quinta-feira, 17 de junho de 2010

A LAGOA AZUL


A LAGOA AZUL (The blue lagoon, 1980, Columbia Pictures, 104min) Direção e produção: Randal Kleiser. Roteiro: Douglas Day Stewart, romance de Henry De Vere Stacpoole. Fotografia: Nestor Almendros. Montagem: Robert Gordon. Música: Basil Poledouris. Figurino: Jean-Pierre Dorléac. Direção de arte: Jon Dowding. Casting: Vic Ramos. Elenco: Brooke Shields, Christopher Atkins, Leo McKern. Estreia: 05/7/80

Indicado ao Oscar de Fotografia


Existem filmes que, a despeito de seus óbvios defeitos, conquistam uma espécie de lugar de honra no coração do espectador por motivos os mais diversos. E certamente não é por suas qualidades artísticas (ou a falta delas) que "A lagoa azul" sobrevive firme e forte na memória do público. Baseado em um romance pouco famoso de Henry De Vere Stacpoole (ele mesmo um ilustre desconhecido), o filme de Randal Kleiser (de "Grease") é uma história sobre amor, inocência e amizade repleta de clichês e inverossimilhanças, mas que conquista por sua extrema ingenuidade e fotogenia. Pode até não ter conteúdo, mas é muito bonito de se ver.

Durante uma viagem de navio em direção a San Francisco, um naufrágio acontece, obrigando duas crianças e um velho marinheiro a atracarem em uma paradisíaca ilha deserta. Depois que o homem mais velho morre ao tentar desbravar o outro lado da ilha, o pequeno casal se vê obrigado a aprender a sobreviver sozinho. Pescando, caçando e construindo suas próprias moradas, logo eles passam a considerar-se em casa. Anos depois, ao atingir a adolescência, no entanto, as coisas começam a mudar. Percebendo as alterações em seus corpos, o jovem Richard (Christopher Atkins) e a bela Emmeline (Brooke Shields) passam a sentir-se atraídos um pelo outro, mesmo que não tenham a menor noção de como agir. Guiados apenas por seus instintos, eles iniciam uma terna história de amor.


Logo que começou a produção de "A lagoa azul" Kleiser tinha a intenção de fazer o filme todo com seus atores nus. Sua decisão foi mudada quando, devido a essa exigência, duas atrizes quase contratadas - Diane Lane e Jennifer Jason Leigh - pularam fora. A partir daí, até que Brooke Shields (no auge da beleza juvenil e vindo da polêmica de "Pretty baby", de Louis Malle) assinasse para viver a doce e bela Emmeline praticamente toda e qualquer atriz da idade apropriada foi testada e/ou convidada para o papel. Exagero? Segue a lista para provar a afirmação: Kelly Preston, Linda Blair, Tatum O'Neal, Jodie Foster, Kim Basinger, Ellen Barkin, Jamie Lee Curtis, Bridget Fonda, Melanie Griffith, Anjelica Huston (!!!), Mariel Hemingway, Sarah Jessica Parker (Carrie Bradshaw em pessoa), Michelle Pfeiffer, Sean Young, Daryl Hannah, Rosanna Arquette, Carrie Fisher, Debra Winger, Kathleen Turner, Isabelle Adjani e Amy Irving. A julgar pela variedade de tipos físicos, idades e personalidades das atrizes consideradas é de se admirar que houvesse um roteiro escrito antes das filmagens começarem.

Roteiro, aliás, é quase luxo no filme de Kleiser. Não há complexidade psicológica em suas personagens, nem momentos dramáticos de maior substância. O romance entre os protagonistas (e quase únicas personagens), ao invés de ser um estudo sobre o dominio dos instintos sobre a razão, é apenas uma história de amor bobinha entre um rapaz de belo corpo e uma moça linda mas um tanto insossa. Fica difícil imaginar como seria o resultado final se Sean Penn tivesse ficado com o papel central masculino. Apesar de menos atraente que Christopher Atkins, Penn tem um talento e uma personalidade que provavelmente elevariam o filme a alguns patamares acima do corriqueiro. Mas aí já é elocubrar em cima de possibilidades, assim como o seria tentar visualizar Richard Gere, Sylvester Stallone ou John Belushi vestidos de tanguinha em um cenário paradisíaco.

Filmado nas Ilhas Fiji, "A lagoa azul" conta com uma fotografia caprichada de Nestor Almendros, merecidamente indicada ao Oscar e que deslumbra qualquer espectador. É bem possivel que seja a maior qualidade artística do filme, que normalmente se perde em suas intenções de emocionar. Não é à toa que, mesmo falando sobre sexo (ainda que de forma sensível e delicada) formou uma geração inteira que o assistiu nas constantes reprises vespertinas na televisão. O casal formado por Christopher Atkins e Brooke Shields será sempre lembrado por seu público, mesmo que seu trabalho esteja muito aquém do que pode ser considerado bom cinema.

Um comentário:

Alan Raspante disse...

E como eu vi esse filme na 'Sessão da Tarde' é mesmo um clássico!
UAHSUHAHSUA'