segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

NO MUNDO DA LUA

NO MUNDO DA LUA (The man in the moon, 1991, MGM Pictures, 99min) Direção: Robert Mulligan. Roteiro: Jenny Wingfield. Fotografia: Freddie Francis. Montagem: Trudy Ship. Música: James Newton Howard. Figurino: Dawni Saldutti, Peter Saldutti. Direção de arte/cenários: Gene Callahan/Daril Alder. Produção executiva: William S. Gilmore, Shari Rhodes. Produção: Mark Rydell. Elenco: Sam Waterston, Tess Harper, Gail Strickland, Reese Witherspoon, Jason London. Estreia: 30/8/91 (Festival de Deauville)

Em 1971, o cineasta Robert Mulligan conquistou a plateia com a sensível história do primeiro amor de um adolescente dos anos 40 no belo e etéreo "Houve uma vez um verão" - cuja música-tema marcou uma geração inteira. Vinte anos depois, ele novamente voltou seu olhar poético para a descoberta da paixão em "No mundo da lua", um drama simples e delicado que, se não obteve o mesmo resultado nas bilheterias e na crítica, ao menos serviu para lançar uma atriz que se tornaria extremamente popular alguns anos depois: Reese Witherspoon. Com 14 anos de idade à época das filmagens, Witherspoon tomou para si sem medo a responsabilidade de ser o centro de uma história de amor e sofrimento juvenil e acabou se tornando o maior destaque do filme, embalado por uma trilha sonora na voz de Elvis Presley e um tom melancólico que dialoga com delicadeza com o clássico de Mulligan.

De uma cidadezinha litorânea em 1942 a história se desloca para uma região agrária da Louisianna no final da década de 50. Sai um adolescente tímido sedento por perder a virgindade e entra uma menina de 14 anos, Dani Trant, fã de Elvis e curiosa a respeito dos fatos da vida. Seu cotidiano, formado pela escola dominical, ajuda doméstica à mãe grávida pela quarta vez e brincadeiras pelos arredores que incluem mergulhos na propriedade vizinha, é chacoalhado com a chegada da família Foster, amiga de seus pais, que retorna à cidade depois da morte do patriarca. Dani imediatamente se sente atraída pelo filho mais velho dos rapazes, Court (Jason London), de 17 anos, com quem inicia uma amizade hesitante - ela está disposta a experimentar com ele todas as sensações amorosas possíveis, mas ele a considera jovem demais para ele. O relacionamento entre eles - idílico para ela, inconsequente para ele - sofre um baque quando Court se apaixona pela irmã mais velha de Dina, a responsável Maureen (Emily Warfield), que vê nele um rapaz totalmente diferente daqueles machistas e aventureiros com quem vem convivendo desde sempre.


Não há nada em "No mundo da lua" que seja diferente do já visto, mas Robert Mulligan consegue, mais uma vez, transmitir, através de seus personagens e ambientação um estilo de vida e uma época distantes do espectador. A música de James Newton Howard é um dos principais elementos responsáveis por tal êxito, mergulhando o público em um universo bucólico e nostálgico, cercado de natureza e liberdade. O roteiro de certa forma surpreende por deixar de lado assuntos polêmicos como a sexualidade na adolescência, concentrando-se basicamente nas relações familiares da protagonista - carinhosas e até mesmo libertárias, levando-se em conta a situação feminina nos anos 50, especialmente no interior dos EUA. Defendidos por atores de respeito - Sam Waterston e Tess Harper - os pais de Dani servem como um contraponto pacífico em meio ao turbilhão efervescente de hormônios de suas filhas mais velhas, cuja amizade e união são postas a prova quando uma tragédia se anuncia no horizonte.

É difícil não simpatizar com "No mundo da lua", apesar (ou exatamente por causa) de sua falta de grandes ambições. Sua história quase adocicada é contada de maneira sossegada e sem pressa, por um elenco discreto mas bastante eficaz. Jason London constroi um Court Foster encantador, um rapaz obrigado a lidar inesperadamente com as dificuldades da vida depois da morte do pai e Waterston (que fez alguns filmes com Woody Allen) e Harper (que chegou a ser indicada ao Oscar de coadjuvante por "Crimes do coração" (86)) pontuam com discrição o show particular de Reese Witherspoon, que já demonstrava seu carisma em um papel difícil e desafiador. Se nenhum motivo é o suficiente para arriscar uma sessão, só a possibilidade de vê-la em início de carreira - e talvez derramar algumas lágrimas - já seria um bom começo.

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