domingo, 25 de janeiro de 2015

ONLY YOU

ONLY YOU (Only you, 1994, TriStarPictures, 108min) Direção: Norman Jewison. Roteiro: Diane Drake. Fotografia: Sven Nykvist. Montagem: Stephen Rivkin. Música: Rachel Portman. Figurino: Milena Canonero. Direção de arte/cenários: Luciana Arrighi/Ian Whittaker. Produção: Robert N. Fried, Norman Jewison, Charles Mulvehill, Cary Woods. Elenco: Marisa Tomei, Robert Downey Jr., Bonnie Hunt, Joaquim de Almeida, Fisher Stevens, Billy Zane, John Benjamin Hickey. Estreia: 17/9/94 (Festival de Toronto)

Quando ganhou o inesperado Oscar de atriz coadjuvante por seu desempenho em "Meu primo Vinny" (92), Marisa Tomei ganhou junto a incômoda missão de provar que seu prêmio não havia sido mais um dos inúmeros enganos acumulados pela Academia em seu histórico de erros. Filmes como o fraco "Coração indomável" (93) e o esquecível "O jornal" (94) não ajudaram nesse sentido, mas é inegável que o simpático "Only you", dirigido pelo veterano Norman Jewison foi o mais perto que ela chegou, nos anos 90, de comprovar seu talento para a leveza das comédias românticas. Usando de muitos elementos clássicos, flertando com obras icônicas do gênero, como "A princesa e o plebeu" - além de uma citação direta de "Casablanca" (43) - e tendo as belezas da Itália como cenário, o filme não chegou a ser um sucesso de bilheteria, mas conquista a plateia pela simpatia do elenco e pelo roteiro, com reviravoltas em número suficiente para manter a atenção até o último minuto.

Sendo nada mais do que uma simples comédia, "Only you" não pretende oferecer mais do que um simples e divertido entretenimento, mas entrega ao espectador quase duas horas de um romantismo derramado, ilustrado pela fotografia do mestre Sven Nykvist - colaborador habitual de Ingmar Bergman e Woody Allen - e pontuado pela discreta trilha sonora de Rachel Portman. Polvilhando seu roteiro com tiradas de um humor sutil, Diane Drake construiu uma trama capaz de conquistar até mesmo o mais ferrenho detrator do gênero, especialmente por não deter-se na eterna fórmula do "moça encontra rapaz, se apaixona e luta por seu amor até o final feliz". Ok, alguns desses elementos estão presentes na história, mas tão bem misturados que é difícil resistir. Senão, vejamos: desde criança a professora Faith (Marisa Tomei, encantadora) ouve o mesmo nome quando procura saber, via meios sobrenaturais, quem é sua alma gêmea. Em uma brincadeira na tábua dos mortos com o irmão, Damon Bradley surge pela primeira vez. Alguns anos depois, uma cigana de parque de diversões reitera a informação, deixando a adolescente obcecada com esse desconhecido que promete ser seu grande amor.


Já adulta, Faith está de casamento marcado e aparentemente feliz quando, ao atender o telefone do noivo, ouve do outro lado da linha o nome de sua cara-metade: excitada, ela ignora o fato de Bradley estar de viagem para Veneza e, com a companhia da cunhada, Kate (Bonnie Hunt) - que está passando por uma fase infeliz no casamento - pega o primeiro avião para a Itália. Depois de inúmeros desencontros, ela finalmente dá de cara com o rapaz, um morador de Nova York que está na Europa a serviço (Robert Downey Jr.). Bonito, sedutor e romântico, ele é o sonho encarnado, e Faith está resolvida a cancelar o casamento e apostar em uma vida ao lado de seu novo grande amor quando descobre que as coisas não são exatamente como ela esperava.

Um dos maiores méritos de "Only you" é sua capacidade de surpreender o público, levando-o para várias direções antes de finalmente dar sua história por encerrada. Brincando com o mito do  do homem mediterrâneo através do flerte de Kate com o sedutor Giovanni (Joaquim de Almeida) e com a obsessão feminina pela busca do amor romântico, o filme de Norman Jewison - também autor do delicioso "Feitiço da lua" (87) - é uma divertida viagem pelos meandros do destino guiada por uma dupla central atraente e de excelente química. Tomei, que anos mais tarde voltaria a ser levada a sério como atriz, com mais duas indicações ao Oscar - por "Entre quatro paredes" (01) e "O lutador" (08) - não foi um erro da Academia. Ela sempre foi uma atriz deliciosa de se assistir.

Nenhum comentário: