quarta-feira, 30 de junho de 2010

FLASHDANCE, EM RITMO DE EMBALO


FLASHDANCE, EM RITMO DE EMBALO (Flashdance, 1983, Paramount Pictures, 95min) Direção: Adrian Lyne. Roteiro: Tom Hedley, Joe Eszterhas, história de Tom Hedley. Fotografia: Don Peterman. Montagem: Walt Mulconery, Bud Smith. Música: Giorgio Moroder. Figurino: Michael Kaplan. Direção de arte/cenários: Charles Rosen/Marvin March. Casting: Gretchen Rennell. Produção executiva: Peter Guber, Jon Peters. Produção: Jerry Bruckheimer, Don Simpson. Elenco: Jennifer Beals, Michael Nouri, Lilia Skala, Sunny Johnson. Estreia: 15/4/83

4 indicações ao Oscar: Fotografia, Montagem, Canção ("Flashdance... what a feeling", "Maniac")
Vencedor do Oscar de Canção ("Flashdance... what a feeling")
Vencedor de 2 Golden Globes: Trilha Sonora, Canção ("Flashdance... what a feeling")


É impressionante como, ao contrário da coragem e da ousadia do cinema americano dos anos 70, a filmografia da década de 80 conseguiu esvaziar - e muito - seu conteúdo psicológico e temático. Filmes como "Taxi driver" e "Amargo pesadelo" jamais teriam sido feitos se dependesse da visão oca de produtores como Don Simpson e Jerry Bruckheimer, que, na primeira metade da década entregaram aos frequentadores de cinema sucessos de bilheteria que não eram nada mais do que histórias de densidade dramática nulas embrulhadas em um visual atraente. Um exemplo claro disso é "Flashdance, em ritmo de embalo", que, apesar da fotografia caprichada e da trilha sonora pop cuidadosamente selecionada - e que vendeu mais de 700 mil cópias - é tão desprovido de inteligência que chega a ser constrangedor pensar que fez tanto sucesso.

"Flashdance" conta a história - se é que se pode chamar algo assim de história - de Alex Owens (Jennifer Beals com 18 anos que aparentam 25), uma jovem que sonha em ter uma carreira de dançarina e ganha a vida como soldadora (!!!). Incentivada por uma veterana bailarina, Hannah (Lilia Skala), e por uma dupla de amigos que aguardam o sucesso enquanto trabalham em bares e restaurantes, ela deseja inscrever-se em um curso profissionalizante. Enquanto isso não acontece ela inicia um romance com seu chefe, Nick Hurley (Michael Nouri). E o filme é só isso.


Quase metade do filme de Adrian Lyne (que se especializaria em projetos visualmente interessantes mas artisticamente capengas) é formado por sequências de dança, todas elas extremamente bem fotografadas, ainda que com a cara um tanto cafona dos anos 80. De cinco em cinco minutos a plateia é bombardeada com Beals e cia dançando de forma sexy em palcos, academias, em casa ou em ringues de patinação, ao som de uma trilha sonora marcante que apresenta inclusive a vencedora do Oscar cantada por Irene Cara. Os conflitos das personagens chegam a ser risíveis e é tudo tão, mas tão previsível e forçado que tem-se a impressão que o filme realmente não é pra ser levado a sério. Mas o problema é que é!

O roteiro de Joe Ezsterhas - que no início dos anos 90 ficaria rico com "Instinto selvagem" - não se dá ao trabalho de aprofundar nenhuma relação entre suas personagens, fazendo-as rasas e sem muito carisma. Nem mesmo a protagonista é suficientemente bela e/ou sensual para angariar a simpatia por méritos físicos. Não foi à toa que a carreira de Beals não decolou (sorte de Demi Moore, que quase ficou com o papel) e que Michael Nouri também não teve muito êxitos de bilheteria na sequência (e seu papel esteve em vias de ser interpretado por Kevin Costner...)

"Flashdance, em ritmo de embalo" é, na verdade, o tipo de filme que lembra uma época, que tem valor nostálgico, que serve de piada e que pode servir de telão de fundo em uma festa temática anos 80. Mas enquanto cinema não convence em momento algum. Pelo menos serviu de inspiração para Jennifer Lopez criar o vídeo-clipe "I'm glad", bem mais sensual e interessante.

3 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Uma crítica sobre um determinado filme nunca pode ser uma opinião pessoal... Sendo assim ela deixa de ser uma crítica...

Clenio disse...

Caro Anônimo:

Este não é um blog de críticas. É um blog PESSOAL no qual EU teço considerações a respeito de alguns filmes, não tendo pretensão nenhuma de mudar ou manter a opinião dos leitores. Sendo assim - e eu mesmo não me considerando nada além de um fã voraz de cinema e não um crítico no sentido mais literal da palavra - me sinto no direito de escrever o que eu quiser. Se você não gosta do estilo do blog sugiro que procure sites de críticos especializados - aliás, duvido que algum deles goste de "Flashdance" no sentido estritamente cinematográfico.
No mais, abraços e se quiser continuar a conversa, ao menos se identifique. Não vou ficar perdendo meu tempo com quem não tem a coragem nem ao menos dizer o nome. Clênio