quarta-feira, 5 de agosto de 2015

UMA PROVA DE AMOR

UMA PROVA DE AMOR (My sister's keeper, 2009, Curmudgeon Films/Gran Via Productions, Mark Johnson Pictures, 109min) Direção: Nick Cassavetes. Roteiro: Nick Cassavetes, Jeremy Leven, romance de Jodi Picoult. Fotografia: Caleb Deschanel. Montagem: Jim Flynn, Alan Heim. Música: Aaron Zigman. Figurino: Shay Cunliffe. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Maggie Martin. Produção executiva: Toby Emmerich, Merideth Finn, Stephen Furst, Mark Kaufman, Diana Pokorny, Mendell Tropper. Produção: Scott L. Goldman, Mark Johnson, Chuck Pacheco. Elenco: Cameron Diaz, Abigail Breslin, Alec Baldwin, Jason Patric, Joan Cusack. Estreia: 26/6/09

Ao contrário de seu pai, um dos mais importantes cineastas realmente independentes do cinema americano dos anos 70, quando o conceito de cinema independente era bem diferente daquele assumido a partir da década de 90, Nick Cassavetes nunca teve medo de abraçar o cinema comercial. Enquanto seu progenitor - John, o marido de Mia Farrow em "O bebê de Rosemary" e de Gena Rowlands na vida real - construiu uma filmografia baseada principalmente na angústia psicológica de personagens bem distantes daqueles herois que lotavam as salas de cinema, Nick assinou obras que dificilmente podem ser consideradas ousadas ou profundas, como "Diário de uma paixão", baseado em romance de Nicholas Sparks e "Alpha dog", inspirado em um caso real de delinquência juvenil. Apesar dessa preferência por projetos menos autorais, porém, uma característica é impossível de ignorar no cineasta mais novo do clã Cassavetes: a sensibilidade e o olhar humano para seus personagens. Isso fica evidente, por exemplo, em "Uma prova de amor", lançado em 2009. Mesmo com base em um livro - escrito por Jodi Picoult - banhado de clichês e sentimentalismos, ele conseguiu fazer um filme que dribla razoavelmente o previsível e é capaz de emocionar sem soar piegas. E mais admirável ainda: consegue fazer de Cameron Diaz uma atriz razoável.

A trama é de uma tristeza ímpar: a família Fitzgerald, formada pelo casal Sara (Cameron Diaz) e Brian (Jason Patric) - ela advogada que passou a dedicar-se ao lar e ele bombeiro - e pelos dois filhos Jesse e Kate, sofre um abalo emocional quando a menina é diagnosticada com um tipo raro de leucemia. Sabendo que o único tratamento que pode ser bem-sucedido para salvar a vida da menina é um transplante - e depois de chegar à triste constatação de que ninguém é compatível com ela - Sara resolve apelar para a última solução possível e ter um novo bebê, com o objetivo puro e simples de utilizar suas células-tronco e outros órgãos para manter Kate viva. Onze anos mais tarde, depois de ter passado por vários procedimentos médicos que ajudaram sua irmã - e às vésperas de um transplante que pode lhe custar a saúde para sempre - a jovem Anna (Abigail Breslin) entra na justiça para solicitar emancipação médica. Ela pede ajuda do advogado Campbell Alexander (Alec Baldwin) no caso e vai enfrentar no tribunal sua própria mãe, que vai tentar obrigá-la a cumprir seu destino. Enquanto isso, Kate (Sofia Vassilieva) relembra com dor a trágica história de amor com outro jovem enfermo, Taylor (Thomas Dekker).


Inicialmente pensado como um projeto para as irmãs Dakota e Elle Fanning, "Uma prova de amor" acabou mudando suas jovens atrizes principais quando Dakota recusou-se a raspar a cabeça. O que poderia ser um problema para os produtores, porém, transformou-se em uma bênção: com Sofia Vassilieva e Abigail Breslin (indicada ao Oscar de coadjuvante por "Pequena Miss Sunshine") nos papéis das irmãs Fitzgerald, o filme de Cassavetes não perde nada em força dramática e ainda acaba se aproximando mais da plateia do que as extremamente lindas Fanning. Abigail Bresling, com seu jeitinho desprotegido e tímido, rouba a cena sem fazer muito esforço, e Sofia Vassilieva demonstra uma coragem intensa ao entregar-se com tanta alma a uma personagem equilibrada entre o estoicismo, o desespero, a resiliência e o amor - é especialmente comovente a cena em que ela encontra-se com Taylor para um baile no hospital e encontra os olhos emocionados do pai (um Jason Patric contido e eficiente). Inteligente em contar a história sob diferentes pontos de vista, dando a cada personagem a chance de acrescentar novos ângulos à uma trama de extrema melancolia, o roteiro ainda consegue o feito de apresentar uma reviravolta em seu terço final que muda a perspectiva de qualquer um na plateia - e pode levar mais facilmente ainda às lágrimas.

Alterando o final do livro - o que causou a fúria dos fãs mais radicais - e concentrando sua atenção na complexa dinâmica familiar dos Fitzgerald a partir da recusa de Anna em ser a doadora que pode salvar a vida da irmã, "Uma prova de amor" é uma adaptação que, independentemente de sua origem, é uma obra hábil em manipular a emoção do público e levantar um questionamento válido em tempos de avanços médicos. Porém, mais do que isso, é um drama poderoso, dirigido com seriedade e interpretado com sinceridade e paixão. Para os fãs do gênero, um programa imperdível.


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