quarta-feira, 16 de junho de 2010

APERTEM OS CINTOS... O PILOTO SUMIU


APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU... (Airplane, 1980, Paramount Pictures, 88 min) Direção e roteiro: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker. Fotografia: Joseph Biroc. Montagem: Patrick Kennedy. Música: Elmer Bernstein. Figurino: Rosanna Norton. Direção de arte/cenários: Ward Preston/Anne D. McCulley. Casting: Joel Thurm. Produção executiva: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker. Produção: Jon Davidson, Howard W. Koch. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Lloyd Bridges, Robert Stack, Peter Grave, Kareem Abdul-Jabbar. Estreia: 02/7/80

Se hoje existem filmes como a série "Todo mundo em pânico" isso se deve - pro bem ou pro mal - graças a um trio de diretores que, no início dos anos 80 quebrou todas as regras pré-estabelecidas de como se fazer uma comédia. Ao contrário do humor sofisticado de Woody Allen, por exemplo, as piadas de quase mau-gosto de "Apertem os cintos, o piloto sumiu" abriram a porta para uma nova estética no gênero. E nem mesmo os mais exigentes podem negar que, deixando de lado exigências intelectuais, o filme de Jerry Zucker, John Abrahams e David Zucker (mais conhecidos como o trio ZAZ) é um dos mais engraçados produtos hollywoodianos de sua época ou de qualquer outra.

Inspirado nos inúmeros filmes-desastre lançados no final da década de 70, "Apertem os cintos..." utiliza um roteiro do escritor Arthur Hailey como base para a destruição sistemática de todos e quaisquer clichês que abundam no gênero. Tudo começa quando o jovem Ted Striker (Robert Hays em um papel em que até David Letterman foi testado) embarca em um avião com o objetivo de discutir a relação com a ex-namorada Elaine (Julie Hagerty), comissária de bordo. Traumatizado com sua experiência na guerra, ele se vê obrigado a assumir a pilotagem do avião quando a tripulação fica seriamente doente.


Com esse fiapo de história, o trio de diretores mais insano que se tem notícia usa e abusa do nonsense, das piadas de duplo-sentido e das mais bobas e absurdas piadas. Ao contar com atores até então considerados dramáticos, como Lloyd Bridges, Leslie Nielsen e Robert Stack (que até indicado ao Oscar havia sido nos anos 50), os cineastas construiram um clima sério para então demolí-lo sem dó nem piedade. Tudo que se vê nas tragédias cinematográficas está retratado em "Apertem os cintos...", mas da maneira menos convencional possível: a menina que precisa de um transplante de coração, a família certinha, os oficiais rancorosos, o médico prestativo... Nas mãos dos roteiristas, tudo vira motivo de piada, sem importar-se com o politicamente correto (o comandante, por exemplo, dá claros sinais de pedofilia). Na pele do protagonista Ted Striker, Hays tem a cara apatetada necessária para conviver com os absurdos que acontecem à sua volta sem perceber que está em uma comédia (mais ou menos como aconteceria com Leslie Nielsen na trilogia "Corra que a polícia vem aí", alguns anos depois). Sua química com Julie Hagerty é, certamente, um dos motivos do sucesso do filme, que gerou uma continuação inferior mas ainda assim com bons momentos.

"Apertem os cintos, o piloto sumiu" é o tipo de filme que precisa ser visto várias vezes. Não que tenha complexidades psicológicas que demandem atenção redobrada, mas apresenta tanta besteira junto que é difícil captá-las em uma única sessão. E além do mais, é diversão garantida para uma tarde modorrenta de quarta-feira.

Um comentário:

! Marcelo Cândido ! disse...

Tbm considero esse um clássico
!!!