quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O RIO SELVAGEM

O RIO SELVAGEM (The river wild, 1994, Universal Pictures, 108min ) Direção: Curtis Hanson. Roteiro: Denis O'Neill. Fotografia: Robert Elswit. Montagem: David Brenner, Joe Hutsching. Música: Jerry Goldsmith. Figurino: Marlene Stewart. Direção de arte/cenários: Bill Kenney/Rick T. Gentz. Produção executiva: Ray Hartwick, Ilona Herzberg. Produção: David Foster, Lawrence Turman. Elenco: Meryl Streep, Kevin Bacon, David Straithairn, John C. Reilly, Joseph Mazzello, Benjamin Bratt. Estreia: 30/9/94

Em 1994 Meryl Streep já tinha dois Oscar em casa, já era considerada a melhor atriz de sua geração e servia de modelo para toda e qualquer jovem intérprete que surgia no cinema americano. Mas, em sua vitoriosa carreira, repleta de dramas dilacerantes e até comédias de humor negro, faltava um gênero que poucos conseguiam relacionar a ela: o filme de ação. Talvez para riscar esse item da lista, talvez porque quisesse divertir-se um pouco ou talvez porque realmente tenha gostado do roteiro, o fato é que "O rio selvagem" tornou-se conhecido como o filme em que a grande dama do cinema americano deixou as lágrimas de lado e partiu para a ignorância. O resultado não foi dos melhores: a crítica praticamente ignorou e o público não se demonstrou mais entusiasmado com a ideia de vê-la distante dos papéis que lhe deram fama e prestígio.

A culpa, no entanto, não é nem do público, nem da crítica e tampouco de Meryl, que está boa como sempre, exercitando seu conhecido perfeccionismo ao realizar quase todas as cenas perigosas solicitadas. O problema de "O rio selvagem" é sua demora em engrenar, seu ritmo claudicante. O roteiro de Denis O'Neil leva mais de uma hora para expor a situação central - e que irá deflagrar a ação - e depois parece não se esforçar em surpreender ou cativar o espectador, recheando sua história com clichês. Não seria problema se a intenção do filme fosse analisar a crise de um casamento ampliada por uma situação extrema ou simplesmente levar o público a uma montanha-russa ao estilo "Risco total", protagonizado por Sylvester Stallone em 1992. Acontece que a primeira opção não é verdadeira e não parece que a segunda também o seja: o drama familiar da personagem de Streep é quase oco (um desperdício de atores, já que seu marido é vivido pelo ótimo David Straithairn) e a adrenalina que poderia equilibrar a balança a favor do filme é rala, apesar de contar com cenas de grande competência técnica e de contar com um vilão convincente interpretado pelo sempre assustador Kevin Bacon.


Bacon e Streep, aliás, foram indicados ao Golden Globe por seus desempenhos - uma prova a mais do prestígio da atriz junto à critica, já que, além de mostrar-se capaz de atuar até mesmo em produções com nítidas intenções comerciais puras e simples, ela não chega a estar brilhante como normalmente está. No filme, ela interpreta Gail Hartman, uma dona-de-casa que abandonou a profissão de guia turística especializada nas correntezas do Rio Colorado para viver ao lado da família. Saudosa da antiga rotina, ela volta e meia retorna a águas perigosas, que conhece como ninguém. Para comemorar o aniversário do filho mais velho, Roarke (Joseph Mazzello, o menino do filme "Jurassic Park, parque dos dinossauros", de 1993), ela resolve acampar com ele e o marido, Tom (David Straithairn), com quem está em crise. A aventura torna-se extremamente perigosa, porém, quando eles esbarram em Wade (Kevin Bacon), um simpático turista que se revela, logo depois, o líder de um grupo de bandidos que precisa de ajuda para atravessar a fronteira do Canadá. Para isso, ele conta com o conhecimento de Gail.

"O rio selvagem" está longe de ser um filme ruim: tem muita gente boa envolvida para chegar a isso. Mas é apenas mais um filme de ação comum, sem maiores qualidades que o destaquem dos demais (a não ser, claro, a presença nada óbvia de Meryl Streep em seu elenco). Seu diretor, Curtis Hanson, faz um trabalho correto, assim com o fez em "A mão que balança o berço" (93), seu filme anterior, mas nada que fizesse antever o milagre realizado em 1997, quando lançou o sublime "Los Angeles, cidade proibida", que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Aqui, amarrado a um roteiro sem maiores novidades ou possibilidades, ele está burocrático e apático, assinando uma produção que pode até divertir, mas não deixa marcas no espectador.

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