quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

ANTES E DEPOIS

ANTES E DEPOIS (Before and after, 1996, Caravan Pictures/Hollywood Pictures, 108min) Direção: Barbet Schroeder. Roteiro: Ted Tally, romance de Rosellen Brown. Fotografia: Luciano Tovoli. Montagem: Lee Percy. Música: Howard Shore. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Stuart Wurtzel/Gretchen Rau. Produção executiva: Roger Birnbaum, Joe Roth. Produção: Susan Hoffman, Barbet Schroeder. Elenco: Meryl Streep, Liam Neeson, Edward Furlong, Julia Weldon, Alfred Molina, Daniel von Bargen, John Heard. Estreia: 23/02/96

Nem sempre é possível confiar plenamente nos créditos iniciais de um filme. É isso que prova o drama "Antes e depois", lançado sem muito alarde em 1996 - talvez porque nem mesmo seus produtores acreditassem que o filme pudesse angariar mais do que indiferença apesar de sua equipe. Na abertura do filme, baseado em um romance inédito no Brasil, desfilam nomes capazes de impressionar qualquer cinéfilo: Meryl Streep e Liam Neeson liderando o elenco, Ted Tally - oscarizado por "O silêncio dos inocentes" - no roteiro, e Barbet Schroeder - diretor indicado à estatueta da Academia por "O reverso da fortuna" - no comando de todos. Acontece que, apesar de tantos talentos individuais, o resultado final é pálido e quase apático. Um drama com elementos policiais que nem comove nem sustenta seu suspense. E que vale a pena somente pelo prazer que sempre é assistir a uma atuação de Streep.

Aliás, nem mesmo ela, com seu talento excepcional, consegue dar muita consistência à uma trama que começa instigante e vai se esvaziando no decorrer dos minutos. Mesmo levantando discussões interessantes - até onde você iria para proteger seus filhos? até que ponto a verdade é tão importante a ponto de comprometer um futuro? - o filme de Schroeder acaba resvalando na superficialidade, ficando na indecisão entre uma boa trama policial e um potente drama familiar. Enquanto sua primeira metade promete uma boa dose de adrenalina e tensão, a segunda cai na banalidade, quase na preguiça. Difícil é crer que um roteirista como Tally e um diretor como Schroeder tenham conseguido realizar um obra tão desprovida de personalidade. Com um visual de telefilme - e uma trama igualmente morna - "Antes e depois" até segura uma sessão descompromissada, mas fica devendo ao espectador tudo aquilo que promete em seu primeiro ato.


A trama começa mostrando a rotina diária de um casal da classe média de uma pequena cidade do interior americano. Lá, o artista plástico Ben Ryan (Liam Neeson) e a pediatra Carolyn (Meryl Streep) criaram os dois filhos como um exemplo para a comunidade. Tal perfeição é abruptamente destroçada quando uma jovem adolescente é encontrada morta - com sinais de uma violenta agressão - e o filho mais velho dos dois, Jacob (Edward Furlong), passa a ser considerado suspeito do crime: namorado da vítima, ele foi visto com ela pouco antes de sua morte e, não sendo o bastante, está desaparecido da cidade. Em pânico, Ben encontra manchas de sangue no carro do filho e destrói algumas pistas que podem levar à polícia até ele. Hostilizados pelos moradores, Ben e Carolyn ainda são obrigados a encarar um julgamento quando o rapaz retorna, trazendo com ele uma versão da história que pode ou não ser a verdadeira.

O maior problema de "Antes e depois" é justamente sua indecisão - ou mudança de foco na segunda metade, o que no final das contas dá no mesmo. Enquanto a primeira hora do filme mantém o interesse do espectador com as investigações do caso, provocando nele uma curiosidade natural, sua segunda metade não apenas destrói o suspense com uma sequência anticlimática que elucida o crime da maneira menos excitante possível como inicia um drama ao estilo "Você decide" que nem mesmo a presença de Alfred Molina como um advogado de sucesso consegue salvar. Quando Ben e Carolyn substituem seu primeiro conflito - a busca pelo filho e a dúvida acerca de sua inocência - pelo segundo - o que deve ser revelado à justiça - o filme perde seu encanto e seu ritmo (já pouco empolgante). Resta ao público apenas o trabalho sempre intenso de Meryl Streep e Liam Neeson - já que a Edward Furlong pouco cabe mais do que manter o olhar chapado e metido a perigoso que ele utilizou anteriormente em "Cemitério maldito 2". Poderia - e deveria - ser bem melhor.

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