quarta-feira, 19 de março de 2014

SIMPLESMENTE COMPLICADO


SIMPLESMENTE COMPLICADO (It's complicated, 2009, Universal Pictures, 120min) Direção e roteiro: Nancy Meyers. Fotografia: John Toll. Montagem: Joe Hutsching, David Moritz. Música: Hans Zimmer, Heitor Pereira. Figurino: Sonia Grande. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Beth Rubino. Produção executiva: Suzanne Farwell, Ilona Herzberg. Produção: Nancy Meyers, Scott Rudin. Elenco: Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski, Rita Wilson, Mary Kay Place, Zoe Kazan. Estreia: 10/12/09

É impressionante como Alec Baldwin conseguiu transformar o que parecia uma carreira acabada em uma bem-sucedida sucessão de prêmios, indicações e elogios da crítica e do público. Desde que foi indicado ao Oscar de coadjuvante por "The cooler", em 2004, o ex-marido de Kim Basinger colecionou Golden Globes e troféus afins graças a sua atuação na ótima série "30 Rock". Uma prova de sua boa fase? Ele rouba descaradamente a cena de Steve Martin em "Simplesmente complicado", de Nancy Meyers, e só não pega o filme e bota no bolso porque quem está a seu lado é Meryl Streep e ainda está pra estrear no cinema alguém que seja capaz disso.

Em "Simplesmente complicado", Baldwin e Streep vivem um ex-casal, divorciado há dez anos e pais de três jovens. Enquanto ele, Jake, seguiu sua vida, casando-se novamente, com uma mulher muitos anos mais nova e mãe de um pirralho insuportável de cinco anos, ela, Jane, tentou recomeçar como pode. Abriu uma confeitaria, tem boas amigas e finalmente está prestes a iniciar uma esperada reforma em sua casa, apesar de ter uma vida romântica e sexual nula. As coisas começam a mudar quando o arquiteto de sua reforma, o também divorciado Adam (Steve Martin) passa a dar sinais de que está interessado nela justamente quando seu ex-marido descobre, do nada, que ainda a ama. Sem saber exatamente o que fazer, Jane, que nutre por Jake sentimentos dúbios de amor e rancor, se entrega a um relacionamento ilícito e secreto com o pai de seus filhos.


Parece sério, e no fundo é. O roteiro de Nancy Meyers toca em assuntos sensíveis - divórcios doloridos, solidão, medo da velhice - mas o faz de maneira tão divertida que é difícil não abrir o coração e dar boas risadas. Assim como o fez divinamente em "Alguém tem que ceder", a diretora conta uma história de amor entre pessoas que fogem dos padrões de juventude e beleza impecável. As cenas de amor entre Meryl Streep e Alec Baldwin não são envoltas em fumaça, filtros de luz e lençóis esvoaçantes e sim, são instrumentos que ela utiliza para contar sua história e provocar gargalhadas saudáveis e legítimas - e não são apenas gargalhadas femininas, como normalmente acontece em filmes assim, "de mulherzinha". A química entre os protagonistas é impecável, o que relega Steve Martin a um surpreendente segundo plano - se bem que, sumido como estava, até foi uma boa oportunidade para ele voltar à ativa.

"Simplesmente complicado" rendeu mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias americanas, o que comprova que ainda existe gente que gosta de filmes que que falam a pessoas normais acima de 18 anos (pelo menos mentalmente acima de 18 anos). Seu sucesso é, também e acima de tudo, merecido. É uma comédia romântica, sim, e não se deve exigir dela muito mais do que ela pode oferecer, mas é inteligente, realmente engraçada - com alguns diálogos especialmente hilários - e interpretada por quem entende de verdade do negócio (o genro de Streep no filme é vivido por John Krasinski, da hilariante série "The office"). Comédia é coisa séria! E que bom que Meryl Streep consegue brindar seu fiel público cada vez mais com papéis luminosos ao lado de petardos como "Dúvida".

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