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quarta-feira

INFERNO NA TORRE

INFERNO NA TORRE (The towering inferno, 1974, 20th Century Fox/Warner Bros, 165min) Direção: John Guillermin, cenas de ação dirigidas por Irwin Allen . Roteiro: Stirling Siliphant, romances "The glass inferno", de Thomas N. Scortia, Frank M. Robinson e "The tower", de Richard Martin Stern. Fotografia: Fred Koenemkamp. Montagem: Carl Kress, Harold F. Kress. Música: John Williams. Figurino: Paul Zastupnevich. Direção de arte/cenários: William Creber/Raphael Bretton. Produção: Irwin Allen. Elenco: Paul Newman, Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway, Richard Chamberlain, Jennifer Jones, Fred Astaire, Susan Blakely, O.J. Simpson, Robert Vaughn, Robert Wagner. Estreia: 10/12/74

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Fred Astaire), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Canção ("We may never love like this again"), Direção de Arte/Cenários, Som
Vencedor de 3 Oscar: Fotografia, Montagem, Canção ("We may never love like this again")
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Fred Astaire)

Um fenômeno cinematográfico típico dos anos 70 - e que tentou uma sobrevida na década de 90 - o filme-catástrofe quase tornou-se uma espécie de gênero na indústria hollywoodiana, graças a sucessos como a série "Aeroporto" e "O destino do Poseidon". Em 1974, o filme que talvez tenha se tornado a quintessência do estilo levou multidões às salas de cinema, concorreu ao Oscar de melhor produção do ano, escalou um elenco de super-estrelas e, durante duas horas e meia, manteve o público em constante tensão - ancorado por efeitos especiais de última geração. "Inferno na torre" é o típico produto de entretenimento que o cinema americano sempre fez com maestria, ainda que peque no desenvolvimento pouco profundo de seus personagens - detalhe que fica em segundo plano, porém, uma vez que o roteiro, inspirado em dois romances de temática semelhante, consegue manter o suspense até seu final apoteótico.

Primeira vez na história que um filme foi co-produzido por dois grandes estúdios de Hollywood, "Inferno na torre" teve uma produção atípica. A Warner Bros, excitada com o sucesso de seu filme sobre o naufrágio do Poseidon, comprou os direitos do livro "The tower", escrito por Richard Martin Stern. Poucas semanas depois, a Fox, também ciente das possibilidades de lucro de um filme-catástrofe, arrebatou os direitos de "The glass inferno", de Thomas N. Scortia e Frank M. Robinson. Ao contrário do que aconteceria anos mais tarde em inúmeras circunstâncias em Hollywood - empresas diferentes competindo pela bilheteria com filmes similares - os dois estúdios resolveram então juntar forças em um único filme, já que ambos os romances tratavam de um incêndio em um arranha-céu (e coincidentemente ambos foram inspirados na construção do World Trade Center). Rachando as despesas de produção, eles também dividiriam o lucro: a Fox ficaria com a receita doméstica (EUA e Canadá) e a Warner com o lucro internacional. Tudo combinado, eles escalaram o roteirista Stirlig Siliphant para juntar as duas tramas em uma só, juntaram um elenco milionário, contrataram John Guillermin para assinar a co-direção - o produtor Irwin Allen fez questão de comandar as várias cenas de ação - e estavam preparados para correr para o abraço. Mas os problemas estavam apenas começando.


Reunir astros de primeira grandeza em um único set de filmagens não é tarefa das mais fáceis, especialmente quando tais astros são, digamos, temperamentais e egocêntricos. Os produtores de "Inferno na torre" descobriram isso da pior maneira possível. Escalado para viver o arquiteto Doug Roberts, Steve McQueen aceitou interpretar o chefe dos bombeiros desde que "alguém do mesmo calibre dele aceitasse interpretar o arquiteto". Paul Newman foi contratado, o papel do bombeiro teve que ser consideravelmente aumentado para ter exatamente o mesmo número de falas do arquiteto e uma espécie de rivalidade surgiu imediatamente entre os dois atores - que por pouco já não haviam dividido a tela em "Butch Cassidy e Sundance Kid" (69). Não bastasse isso, McQueen e a atriz Faye Dunaway proibiram quaisquer visitantes ao set de lhe dirigirem a palavra, além de McQueen também recusar-se a dar entrevistas para divulgar o filme. Além disso, Dunaway começou a incomodar a equipe com seus constantes atrasos e faltas, irritando William Holden a ponto do ator fazer-lhe sérias ameaças - o que resultou em um comportamento exemplar da atriz, que voltaria a contracenar com ele (e ganharia um Oscar por isso) em "Rede de intrigas". Tais problemas de bastidores, no entanto, não se refletiram no resultado final: "Inferno na torre" é o típico filme de ação hollywoodiano dos anos 70, com tudo que isso tem de bom e de ruim.

Os clichês dos filmes-catástrofe estão todos disponíveis para os fãs do gênero, na história do maior prédio do mundo que vê sua glória ser destruída já na festa de inauguração, quando um problema elétrico põe em chamas os andares mais altos da construção: existe o bombeiro heróico (McQueen), o arquiteto que se torna herói por acaso (Newman), os construtores vilões (Holden e Richard Chamberlain), a senhora que protege um casal de crianças (Jennifer Jones), figurantes que morrem queimados, momentos de tensão, uma trama romântica desnecessária (entre Newman e Dunaway) e até um gatinho de estimação que corre o risco de virar churrasco no meio da confusão orquestrada por Guillermin e Allen. Até mesmo o veterano Fred Astaire tem sua chance de brilhar - não dançando, é claro - mas na pele de um escroque que se apaixona por uma possível vítima de seus golpes. Astaire ganhou o Golden Globe de ator coadjuvante e chegou a ser sentimentalmente indicado ao Oscar, mas de certa forma desaparece diante do grandioso espetáculo pirotécnico que tornou-se um clássico da destruição. Para quem gosta é um prato cheio.

sábado

CINDERELA EM PARIS


CINDERELA EM PARIS (Funny face, 1957, Paramount Pictures, 103min) Direção: Stanley Donen. Roteiro: Leonard Gershe. Fotografia: Ray June. Montagem: Frank Bracht. Figurino: Edith Head, Givenchy. Produção: Roger Edens. Elenco: Audrey Hepburn, Fred Astaire, Kay Thompson. Estreia: 13/02/57

4 indicações ao Oscar: Fotografia, História e Roteiro Originais, Figurino, Direção de Arte

Em 1952, Stanley Donen co-dirigiu "Cantando na chuva", que, estrelado por Gene Kelly, legou ao mundo alguns dos mais encantadores momentos da história dos musicais no cinema. Cinco anos depois, foi a vez de comandar outro ícone absoluto da dança, Fred Astaire. Enquanto "Cantando" homenageava com humor e sarcasmo os bastidores do cinema, "Cinderela em Paris" alfinetava - de leve como convinha - o mundo da moda. Ao contrário do primeiro filme, no entanto, que intercalava cenas hilariantes com números de dança excitantes, a colaboração de Donen e Astaire não empolga tanto quanto deveria. E isso que, além de Astaire, o filme tem como protagonista a fulgurante Audrey Hepburn.

A ideia de juntar Hepburn - então no auge do sucesso - e Astaire - um símbolo da velha guarda dos musicais - não é nada má. Audrey já tinha ganho um Oscar por "A princesa e o plebeu" e fascinado as plateias com "Sabrina" e o bom e velho Fred ainda era adorado pela audiência. Mas na verdade a parceria quase não aconteceu. O primeiro nome cotado para viver a protagonista foi a da habitual parceira de Astaire, Cyd Charisse. No entanto, logo depois de ler o roteiro, a própria Audrey se interessou pelo projeto, mesmo contra seu agente da época. Para convencer os astros a assinarem os contratos, os produtores então utilizaram uma velha tática: asseguraram a atriz que Astaire já havia assinado com o filme e fizeram o mesmo com ele. Contratos assinados, era correr pro abraço. E não deu outra: o filme fez um grande sucesso, mesmo que não resista tão bem ao tempo quanto "Cantando na chuva".

A comparação de "Cinderela" com "Cantando" não é arbitrária. Além do diretor e do gênero, os dois filmes dividem a mesma intenção: contar uma história de amor tendo como pano de fundo um universo de glamour e sofisticação. E sofisticação é o que não falta quando o assunto é Audrey Hepburn. Aqui, ela vive Josephine Stockton, uma simples vendedora de livros, fascinada por filosofia e absolutamente desinteressada por tudo que se relaciona à moda e beleza. Um belo dia, durante o trabalho, acaba despertando o interesse do fotógrafo Dick Avery (Astaire), que vê nela tudo que é necessário para torná-la o rosto da mais nova campanha da revista onde trabalha ao lado da poderosa Maggie Prescott(Kay Thompson): personalidade, inteligência e charme. Para convencê-la a aceitar o trabalho, ele a convida para ir com a equipe para a capital francesa - onde ela pretende conhecer o líder de um movimento filosófico chamado "enfaticalismo" (uma sacada bastante engraçada). Lá, sob um cenário deslumbrante, entre visitas à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, os dois, como era de se esperar, acabam se apaixonando.


"Cinderela em Paris" é adorável quando foca sua atenção no rosto absurdamente belo de Audrey Hepburn (vestida mais uma vez pelo estilista Givenchy), mas torna-se um tanto aborrecido em diversos momentos, quando abandona a engraçada crítica à moda e ao existencialismo francês (em voga na época) para apresentar intermináveis números musicais. É preciso ser fã das coreografias elaboradíssimas de Astaire para envolver-se completamente com o filme, uma vez que boa parte de sua duração é preenchida com seus passos de dança (sozinho, com Hepburn, com Thompson). Ainda que seja uma delícia de vê-lo desafiando as leis da gravidade em cenários bonitos por natureza, não deixa também de ser um pouco cansativo, uma vez que, ao invés de ajudar a contar a história, tais cenas apenas servem para demonstrar os dotes do ator e dançarino.

Fosse um pouco mais curto e um pouco mais parcimonioso em seus excessivos números musicais, "Cinderela em Paris" poderia ser tão delicioso quanto "Cantando na chuva". Mas, mesmo com seus pequenos defeitos (principalmente para aqueles que não são entusiastas do gênero), é inesquecível graças ao carisma de seus atores principais. Afinal, quem resiste ao rosto choroso de Audrey Hepburn vestida de noivo em um belo cenário campestre em Paris?

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...