sexta-feira, 4 de junho de 2010

O EXPRESSO DA MEIA-NOITE


O EXPRESSO DA MEIA-NOITE (Midnight express, 1978, Columbia Pictures, 121min) Direção: Alan Parker. Roteiro: Oliver Stone, basedo no livro de William Hayes e William Hoffer. Fotografia: Michael Seresin. Montagem: Gerry Hambling. Música: Giorgio Moroder. Figurino: Milena Canonero. Direção de arte/cenários: Geoffrey Kirkland/Evan Hercules. Produção executiva: Peter Guber. Produção: Alan Marshall, David Puttnam. Elenco: Brad Davis, John Hurt, Randy Quaid, Irene Miracle, Paolo Bonacelli, Mike Kellin. Estreia: 06/10/78

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Alan Parker), Ator Coadjuvante (John Hurt), Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Sonora Original
Vencedor de 2 Oscar: Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original
Vencedor de 6 Golden Globes: Filme/Drama, Ator Coadjuvante (John Hurt), Roteiro, Trilha Sonora, Estreia masculina (Brad Davis), Estreia feminina (Irene Miracle)

Depois que se assiste a “Expresso da meia-noite” fica-se com um nó na garganta. Não por tristeza, mas talvez por revolta. Inacreditavelmente baseado em uma história real, o filme do inglês Alan Parker é um petardo emocional e sensorial que dificilmente pode ser esquecido ou tido como entretenimento simples e fácil. Se a história do americano Billy Hayes é sofrida e deprimente, ao menos originou um dos melhores filmes de 1978 e talvez o melhor da carreira do cineasta.

Billy Hayes, vivido no filme por um impressionante Brad Davis, é um jovem americano de classe média que é preso na Turquia com um carregamento de haxixe. Acusado de tráfico de drogas, ele é preso imediatamente e condenado a seis anos de cadeia, sem dar muitas chances ao advogado contratado por seu pai. Às vésperas de sua soltura, porém, como forma de fazer dele um exemplo aos EUA - com quem não tem a mais amigável das relações - o governo turco transmuta sua sentença para prisão perpétua. Uma vez condenado, Hayes é trancafiado em uma prisão assustadora, violenta e sem muita noção do que significam as palavras Direitos Humanos. Sua única chance de sobreviver ao inferno é fugir com alguns companheiros de cela no que eles chamam de Expresso da Meia-noite, ou seja, um túnel. Para isso, ele terá que testemunhar uma truculência inimaginada em seus dias na América.


Poucas vezes se viu no cinema uma obra tão abertamente brutal como “Expresso da meia-noite”. Sem medo de chocar e/ou afugentar seu público, Alan Parker mergulha seu protagonista em um buraco de racismo, dor e violência. Para isso conta com o inspirado roteiro de Oliver Stone (premiado com o Oscar): mesmo alterando substancialmente algumas passagens do livro escrito pelo próprio Hayes - as passagens do livro que se referem a sua experiência homossexual dentro da prisão foi deslavadamente modificadas, o que tira um pouco de sua credibilidade, o script do futuro diretor dá a exata noção do pesadelo no qual um jovem saudável, amado pela família e pela namorada é jogado de uma hora para outra. O filme não faz julgamentos morais a respeito de seu protagonista, que no entanto, depois de tanto sofrimento, acaba conquistando a simpatia do público, mesmo longe de ser um exemplo a ser seguido.

Muito dessa conquista se deve ao trabalho de Brad Davis, que transmite em cada olhar de dor e revolta todos os sentimentos complexos de seu personagem. Lembrando alguns trejeitos de James Dean - principalmente na forma como lida com a injustiça e a revolta - ele foi mais um jovem talento que morreu cedo - Davis morreu de AIDS aos 41 anos em 1991. Contando com a ajuda de colegas de elenco como John Hurt e Randy Quaid, como dois prisioneiros que unem-se a ele em sua trajetória rumo à liberdade ainda que tardia, Davis foi uma revelação das mais empolgantes do final da década de 70, causando polêmica com seu trabalho em "Querelle", de 1982.

Não se pode esperar que “Expresso da meia-noite” seja um filme para divertir. É cinema sério, de denúncia, mas que jamais esquece de seu principal objetivo: contar uma boa história, com personagens fortes e um roteiro bem estruturado. Contando ainda com uma fotografia opressiva de Michael Seresin e uma trilha sonora de Giorgio Moroder que já tornou-se clássica, é um filme que dificilmente abandona a memória.
O único alívio que se tem ao assisti-lo é saber que, mesmo sendo uma história verdadeira, não aconteceu conosco.

3 comentários:

Luis Fabiano disse...

Oi Clênio, como vc está? Demorei pra aparecer, mas hj tive uma folguinha. Eu também adorei aquela peça, tudo nela pra mim me encantou, conhecia também a da Aracy, mas a da Suzana Vieira parece que é posterior, de 2006. Mas a melhor mesmo é a da Beth, sem dúvida. Sou fã do Alan Parker também, vou querer assistir a esse filme, sim. Eu praticamente não curto filmes "para divertir". E parabéns pelo texto, tão bem escrito. Abraço

Alan Raspante disse...

Oi Clênio..
Cara, eu tenho que ver este filme, ele parece ser realmente bom, sem contar que tem a direção de Alan Parker, diretor que eu adoro!
Abs.

JOSE LUIZ disse...

Clenio,
estou procurando o filme "Caravans", lançado em 1978, direção de James Fargo e tendo como um dos atores, Anthony Quinn e Christopher Lee.
a musica tema do filme composta por Mike Batt é linda e estou procurando alguém que tenha esse filme para download. Veja no youtube interpretações da música por Vanessa Mae, com violino, ou a original (orquestra completa) do filme... Aguardo sua resposta. Abraços!