terça-feira, 3 de março de 2015

ROMY & MICHELE

ROMY & MICHELE (Romy & Michele's High School reunion, 1997, 92min) Direção: Robin Schiff. Roteiro: Robin Schiff, peça teatral "The ladies room", de sua autoria. Fotografia: Reynaldo Villalobos. Montagem: David Finfer. Música: Steve Bartek, James Newton Howard. Figurino: Mona May. Direção de arte/cenários: Mayne Berke/Jackie Carr. Produção executiva: Barry Kemp, Robin Schiff. Produção: Laurence Mark. Elenco: Mira Sorvino, Lisa Kudrow, Janeane Garofalo, Alan Cumming, Justin Theroux. Estreia: 25/4/97

Quando o sucesso da telessérie "Friends" começou a tornar-se um fenômeno de proporções globais, seus atores imediatamente embarcaram na tentativa de transferir sua popularidade para o cinema, tido como uma arte maior e de mais prestígio - fato que foi se transformando com o passar dos anos, quando a TV, graças aos canais por assinatura, atingiu o status que tem hoje. De suas três atrizes, apenas Courteney Cox se deu bem à época, mesmo que não fosse a protagonista absoluta de "Pânico" - que rendeu mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias. Jennifer Aniston optou pela comédia romântica - gênero ao qual se mantém presa até hoje, com raras e louváveis exceções - com "Paixão de ocasião", que estreou em agosto de 1997 com sucesso razoável e Lisa Kudrow seguiu a regra do "em time que está ganhando não se mexe" e protagonizou "Romy & Michele", uma comédia baseada em uma peça de teatro que ela mesma protagonizava e que explorava sem limites o tipo de humor que a consagrou como a desmiolada Phoebe Buffay. Com uma renda inferior a 30 milhões, o filme de Robin Schiff - também autor do roteiro e da peça - acabou, com o tempo, virando uma espécie de cult movie, adorado pelos fãs de Kudrow e pelo humor bobalhão e ingênuo do roteiro, que diverte sem exigir nada dos neurônios.

No fundo uma crítica debochada à obsessão americana pelo sucesso, pela eterna juventude e pela beleza estética - além de uma carinhosa homenagem à amizade feminina - "Romy & Michele" é quase uma sucessão de quadros cômicos que, unidos por um roteiro quase óbvio, cria uma linha narrativa quase simplória mas que, visto seu objetivo único de fazer rir, mostra-se eficiente o bastante. Sem preocupar-se em aprofundar seus personagens, que estão em cena apenas para cumprir os papéis estereotipados planejados pelo roteiro, Schiff brinca com um dos maiores clichês do cinema americano - a festa de reencontro de alunos do ginásio - ao mesmo tempo que oferece ao público tiradas sarcásticas a respeito dos anos 80, da condição feminina nos anos 90 e até do culto à celebridade que alcançaria picos somente depois da entrada do século XXI. Sem poupar bom-humor e aproveitando-se de uma trilha sonora deliciosa, o filme é uma típica sessão da tarde descompromissada, capaz de arrancar gargalhadas mesmo que acabe se tornando posteriormente em mais um guilty pleasure.


Colegas e amigas desde a infância, Romy White (Mira Sorvino voltando ao tipo loira burra que lhe rendeu o Oscar de coadjuvante por "Poderosa Afrodite") e Michele Weinberg (Lisa Kudrow) moram juntas desde o fim da escola, em 1987. Sempre isoladas de todos os grupos - não eram as mais populares nem tampouco as nerds - elas saíram de sua cidade do interior e foram morar em Los Angeles, com o objetivo de levar um vida mais agitada e repleta de possibilidades. Dez anos depois, pouca coisa aconteceu. Romy trabalha como recepcionista em uma garagem, Michele está desempregada e ambas estão solteiras e sem reais expectativas de arrumar um namorado. Quando recebem o convite para o reencontro de sua turma do ginásio, porém, elas percebem que não podem aparecer diante dos colegas - todos eles provavelmente bem-sucedidos, casados e ricos - sem ostentar uma existência mais poderosa e glamourosa. Sendo assim, resolvem reinventar-se como duas executivas importantes - inventoras do post-it - para surpreender a todos que as subestimavam. O problema é quando a mal-humorada Heather Mooney (Janeane Garofalo), que sabe a verdade sobre as duas, aparece na festa.


Quem procura uma comédia sofisticada deve passar ao largo de "Romy & Michele". A missão do filme de Robin Schiff é unica e exclusivamente fazer rir, seja dos exageros visuais oitentistas, seja dos absurdos a que se submetem as pessoas para criarem uma imagem diante dos outros, seja da capacidade do ser humano em transformar pequenas crises em enormes problemas. Contando com uma dupla afinadíssima nos papeis principais e algumas piadas sensacionais que valem o filme inteiro, como a tirada de sarro em cima da canção-tema de "Footlose", a obra apresenta um resultado final irregular, mas engraçado o suficiente para garantir uma boa hora e meia de entretenimento descompromissado. Uma bola dentro na carreira de Lisa Kudrow, que mais tarde se mostraria uma atriz capaz de voos bem mais altos, como na comédia dramática "O oposto do sexo", de Don Roos, onde vive uma solteirona recalcada apaixonada pelo cunhado gay.

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