sexta-feira, 12 de junho de 2015

K-PAX - O CAMINHO DA LUZ

K-PAX, O CAMINHO DA LUZ (K-Pax, 2001, Intermedia Films/Lawrence Gordon Productions, 120min) Direção: Ian Softley. Roteiro: Charles Leavitt, romance de Gene Brewer. Fotografia: John Mathieson. Montagem: Craig McKay. Música: Edward Shearmur. Figurino: Louise Mingenbach. Direção de arte/cenários: John Beard/Cheryl Carasik. Produção executiva: Susan G. Pollock. Produção: Robert F. Colesberry, Lawrence Gordon, Lloyd Levin. Elenco: Kevin Spacey, Jeff Bridges, Mary McCormack, Alfre Woodard, Celia Weston. Estreia: 22/10/01

Em 1984, Jeff Bridges arrebatou uma indicação ao Oscar de melhor ator por seu desempenho em "Starman, o homem das estrelas", onde interpretava um alienígena que chegava à Terra e confundia cientistas e o coração da jovem Karen Allen. Quase vinte anos depois, Bridges mudou de lado: em "K-Pax, o caminho da luz", ele vive um médico psiquiátrico que se vê diante de um novo desafio na carreira quando um homem encontrado vagando pela estação central de trens de Nova York alega ser um extraterrestre cuja visita ao planeta está chegando ao fim. Dirigido pelo inglês Ian Softley - o mesmo de "Backbeat, os cinco rapazes de Liverpool", que contava os primórdios dos Beatles na Alemanha - o filme baseado no romance Gene Brewer é uma mistura bem equilibrada entre drama e ficção científica que conquista o público tanto pela história intrigante quanto pelo duelo de atuações entre Bridges e Kevin Spacey - mais uma vez brilhante na pele do misterioso Prot.

De posse de um inseparável par de óculos escuros, Prot é encontrado perdido e transferido para o Instituto Psiquiátrico de Manhattan, onde acaba por cair nas mãos do competente Mark Powell (Bridges), um médico dedicado à profissão e à família - ainda que não tenha a melhor das relações com o filho universitário, a quem não vê há algum tempo. Alegando ser um habitante de um planeta chamado K-Pax, Prot é posto à prova por uma equipe de astrofísicos que ficam abismados com seu conhecimento a respeito das inúmeras e complicadas questões levantadas por eles. Tranquilo e sereno, Prot afirma viajar entre os planetas através de raios de luz e que tem data específica para voltar para casa - e, mais preocupante ainda, insiste que pode levar consigo um dos pacientes da clínica, o que acaba por gerar uma crise entre eles, todos querendo abandonar a Terra em direção a um lugar menos sofrido. Sem acreditar nas histórias contadas por Prot, o médico resolve hipnotizá-lo e, a partir daí, inicia uma investigação detalhada para tentar descobrir os motivos que podem ser os responsáveis por seu bizarro comportamento.


Sem pressa de contar sua história e estabelecendo com calma as relações entre seus personagens, Softley conduz o espectador com cuidado pelos corredores do hospital psiquiátrico, pela casa de Powell e pela mente complexa de Prot sem perder-se nos meandros do roteiro inteligente de Charles Leavitt, que privilegia o drama em detrimento das implicações científicas da trama. Mantendo a dúvida sobre a real identidade de Prot até os segundos finais - e mesmo assim dando margem a diferentes interpretações - o roteiro brinda a plateia com diálogos sensíveis, que questionam os conceitos de família, normalidade, felicidade e interrelações sem soar didático ou condescendente. A escalação certeira de Jeff Bridges e Kevin Spacey - dois dos maiores atores americanos de sua geração - ajuda muito em transformar uma premissa que poderia parecer inverossímil em um instigante quebra-cabeças capaz até mesmo de emocionar aos mais sensíveis.

Mesmo sem ser um filme inesquecível - nos EUA passou praticamente em branco nas bilheterias, mal conseguindo pagar seu custo - e sendo muitas vezes ignorado quando se fala nas carreiras de Bridges e Spacey (ambos vencedores do Oscar e respeitadíssimos em todo o planeta), "K-Pax, o caminho da luz" é um trabalho sensível que borra com inteligência as fronteiras entre o drama e a ficção científica sem ofender a nenhum dos gêneros e seduz a audiência sem apelar para efeitos visuais mirabolantes ou violência gratuita. É simples, é honesto e é uma experiência gratificante. Merecia melhor sorte!

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