sábado, 19 de junho de 2010

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO


EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (Somewhere in time, 1980, Universal Pictures, 103min) Direção: Jeannot Szwarc. Roteiro: Richard Matheson, romance "Bid time return", de sua autoria. Fotografia: Isidore Mankofsky. Montagem: Jeff Gourson. Música: John Barry. Figurino: Jean-Pierre Dorleac. Direção de arte/cenários: Seymour Klate/Mary Ann Biddle. Casting: Jennifer Shull. Produção: Stephen Deutsch. Elenco: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer, Teresa Wright, Bill Erwin, Susan French, William H. Macy. Estreia: 03/10/80

Indicado ao Oscar de Figurino

Tentando provar que não era ator de um personagem só – e no caso um personagem marcante como o Superman – Christopher Reeve embarcou em "Em algum lugar do passado", um projeto romântico baseado em um livro de Richard Matheson, mais conhecido como autor de livros de ficção científica como o best-seller “Eu sou a lenda”. Talvez devido a seu carisma e à atmosfera emotiva do filme, Reeve se deu bem. “Em algum lugar do passado” não foi um grande sucesso de bilheteria, mas emocionou - e continua a emocionar - milhares de pessoas pelo mundo, depois de descoberto com o advento do vídeo-cassete.

A história começa em 1972 quando o dramaturgo Richard Collier (vivido com sensibilidade por um Reeve frágil e passional), começando a colher os louros de seu talento, recebe a visita misteriosa de uma senhora de idade que lhe presenteia com um relógio de bolso e pronuncia a inesperada frase: “Volte pra mim”. Oito anos depois, Collier, em crise de criatividade e saindo de um relacionamento, resolve dar um tempo do agito de sua vida profissional e se hospeda em um hotel antigo e tradicional que, no passado, teve até mesmo um teatro, onde se apresentou, em 1912, a lendária Elise McKenna (a bela Jane Seymour). Encantado com a fotografia da atriz, Collier começa a investigar a vida e a carreira de McKenna e reconhece em uma foto da atriz pouco antes da sua morte como a senhora que lhe deu o relógio. Intrigado com a possibilidade de viagens no tempo defendidas por um antigo professor, Collier faz uma regressão ao passado com a intenção de encontrá-la. Uma vez no passado, os dois se apaixonam, mas têm que enfrentar a possessividade do empresário de McKenna, o autoritário William Robinson (Christopher Plummer) e o fato de que estão separados por quase um século.


A atmosfera criada pela fotografia delicada e a trilha sonora comovente é o maior trunfo de "Em algum lugar do passado". Mesmo que trilhe caminhos difíceis em seu roteiro (que beira a inverossimilhança em inúmeros momentos), o roteiro escrito pelo próprio autor do romance nunca trata o espectador como desprovido de inteligência. A paixão avassaladora entre os protagonistas, por exemplo, é tão centrada na química entre seus atores centrais e na crença de sua veracidade que não resta à audiência senão entregar-se de olhos fechados a ela. E o amor não é assim mesmo, afinal de contas?

Não há nada em “Em algum lugar do passado” que surpreenda ou seja inédito em termos de romance, talvez com exceção do tema “viagem no tempo”. Mesmo assim, o clima nostálgico, acentuado pela belíssima peça musical de Rachmanioff prende a atenção e leva a um final inesperado. Ainda que tenha alguns furos no roteiro, comuns em obras com temática semelhante, o filme de Jeannot Szwarc entrega a seu público exatamente o que promete e pode arrancar algumas lágrimas dos mais sensíveis. E Christopher Reeve demonstra que tinha talento suficiente para não ficar preso ao mesmo papel pelo resto da sua carreira. O que mais se pode pedir de um filme romântico?

3 comentários:

Alan Raspante disse...

Eu tenho que tomar vergonha na cara e ver esse filme logo, ouço falar bem dele.

Júnia L. disse...

Clenio,
Desculpe se não estou passando mais em seu blog, mas é que resolvi dar uma sumida do mundo digital. Relaxar um pouco ...
Vim agradecer pelos últimos comentários feitos por vc no Vintage, volte sempre a casa é sua.Beijos

obs: Em algum Lugar do Passado é um dos meus filmes favoritos.

Um dos melhores filmes do início dos anos 80. Com um ótimo roteiro, totalmente indiscutível! Um dos melhores romances, que além de tudo, conta com a presença do maravilhoso ator Christopher Reeve
Sensibilidade e delicadeza em todos os detalhes. A linda história de duas pessoas compartilhando do mesmo amor e da mesma dor. Um romance que foge do lugar comum. Na medida em que o filme se desenvolve somos surpreendidos e envolvidos por uma esfera de profundo romantismo. Destacamos a cena em que o personagem de Christopher Reeve se aproxima de sua amada a beira de um rio em algum lugar do passado.
Trilha sonora inesquecível!!!!

Andrea Pérez Ulloa disse...

Embora este filme é uma mistura de romance, drama e um toque de fantasia, eu acho que os elementos mais importantes é o último que se expressa através da hipnose, um assunto que me fascina e que acabo de ver uma série de HBO chamado O Mesmer , me cativou e eu não posso parar de assistir, eles recomendam.