quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

GUERRA MUNDIAL Z



GUERRA MUNDIAL Z (World War Z, 2013, Paramount Pictures, 116min) Direção: Marc Forster. Roteiro: Matthew Michael Canahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, adaptação de Matthew Michael Canahan, J. Michael Straczynski, romance de Max Brooks. Fotografia: Ben Seresin. Montagem: Roger Barton, Matt Cheese. Música: Marco Beltrami. Figurino: Mayes C. Rubino. Direção de arte/cenários: Ben Collins, James Foster/Jennifer Williams. Produção executiva: David Ellison, Marc Forster, Dana Goldberg, Tim Headington, Paul Schwake, Brad Simpson. Produção: Ian Bryce, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Brad Pitt. Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, David Morse, James Badge Dale, Daniella Kertesz, Ludi Boeken, Pierfrancesco Favino, Moritz Bleibtreu. Estreia: 02/6/13

Em uma época em que zumbis viraram mainstream - graças ao sucesso da série de TV "The walking dead" - não é de se admirar que até mesmo Brad Pitt - um dos atores mais confiáveis de Hollywood, incapaz de entrar em um projeto no qual não acredite - tenha aderido à tendência. A boa notícia é que "Guerra Mundial Z", um dos filmes mais caros da história do cinema - ao custo estimado de 400 milhões de dólares - e, segundo consta, com uma história de bastidores das mais complicadas, é um filmaço, capaz de deixar o espectador tenso e grudado na poltrona do início ao fim da projeção. Comandada com surpreendente segurança por Marc Forster - acostumado a produções menos ambiciosas e mais intimistas, como "A última ceia" e "Em busca da Terra do Nunca", mas que teve a experiência de dirigir um filme de James Bond em "007 - Quantum of Solace" - a adaptação bastante livre do livro de Max Brooks (filho de Mel) é capaz de agradar até mesmo àqueles que não são fãs do gênero, graças a um roteiro bem equilibrado, cenas de ação impressionantes e um elenco bem escalado.

O herói do filme - logicamente interpretado pelo sr. Angelina Jolie - é Gerry Lane, agente aposentado da ONU que é chamado às pressas para ajudar a organização quando um vírus desconhecido começa a atacar a população do mundo inteiro. Sem saber as origens ou as características específicas do vírus - que transforma imediatamente os infectados em zumbis ágeis e vorazes - o alto escalão da agência insiste para que Gerry os auxilie em sua busca por maiores informações que possam resultar em uma cura ou vacina para a pandemia. Para manter a família em segurança, ele aceita a missão, que o leva à Coreia do Sul, à Israel e à Moscou - sempre testemunhando sanguinolentas batalhas entre os humanos e os mortos-vivos.


Violento - mas não a ponto de impedir que o público juvenil lote as salas de exibição e garantam sua continuação - e capaz de momentos mais tranquilos - que tentam explicar a situação caótica do mundo em tempos de contaminação - "Guerra Mundial Z" é um filme raro, que sustenta sua ação não apenas em sequências aterrorizantes (e elas realmente o são) mas também em caprichadas cenas dramáticas, que dão o tom de urgência e suspense necessário para seu desenvolvimento. A estrutura do roteiro - que joga Gerry sempre no meio do furacão, lutando por sua vida enquanto tenta encontrar uma saída para a grave crise mundial - segue os livros policiais clássicos, sempre empurrando seu protagonista em direção à verdade através de coadjuvantes bastante interessantes (como o jovem médico que dá a primeira pista a respeito do vírus ou os líderes políticos que podem ou não saber mais do que aparentam). Esses personagens secundários são tão cruciais à trama quanto Gerry, e Forster, como bom diretor de atores, tira o melhor deles, sem deixar de preocupar-se com o que realmente é o ponto forte de seu filme: as impressionantes cenas dos ataques dos zumbis.

Desde a primeira sequência - que começa com um caminhão desgovernado destruindo o que vê pela frente em plena Filadélfia - até o tenso ato final em um laboratório (que deixa qualquer "Resident evil" com vergonha de ter sido feito), "Guerra mundial Z" não poupa os nervos do espectador, praticamente jogando-o dentro da estória - especialmente quando assistido em uma sala com tecnologia IMAX. A fotografia de Ben Seresin e a edição quase histérica são componentes essenciais para que a concepção de Forster atinja seus objetivos: em alguns momentos fica quase impossível saber o que está acontecendo em cena, devido à velocidade da câmera, exatamente como ocorre com as personagens, que só vão realmente ter noção da desgraça quando talvez já seja tarde demais. E se normalmente os zumbis da ficção são morosos e dormentes, aqui a coisa é bem diferente: basta piscar o olho para perder o ataque dos vilões, que apavoram os habitantes das cidades justamente por sua velocidade estonteante.

Visto na tela grande, "Guerra mundial Z" parece exatamente o que é: um filme extremamente caro e complicado. Cada centavo gasto na produção está visível ao público, em momentos intensos que mostram os ataques zumbis e no cuidado com a direção e a técnica. Diferentemente do que acontece com a maioria dos blockbusters, que gasta centenas de milhões em filmes onde não se percebe os motivos para tal, é um produto caprichado, forte e por que não?, inteligente. Pode não o gênero preferido de todo mundo, mas jamais será uma perda de tempo.

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