sábado, 23 de janeiro de 2016

WHIPLASH - EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

WHIPLASH, EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (Whiplash, 2014, Bold Films/Blumhouse Productions, 107min) Direção e roteiro: Demian Chazelle. Fotografia: Sharon Meir. Montagem: Tom Cross. Música: Justin Hurwitz. Figurino: Lisa Norcia. Direção de arte/cenários: Melanie Paisiz-Jones/Karuna Karmakar. Produção executiva: Jeanette Volturno-Brill, Jason Reitman, Couper Samuelson, Gary Michael Walters. Produção: Jason Blum, Helen Eastbrook, David Lancaster, Michel Litvak. Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Austin Stowell, Nate Lang, Chris Mulkey. Estreia: 16/01/14

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Roteiro Adaptado,  Montagem, Mixagem de Som
Vencedor de 3 Oscar: Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Montagem, Mixagem de Som
Vencedor do Golden Globe de Melhor Ator Coadjuvante (J.K. Simmons) 

É difícil não lembrar da velha frase de Thomas Edison que diz que "talento é 1% inspiração e 99% transpiração" quando se assiste a "Whiplash, em busca da perfeição", o extraordinário filme que colocou o pirralho (fez apenas 31 anos agora em janeiro de 2016) Damien Chazelle no mapa de Hollywood ao conquistar cinco indicações ao Oscar, inclusive melhor filme e roteiro adaptado: ao comer o pão que seu professor de música amassou para provar seu talento como baterista, o protagonista vivido por Miles Teller - uma promessa que enfileirou um filme atrás do outro em menos de dois anos - mostra a realidade de uma parcela imensa de jovens (ou nem tão jovens assim) talentosos que buscam seu lugar ao sol na música sem ter o devido reconhecimento. Não é à toa que o filme começou a ser aplaudido vigorosamente por seu público-alvo - que viu nele uma espécie de merecida e carinhosa homenagem a todos aqueles que tem pela música (ou pela arte em geral, vá lá) uma paixão que transcende qualquer vaidade - e acabou por conquistar o mundo inteiro e até a Academia, que acabou lhe concedendo três estatuetas douradas.

Essa paixão/obsessão/tesão pela música é o mote de "Whiplash", e o que move seu protagonista, o jovem Andrew Nieman (interpretado com garra por Teller, antes visto em "Divergente" e no independente "O maravilhoso agora") a enfrentar todas as dificuldades que aparecem à sua frente para se tornar o grande baterista de jazz que almeja ser. A maior delas surge na figura de Terence Fletcher (J. K. Simmons), um professor tão respeitado quanto rígido que é o líder da banda do conservatório de música onde o rapaz estuda. Escolhido pelo temido mestre, Andrew passa a sofrer com seus métodos de intimidação e humilhação, mas seu amor pelo que faz o mantém disposto até mesmo a abrir mão de sua vida pessoal com a namorada Nicole (Melissa Benoist). Sua relação com Terence, portanto, acaba por ser a mais importante de sua vida, mesmo quando todos os limites são ultrapassados e a dedicação do veterano músico revela-se quase uma psicopatia.


A história engendrada por Chazelle - que, sem financiamento dirigiu um curta que serviu de inspiração para seu elogiado filme - não é exatamente original, uma vez que não hesita em utilizar-se dos mais variados clichês para atingir a plateia, mas o faz com tanta pureza e tanto amor (pelos personagens, pela trama, pela música em si) que é impossível não envolver-se com tudo. A relação entre Andrew e Fletcher (a grande chance de J.K. Simmons, um rosto conhecidíssimo do público e que acabou levando um merecidíssimo Oscar de ator coadjuvante) é hipnotizante e rende ao filme seus melhores momentos e a climática sequência final, de nove minutos de duração magistralmente editados é capaz de arrepiar a todos aqueles que tem a música na alma e no coração (não à toa, o Oscar de montagem também foi conquistado, assim como o de mixagem de som). A impressão que se tem quando se assiste ao filme é que seu jovem diretor quis falar diretamente a seu público-alvo, dar-lhes, durante o tempo de uma sessão de cinema, a felicidade e o orgulho de pertencer a esse grupo de gente tantas vezes mal compreendida: os músicos profissionais. E, a julgar pelo entusiasmo geral, foi feliz em sua missão.

Em meio a tantos filmes dispendiosos e festejados, mas ocos de emoção e espírito, "Whiplash" foi um sopro de vida e inspiração. Nenhuma de suas indicações ao Oscar foi injusta - e seus prêmios foram amplamente merecidos. É um pequeno grande filme, capaz de emocionar e empolgar a plateia, tendo como armas basicamente o talento de seus intérpretes e a paixão de seus personagens. Um filme já clássico.

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