segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CUIDADO COM AS GÊMEAS

CUIDADO COM AS GÊMEAS (Big business, 1988, Touchstone Pictures, 97min) Direção: Jim Abrahams. Roteiro: Dori Pierson, Marc Rubel. Fotografia: Dean Cundey. Montagem: Harry Keramidas. Música: Lee Holdridge. Figurino: Michael Kaplan. Direção de arte/cenários: William Sandell/Richard C. Goddard. Produção: Michael Peyser, Steve Tisch. Elenco: Bette Midler, Lily Tomlin, Fred Ward, Edward Herrmann, Michele Placido, Daniel Gerroll, Barry Primus, Michael Gross, Seth Green. Estreia: 10/6/88

Uma das maiores estrelas da Touchstone (braço adulto da Disney) nos anos 80 era Bette Midler. Com o sucesso de seus filmes "Um vagabundo na alta-roda" (86), "Por favor, matem minha mulher" (86) e "Que sorte danada..." (87), a atriz/cantora que havia sido indicada ao Oscar já em sua estreia nos cinemas, na representação ficcional de uma estrela do rock calcada em Janis Joplin em "A rosa" (79), era garantia de polpudas bilheterias para o estúdio do Mickey. Por isso, não foi nenhuma surpresa quando ela assumiu o papel principal de "Cuidado com as gêmeas", pensado originalmente para Barbra Streisand. Sob a direção de Jim Abrahams - parte integrante do trio de cineastas que anarquizou a comédia americana dos anos 80 com seus filmes amalucados ao estilo "Apertem os cintos, o piloto sumiu" (80) - e com um roteiro baseado na estrutura shakespereana de "Comédia de erros", o filme comprovou a popularidade de Midler como uma atriz versátil e carismática, em um papel duplo que ela divide com generosidade e categoria com sua parceira de cena, a ótima Lily Tomlin - retornando à cena quatro anos depois de sua bem-sucedida parceria com Steve Martin em "Um espírito baixou em mim" (84).

O estilo de humor escrachado de Midler se encaixa com perfeição à quase fleumática Tomlin, o que torna as situações previstas no roteiro bem-amarrado ainda mais divertidas e surreais, principalmente quando dirigidas pela mente insana de Abrahams, que já havia trabalhado com Midler em "Por favor, matem minha mulher". É ele quem orquestra uma odisseia de mal-entendidos, confusões visuais e verbais e o show das duas atrizes, que parecem se divertir tanto quanto o espectador, em papéis que fazem uso de seus inúmeros talentos de forma orgânica e inteligente. Se Midler acaba se sobressaindo é justamente porque o humor do diretor acaba sendo mais próximo do seu, chegando ao quase exagero, mas Tomlin (que também é respeitada como atriz séria, tendo sido indicada ao Oscar de coadjuvante por "Nashville", de 1975) não perde a oportunidade de ter seus momentos de brilho, especialmente quando assume a persona atrapalhada e avoada de sua Rose milionária.


A trama é puro nonsense, e começa no dia do nascimento das protagonistas, em uma pequena cidade do interior chamada Jupiter Hollow, onde por acaso estão passando os Shelton, um casal de milionários em vias de ter seu primeiro herdeiro. Sem conseguir adiar o parto, a arrogante sra. Shelton acaba dando à luz a suas duas filhas, Sadie e Rose, no simples hospital local que eles acabam comprando, onde os tímidos e humildes Ratliff também estão vendo suas filhas nascerem - e serem batizadas, por obra não do destino, mas do próprio pai, encantado com os nomes das meninas ricas, também como Sadie e Rose. Tudo seria apenas uma questão quase normal, caso a idosa e míope enfermeira do hospital não trocasse os bebês. Quarenta anos mais tarde, a implacável empresária Sadie Shelton (Midler), que mora em Nova York, pretende livrar-se das propriedades adquiridas pelos pais no interior do país, que só lhe dão prejuízo e dor de cabeça - apesar das dúvidas de sua irmã, Rosie (Tomlin), uma mulher afável e delicada que não tem a mesma visão comercial agressiva da irmã. As ameaças de Sadie em desfazer-se das empresas em Jupiter Hollow não agradam nem um pouco à Rose pobre (novamente Tomlin), que pretende encarar a diretoria das empresas em Nova York - e meio que fugir de seu insistente namorado Roone (Fred Ward) - e levar junto sua deslumbrada e fútil irmã, Sadie (Midler, dessa vez com registro mais cafona). Não é preciso dizer que as quatro se hospedam no mesmo hotel - o Plaza - e causam uma série interminável de confusões entre os empregados, os empresários que precisam decidir o futuro da companhia das Shelton e até mesmo entre elas próprias.

"Cuidado com as gêmeas" é uma comédia quase histérica, repleta de situações engraçadíssimas, aproveitadas com gosto por suas protagonistas e seu elenco coadjuvante, que mesmo numeroso, rende com precisão sob o comando firme de Jim Abrahams. A cena em que os dois pares de irmãs se encontram pela primeira vez em um banheiro, por exemplo, é uma prova inconteste do timing cômico extraordinário de suas atrizes, que imprimem a cada personagem uma personalidade própria, independente das semelhanças e diferenças que possam vir a ter com suas respectivas familiares. Não importa o tipo de humor do espectador, há muito do que rir no filme de Abrahms. A não ser que não se tenha nenhum tipo de humor.

Um comentário:

Pâmela Olimpio disse...

Onde eu consigo o filme?