segunda-feira, 16 de março de 2015

AFINADO NO AMOR

AFINADO NO AMOR (The wedding singer, 1998, New Line Cinema, 95min) Direção: Frank Coraci. Roteiro: Tim Herlihy. Fotografia: Tim Suhrstedt. Montagem: Tom Lewis. Música: Teddy Castelucci. Figurino: Mona May. Direção de arte/cenários: Perry Andelin Blake/Lisa Deutsch. Produção executiva: Brad Grey, Sandy Wernick. Produção: Jack Giarraputo, Robert Simonds. Elenco: Adam Sandler, Drew Barrymore, Christine Taylor, Allen Covert, Alexis Arquette, Matthew Glave, Christina Pickles, Billy Idol. Estreia: 13/02/98

Comediante dos mais populares nos EUA, Adam Sandler nunca teve o mesmo apelo de bilheteria no Brasil, onde frequentemente via seus filmes ignorados ou lançados diretamente em VHS, como foi o caso de "Um maluco no golfe" e "O rei da água", que renderam horrores no mercado americano e não interessaram em nada ao público brasileiro. Por essa razão, só mesmo a presença sempre carismática e luminosa de Drew Barrymore como sua parceira de cena explica a boa aceitação de "Afinado no amor", uma divertida e nostálgica comédia romântica que tem como principal trunfo situar sua trama em 1985 - com toda a sua cafonália visual e deliciosa trilha sonora como elementos narrativos. Sem buscar nada mais do que entreter e encantar a plateia, o diretor Frank Coraci - que trabalhou com Sandler em "O rei da água" e o posterior "Click" - fez uma deliciosa homenagem a um dos períodos mais ricos em cultura pop da história ao mesmo tempo em que conta uma história de amor simpática e simples, carregada de bom humor e referências culturais capazes de fazer sorrir o mais empedernido espectador.

O protagonista vivido por Sandler - e que dá o título original do filme - é Robbie Hart, um cantor de casamentos alegre, otimista e simpático que contagia a todos com sua energia positiva que extrapola suas performances profissionais. Sua alegria aparentemente inesgotável, porém, leva um duro golpe quando, justamente no dia de seu casamento com Linda (Angela Featherstone), ele é abandonado no altar, acusado de ser um homem sem ambições outras senão viver tocando nas festas de outras pessoas. Arrasado e devastado emocionalmente, ele torna-se um homem triste, mas recupera a vontade de viver com a ajuda de Julia Sullivan (Drew Barrymore, encantadora), uma garçonete que também está de casamento marcado - com o pouco confiável Glenn (Matthew Glave) - e faz questão que ele seja seu cantor oficial. A relação de amizade entre os dois, logicamente, esconde o que só eles mesmos não conseguem perceber: uma nascente paixão.


E é só isso. A história simples é apenas desculpa para um desfile de citações oitentistas, piadas ingênuas, figurinos excêntricos e uma trilha sonora pra lá de inspirada, que ressuscita clássicos pop de nomes como Culture Club - homenageado também na figura de um dos cantores de apoio de Robbie, o andrógino George (Alexis Arquette, irmão de Patricia e Rosanna) - The Cure, David Bowie, Madonna - cuja "Holiday" serve de piada em uma sequência hilariante - e Billy Idol, que incrementa sua participação com uma aparição surpresa no desfecho da trama. Sem preocupar-se em aprofundar o desenho de seus personagens - que no fundo são apenas arquétipos do gênero - o roteiro conquista o espectador convidando-o a uma saudável viagem nostálgica que ousa no fato de, ao contrário de suas comédias românticas contemporâneas, apostar na ingenuidade e na delicadeza, abdicando de cenas picantes e fazendo de sua Julia uma mocinha à moda antiga, independente e forte, mas doce e encantadora - um tipo de personagem do qual Barrymore especializou-se no final dos anos 90, depois de tentar uma fase vamp em sua volta ao cinema.

E, mesmo que não seja uma unanimidade entre o público brasileiro, Adam Sandler também acaba sendo um destaque de "Afinado no amor". Com seu jeitão apatetado e inofensivo, ele se encaixa perfeitamente em Robbie Hart, fazendo do cantor de casamentos uma espécie de alter-ego que desarma até o mais feroz de seus detratores. É difícil não simpatizar com seu drama romântico nem ficar sem torcer para que ele e Julia finalmente se acertem - boa parte também devido à ótima química entre ele e Drew Barrymore. Conduzida com mão leve e ilustrada com o melhor da música dos anos 80, a história de amor entre o cantor desiludido e a garçonete ingênua é uma das melhores opções do gênero da década seguinte. Uma pequena pérola cult para ver e rever sempre.

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