote já havia conquistado o público apesar, ou talvez por isso mesmo, de sua profissão, a mais antiga do mundo (ainda que, para melhor combinar com a imagem pública de Hepburn, o flerte da personagem com a bissexualidade tenha sido completamente limada do roteiro final).

O livro de Capote, de tintas bem menos leves que as pintadas pelo roteirista George Axelrod, conta a história de uma garota de programa que conquista o amor do novo vizinho, um escritor sustentado pela amante casada. O filme, dirigido pelo mesmo Blake Edwards da série “A pantera cor-de-rosa”, deixa de lado os sentimentos pesados e trágicos da trama e se concentra no que ela tem de mais arejada, ou seja, nada de dramas de consciência: a palavra de ordem aqui é romantismo.

Logo na primeira cena somos seduzidos pela bela melodia de “Moon river”, música de Henry Mancini que ganhou o Oscar e virou marca registrada do filme: nesta cena a doce protagonista dá sentido ao título original da história, bebericando seu café da manhã em frente à vitrine da Tiffany’s, uma das mais famosas joalherias de Nova York (que permitiu filamgens em seu exterior em um domingo, dia da semana em que nunca é aberta ao público).Este glamour, perseguido pela personagem de Hepburn durante todo o filme (e fartamente ilustrado pelo figurino criado por Givenchy especialmente para a atriz) dá o tom exato da quase superficialidade que o filme pretende imprimir na memória de seus espectadores. Apesar disso, em alguns momentos, a alma dos protagonistas acaba exposta e salva a obra de Edwards da de sua aparente nulidade dramática. A protagonista, por exemplo, não é a feliz e despreocupada Holy Golightly desde que nasceu. Vinda do interior, onde se chamava Lula Mae e era casada com um homem muito mais velho, ela busca na futilidade e na falta de compromisso com o mundo ao seu redor uma forma de impermeabilizar a si mesma do sofrimento. Essa sua aparente ambição (apenas dinheiro lhe interessa), no entanto acaba começando a lhe afastar de Paul Varjak (George Peppard), seu vizinho de apartamento, que lhe lembra seu irmão querido e com quem ela consegue, por alguns momentos, dar um vislumbre de sua verdadeira alma. Os momentos em que Golightly sofre, paradoxalmente, são os momentos mais marcantes do filme e que causam a empatia do público com o romance entre os protagonistas.


Audrey Hepburn começou a filmar "Bonequinha de luxo" apenas três meses depois do nascimento de seu primeiro filho, Sean e assumiu a personagem que o próprio Truman Capote admitiu ter escrito pensando em Marilyn Monroe. Marilyn chegou a pensar em fazer o filme, mas foi desencorajada por seu mentor Lee Strasberg, que achava que o papel de uma prostituta mancharia sua imagem. Hepburn ficou com o papel, com o maior cachê pago a uma atriz na época (750 mil dólares) e de quebra levou uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Melhor é impossível!

Quanto a seu parceiro de cena, George Peppard, a coisa não foi assim tão simples. Adepto do Método do Actor's Studio, Peppard encontrou dificuldades em contracenar com Patricia Neal, que vivia sua amante e que chegou a declarar que trabalhar com ele era insuportável. Com Audrey, Peppard (que assumiu o papel depois que Steve McQueen declinou do projeto devido a outros compromissos) manteve uma amizade até o final da vida e, na tela, a química entre os dois é doce e verossímil.

Como comédia, “Bonequinha de luxo” consegue arrancar algumas risadas. Como drama, falta densidade e um pouco de complexidade. Mas é como romance que consegue ser inesquecível. Afinal, é impossível resistir a Audrey Hepburn e sua inacreditável Holy
Golightly.

2 comentários:

Alan Raspante disse...

Como eu amo "Bonequinha de Luxo". Simplesmente, amo, mesmo !
Foi nesse filme que Audrey Hepburn me conquistou e foi com ele que eu me interessei pelos clássicos. Assisto ele toda semana, e a cada vez descubro uma sensação nova !
Belo post ! xD

Lileeloo disse...

AUDREY - DIVA!!
AINDA PREFIRO O TÍTULO EM INGLÊS
"BREAKFAST AT TIFFANI´S"