domingo, 3 de maio de 2015

LEGALMENTE LOIRA

LEGALMENTE LOIRA (Legally blonde, 2001, MGM Pictures, 96min) Direção: Robert Luketic. Roteiro: Karen McCullah, Kirsten Smith, romance de Amanda Brown. Fotografia: Anthony B. Richmond. Montagem: Anita Brandt Burgoyne, Garth Craven. Música: Rolfe Kent. Figurino: Sophie de Rakoff Carbonell. Direção de arte/cenários: Melissa Stewart/Kathy Lucas. Produção: Ric Kidney, Marc Platt. Elenco: Reese Witherspoon, Luke Wilson, Matthew Davis, Selma Blair, Victor Garber, Ali Larter, Jennifer Coolidge, Raquel Welch. Estreia: 26/6/01

A princípio parece apenas e simplesmente mais uma comédia bobinha que celebra a futilidade e as aparências - e no fundo talvez seja exatamente isso. Mas o fato é que "Legalmente loira", ao eleger como protagonista uma patricinha incurável (e por isso mesmo adorável) tentando encontrar seu lugar em um mundo hermético a suas ideologias estéticas e hedonistas, tornou-se um sucesso instantâneo de bilheteria, arrecadando quase 100 milhões de dólares somente no mercado doméstico - e uma pequena fortuna ao redor do mundo, também seduzido pelo carisma de sua atriz principal, Reese Witherspoon -  no filme que fez dela uma estrela milionária cinco anos antes de seu Oscar por "Johnny & June".

Escolha perfeita para o papel central, Witherspoon vive com graça e excelente timing cômico a superficial e popular Elle Woods, principal referência de estilo, beleza e moda dentre suas amigas da fraternidade estudantil. Sua vida aparentemente perfeita vira do avesso, porém, quando seu namorado, Warner (Matthew Davis) - igualmente belo, popular e invejado - termina o namoro às vésperas de viajar para começar a faculdade de Direito: segundo ele, seus planos sérios de chegar à política americana estão ameaçados se ele mantiver a seu lado uma garota como Elle, fútil e incapaz de transmitir uma imagem sóbria e adulta. Desesperada e ofendida em seus princípios, a jovem não fica muito tempo na fossa e logo descobre uma maneira de provar ao rapaz que ele está errado em seu julgamento. Disposta a reconquistá-lo, Elle resolve também entrar na faculdade de Direito e depois de muito estudo, consegue nota suficiente para fazer parte do corpo discente da rígida Harvard. Praticamente ridicularizada por suas roupas de marca, sua aparência espalhafatosa e por seus modos poucos comuns aos alunos da universidade, ela ainda precisa enfrentar seu maior desafio: provar seu valor intelectual e roubar Warner de sua noiva, a séria e insossa Vivian Kesington (Selma Blair).


Para atingir seus objetivos, Elle não mede esforços e consegue ser chamada por seu professor, Callahan (Victor Garber), para fazer parte de um grupo de estudantes que o ajudará a defender uma cliente acusada de assassinar o marido milionário. Tal cliente, Brooke Taylor Windham (Ali Larter), famosa por seus vídeos de ginástica, acaba se identificando com Elle, para desprezo de Vivian, surpresa de Warner e admiração do sócio de Callahan, Emmett (Luke Wilson), que aos poucos passa a se interessar romanticamente pela desmiolada estudante. Enquanto isso, ela arruma tempo também para ajudar sua manicure, Paulette (a ótima Jennifer Coolidge) a conquistar o homem responsável pela correspondência de seu salão de beleza. Seus modos cativantes e honestos por fim terminam por derrubar as barreiras que a separam dos sisudos e preconceituosos colegas de faculdade.

Uma espécie de conto de fadas capitalista e hedonista, "Legalmente loira" cumpre com louvor seu papel de divertir sem compromisso: sua história simples e direta - baseada em romance de Amanda Brown -  não desperdiça tempo com subtramas desnecessárias (até mesmo a história de amor de Paulette é contada de forma rápida e eficaz) nem tampouco tenta ser mais do que simples entretenimento. Sua opção em não aprofundar seus personagens, ficando sempre na superfície de seus sentimentos de certa forma ecoa a personalidade do filme, uma trama cor-de-rosa e ligeira feita apenas para entreter despretensiosamente. Seu enorme sucesso - que acabou por gerar uma continuação fraca e anêmica - é uma prova de que, apesar dos dramas premiados, das superproduções milionárias e dos filmes independentes com ambições intelectuais maiores, sempre haverá espaço, no coração do público, para o riso fácil e ingênuo.

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