terça-feira, 8 de setembro de 2015

AMIZADE COLORIDA

AMIZADE COLORIDA (Friends with benefits, 2011, Screen Gems/Castle Rock Entertainment, 109min) Direção: Will Gluck. Roteiro: Keith Merryman, David A. Newman, Will Gluck, estória de Harley Peyton, Keith Merryman, David A. Newman. Fotografia: Michael Grady. Montagem: Tia Nolan. Figurino: Renee Ehrlich Kalfus. Direção de arte/cenários: Marcia Hinds/Cindy Coburn, Alyssa Winter. Produção executiva: Glenn S. Gainor. Produção: Liz Glotzer, Will Gluck, Martin Shafer, Janet Zucker, Jerry Zucker. Elenco: Justin Timberlake, Mila Kunis, Woody Harrelson, Patricia Clarkson, Richard Jenkins, Jenna Elfman, Bryan Greenberg, Nolan Gould, Andy Samberg. Estreia: 18/7/11

Talvez reflexo inconsciente das relações modernas, filmes sobre casais que elegem o sexo como base para seu relacionamento - sem que exista nenhum outro tipo de vínculo sentimental - e depois se apaixonam pipocaram nas telas de cinema como nunca em 2011, com qualidades variadas. Houve o ótimo "Amor e outras drogas", com Jake Gylenhaal e Anne Hathaway e houve o tenebroso "Sexo sem compromisso", com Natalie Portman e Ashton Kutcher. No meio do caminho entre os dois fica "Amizade colorida", o divertido e sexy filme estrelado por Justin Timberlake e Mila Kunis e dirigido por Will Gluck, cujos créditos anteriores incluem o pouco visto, mas muito engraçado, "A mentira" - cuja estrela, Emma Stone, aparece aqui em uma pequena participação especial como a namorada que dá o fora no protagonista na primeira cena.

No filme de Gluck, a bela Kunis interpreta Jamie, uma caça-talentos de Nova York que convence o jovem diretor de arte Dylan (vivido com surpreendente timing cômico por Timberlake) a sair de Los Angeles e mudar-se para a Grande Maçã, para trabalhar para a revista GQ. Ambos saídos de relacionamentos fracassados, Jamie e Dylan tornam-se amigos e, bonitos, inteligentes e sexies, resolvem iniciar uma relação de sexo sem compromisso. Logicamente as coisas não andam da maneira com que eles pretendem (mas seguem à risca as comédias românticas que Jamie adora): eles se apaixonam um pelo outro, ainda que a princípio não o percebam e renegam o sentimento enquanto podem, mesmo quando as evidências estão bem diante de seus olhos. Quem irá ajudá-los a esclarecer as coisas são pessoas tão díspares quanto a mãe promíscua de Jamie (vivida por Patricia Clarkson, sempre ótima em personagens liberais), o editor de esportes homossexual da GC (Woody Harrelson, sem levar-se a sério, como de hábito) e o pai de Dylan, um homem abandonado pela esposa e que sofre de Alzheimer (Richard Jenkins).


Logicamente o roteiro de "Amizade colorida" é repleto de clichês (e é o tipo de filme cujo final se adivinha só de olhar-se o cartaz). Mas a grande sacada - e que o diferencia de bombas como "Sexo sem compromisso" - são alguns diálogos realmente engraçados, os coadjuvantes afiados e que não servem apenas para fazer piada (Clarkson e Richard Jenkins, ambos de "A sete palmos" estão ótimos) e a química sensacional entre seus protagonistas. Kunis, que já se atracou com Natalie Portman em "Cisne negro", já provou que não tem pudores e Timberlake mostra-se extremamente à vontade em cenas pra lá de provocantes que mixam com equilíbrio invejável uma sensualidade discreta e um bom-humor muito bem-vindo. Mesmo quando não estão na cama, Kunis e Timberlake convencem o público que estão apaixonados (mesmo que não o saibam) e conseguem o que qualquer dupla romântica sonha em filmes como este: uma torcida por seu final feliz. E Will Gluck sabe, como poucos cineastas recentes, brincar com as referências pop do espectador e utilizá-las a seu favor.

Tudo bem que "Amizade colorida" não vai mudar a vida de ninguém, nem tampouco consegue escapar da queda de ritmo em sua segunda metade, quando o humor picante e desbocado da primeira fase dá lugar ao drama e a um romantismo convencional. Mas é tão charmoso, despretensioso e bem-humorado (outro destaque é sua maneira de tratar a rivalidade entre Los Angeles e Nova York, com seus hábitos muito diferentes) que é impossível não se deixar cativar. Uma grata surpresa que mostra que Will Gluck é um nome a se memorizar.

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