terça-feira, 3 de novembro de 2015

PODER PARANORMAL

PODER PARANORMAL (Red lights, 2012, Millenium Films, 114min) Direção e roteiro: Rodrigo Cortés. Fotografia: Xavi Giménez. Montagem: Rodrigo Cortés. Música: Victor Reyes. Figurino: Patricia Monné. Direção de arte/cenários: Antón Laguna/Rob Hepburn. Produção executiva: Cindy Cowan, Irving Cowan, Lisa Wilson. Produção: Rodrigo Cortés, Adrián Guerra. Elenco: Sigourney Weaver, Robert DeNiro, Cillian Murphy, Toby Jones, Elizabeth Olsen, Leonardo Sbaraglia. Estreia: 20/01/12 (Festival de Sundance)

Em 2010, o cineasta espanhol Rodrigo Cortés surpreendeu os fãs de cinema com "Enterrado vivo", um suspense realizado com uns trocados (cerca de 3 milhões de dólares) e que, mesmo sob circunstâncias limitatórias (era passado inteiramente em um exíguo caixão debaixo da terra, conforme o título sugere) revelou um diretor inteligente, criativo e com impecável senso de ritmo. A expectativa em torno de seu projeto seguinte era grande e talvez por isso a recepção a "Poder paranormal" tenha sido tão morna. Afinal, se com apenas um ator medíocre (Ryan Reynolds) em cena o diretor conseguiu realizar milagres, o que ele poderia fazer com gente do quilate de Robert De Niro e Sigourney Weaver no elenco de seu novo filme? O resultado é apenas razoável, para decepção de muitos.

"Poder paranormal" começa muito bem e desenvolve suas personagens com relativa competência. O protagonista é o jovem físico Tom Buckley (Cillian Murphy exibindo sua falta de carisma habitual). Misterioso e calado, ele é o fiel assistente da renomada Margareth Matheson (Sigourney Weaver), psicóloga especializada em desmascarar fraudes em casos de atividades paranormais.O relacionamento pacífico entre os dois começa a sofrer um abalo quando o rapaz insiste que a doutora lhe acompanhe na investigação de Simon Silver (Robert De Niro), um famoso psíquico cego que retorna à ribalta trinta anos depois de ter se afastado da fama. Acontece que, ao mesmo tempo em que Tom vê na busca pela verdade a respeito de Silver uma forma de fazer as pazes consigo mesmo (graças a um passado que ele insiste em esconder), Margareth tem seus motivos para evitar o confronto com o veterano paranormal.


Cortés tem a felicidade de manter seu suspense em um nível de inteligência acima da média, concentrando-se em diálogos interessantes e em um clima de constante tensão. Os sustos, quando acontecem, chegam nas horas certas e os atores estão particularmente afiados, ainda que mais uma vez De Niro não seja aproveitado como pode. Porém, quando chega perto do final, o cineasta parece ter cedido à tentação de extrapolar os limites da sutileza, em um clímax barulhento e exagerado que mais decepciona do que empolga. A revelação final - com direito a um flashback desnecessário que subestima o poder de inteligência da plateia - carece de impacto, mas faz sentido diante do conjunto. E não deixa de ser uma agradável surpresa rever o ator argentino Leonardo Sbaraglia como um falso médium, em uma atuação hipnotizante que contrasta com a apatia do protagonista Cillian Murphy.

Levando-se em consideração que filmes de suspense para adultos são produtos cada vez mais raros em Hollywood, "Poder paranormal" é um oásis. Nunca ultrapassa as expectativas, tornando-se uma opção mais interessante que genial, mas apresenta mais qualidades que defeitos. Os fãs do gênero não vão ter do que se queixar.

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