domingo, 27 de junho de 2010

GANDHI


GANDHI (Gandhi, 1982, Columbia Pictures, 191min) Direção: Richard Attenborough. Roteiro: John Briley. Fotografia: Ronnie Taylor, Billy Williams. Montagem: John Bloom; Música: Ravi Shankar. Figurino: Bhanu Athaiya, John Mollo. Direção de arte/cenários: Stuart Craig/Michael Seirton. Casting: Susie Figgis. Produção executiva: Michael Stanley-Evans. Produção: Richard Attenborough. Elenco: Ben Kingsley, Candice Bergen, Edward Fox, John Gielgud, Trevor Howard, John Mills, Martin Sheen, Nigel Hawthorne. Estreia: 08/12/82

11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Richard Attenborough), Ator (Ben Kingsley), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Figurino, Direção de arte, Maquiagem, Som
Vencedor de 8 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Richard Attenborough), Ator (Ben Kingsley), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de arte
Vencedor de 5 Golden Globes: Melhor Filme Estrangeiro, Ator/Drama (Ben Kingsley), Diretor (Richard Attenborough), Roteiro, Melhor Estreia Masculina (Ben Kingsley)


Mahatma ("Grande Espírito") Gandhi foi uma das personaliades mais fascinantes do mundo, um advogado inteligente e sensível que, baseado em sua filosofia de não-violência liderou a batalha pela independência da Índia das mãos do império britânico. Assassinado em 1948, tornou-se símbolo da luta pela paz e pela igualdade. E é a personagem principal da cinebiografia que, dirigida por Richard Attenborough, foi um dos maiores papa-Oscar da década de 80. Disputando o prêmio máximo com obras como "ET", de Steven Spielberg e "Tootsie", de Sydney Pollack (ambos grandes sucessos de bilheteria), "Gandhi" levou a a estatueta de Melhor Filme e foi premiado em outras sete categorias. Prova tanto do poder de seu gênero - cinebiografias épicas - em fascinar a Academia quanto da beleza e da importância de sua história.

Projeto de estimação do diretor inglês Attenborough (que dez anos mais tarde comandaria o menos bem-sucedido "Chaplin"), a biografia do pacifisita indiano não despertou muito interesse dos estúdios hollywoodianos, o que o obrigou a recorrer a artifícios variados, como vender sua parte dos direitos sobre a peça de teatro "A ratoeira", de Agatha Christie. Além de comprometer-se em dirigir outros dois filmes para o produtor Joseph E. Levine, ele contou com a ajuda do amigo e produtor executivo Jake Eberts e de companhias de cinema inglesas. O custo do filme, de 22 milhões de dólares foi coberto - principalmente depois dos Oscar, quando sua bilheteria chegou perto de 53 milhões. Comparando com "ET", por exemplo, que rendeu mais de 300 milhões não chega a ser uma marca impressionante, mas o é levando-se em consideração vários aspectos de sua natureza.



Primeiro, "Gandhi" não é um filme de puro entretenimento. Apesar de ser tranquilamente recomendável para qualquer idade, uma vez que não abusa de violência desnecessária nem tampouco utiliza de sexo e palavrões para conquistar uma audiência menos intelectualizada, o filme de Attenborough é bastante lento (dura mais de três horas), tem um assunto um bocado específico (e muitas vezes exige um certo conhecimento histórico do público) e foge do tradicional "final edificante e moralizador", uma vez que o filme todo passa uma mensagem de paz e tolerância. "Gandhi" é um filme adulto, feito para adultos e com intenções bem mais nobres do que simplesmente angariar fortunas. E nesse objetivo ele acerta magistralmente.

Tecnicamente "Gandhi" é uma maravilha. Belissimamente fotografado e com uma reconstituição histórica e épica impecáveis, é um trabalho cuidadoso, feito notadamente com um carinho e uma dedicação raras. Narrado de forma quase didática, a trajetória de seu protagonista em direção a uma Índia mais igualitária e menos opressiva tenta seduzir sua audiência pela beleza, pela delicadeza, pela sinceridade, e para isso conta com uma atuação irretocável de Ben Kingsley, ele próprio descendente de indianos. Ao ficar com o papel cobiçado por Alec Guinness, Anthony Hopkins, John Hurt e até mesmo Dustin Hoffman (!!) ele entregou uma interpretação quase mediúnica de Gandhi, um trabalho inesquecível e comovente.

"Gandhi" não é um filme perfeito. Muitas vezes um tanto cansativo - culpa talvez do roteiro que insiste em mostrar prisões e greves de fome de sua personagem central repetidas vezes -, é uma obra que exige de sua plateia uma dedicação e uma entrega maiores do que o que acontece normalmente. Mas é, sem sombra de dúvida, um filme que precisa ser visto e aplaudido, pelo que ele é e principalmente pela personalidade que retrata.

4 comentários:

Tammy'Natural disse...

Oi!
estou te seguindo!!!
Abraços!!

Atreyu disse...

Ele foi o cara, quando li sobre ele eu não entendi como um cara tinha uma visão tão ampla de mundo, saca? Conseguir expor suas idéias e mostrar qual que é, mudar a sociedade em que vive e ao mesmo tempo conseguir tudo isso sem violência.. velho, isso é muito nobre.
E o massa era a forma que ele respondia as críticas : “A não violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os bravos” Gandhi
//Parabéns pelo post! =D muito foda!

Rodrigo Mendes disse...

Chaplin e este filme são obras magistrais cinebiográficas!

O dono do Jurassic Park Sr. Attenborough é um cineasta de primeira linha!

Muito bom!
Abs,
Rodrigo

Jorge Junior disse...

Esse filme é magistral, e diante da realidade cinematográfica mundial, esse filme se mantém como edificador de uma cultura pacífica e centrada em soluções para uma vida de paz e harmonia. É mais que uma história.É mais que uma "cinebiografia". É uma solução para os conflitos interpessoais/ internacionais, em qualquer época.Em qualquer geração.