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quinta-feira

GUARDIÕES DA GALÁXIA

GUARDIÕES DA GALÁXIA (Guardians of the Galaxy, 2014, Marvel Studios/Marvel Enterprises, 121min) Direção: James Gunn. Roteiro: James Gunn, Nicole Perlman, comic books de Dan Abnett, Andy Lanning, personagens de Bill Mantlo, Keith Giffen, Jim Starlin, Steve Englehart, Steve Gan, Steve Gerber, Val Mayerik. Fotografia: Ben Davis. Montagem: Fred Raskin, Hughes Winborne, Craig Wood. Música: Tyler Bates. Figurino: Alexandra Byrne. Direção de arte/cenários: Charles Wood/Richard Roberts. Produção executiva: Victoria Alonso, Louis D'Esposito, Alan Fine, Nik Korda, Jeremy Latcham, Stan Lee. Produção: Kevin Feige. Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Lee Pace, Michael Rooker, Djimon Houson, John C. Reilly, Karen Gillan, Glenn Close, Benicio Del Toro. Estreia: 21/7/14

2 indicações ao Oscar: Maquiagem, Efeitos Visuais

Quem disse que apenas de super-heróis conhecidos e consagrados vive a Marvel? Em 2014, um filme que não tinha um personagem adorado pelo público (como Homem-Aranha, Thor, Capitão América ou Homem de Ferro) nem um astro capaz de arrastar multidões apenas por sua causa (o maior sucesso de seu ator central havia sido "Jurassic World", de 2013, que tinha nos dinossauros seu principal ponto de venda e interesse) surpreendeu a todos com uma bilheteria mundial de mais de 770 milhões de dólares. Confirmação absoluta do poder da marca Marvel, "Guardiões da galáxia" faz parte do mesmo universo dos Vingadores - do qual fazem parte os personagens citados acima - mas suas ligações com ele são apenas circunstanciais, perceptíveis apenas aos fãs mais antenados, que percebem cada detalhe que une todas as histórias em uma só. Àqueles que não tem o mesmo encantamento ou interesse pelo mundo de super-heróis que vem povoando as telas de cinema há quase uma década - os primeiros filmes dessa nova concepção foram "Homem de Ferro" e "O incrível Hulk", ambos de 2008 - o filme de James Gunn serve perfeitamente como uma divertida, agitada e descompromissada comédia de ação, comandada por um espetacular Chris Pratt e recheada de efeitos visuais caprichados e personagens coadjuvantes carismáticos e interessantes. Não à toa, apesar da incerteza acerca de sua bilheteria antes da estreia, o final já deixa claro que a aposta não era tão às cegas assim. Cinema de verão, afinal, é exatamente como "Guardiões da galáxia".

Visualmente impecável, o filme de James Gunn é quase infantil em seu humor fácil e personagens que prescindem de todo tipo de realismo, mas ainda assim consegue cativar todos os tipos de público. O roteiro - coescrito pelo diretor e por Nicole Perlman, primeira mulher a ter seu nome nos créditos de um roteiro da Marvel - usa e abusa do bom-humor, inserindo piadas nas horas exatas e fazendo de seu protagonista um personagem de quem é impossível desgostar. Sem levar-se demais a sério, a história é quase uma desculpa para uma sequência de bons momentos de ação e comédia, embalados em uma direção de arte de um colorido quase kitsch e uma trilha sonora deliciosa - uma seleção de hits da década de 80 que chegou ao número 1 da revista Billboard e foi indicada ao Grammy. Ilustrando espirituosamente uma trama recheada de efeitos visuais, explosões e personagens de aparência excêntrica (o filme concorreu ao Oscar de maquiagem, mas perdeu para "O Grande Hotel Budapeste"), as músicas escolhidas pelo diretor transformam o que já era entretenimento de primeira em uma viagem de montanha-russa na companhia de um grupo de adoráveis defensores da galáxia (ainda que alguns com intenções bem menos nobres do que simplesmente colocar a vida em risco por puro altruísmo).


A história começa na Terra, em 1988, quando o adolescente Peter Quill é abduzido por uma nave espacial logo depois da morte de sua mãe. Sem saber nem mesmo quem é seu pai, o rapaz leva consigo apenas uma fita cassete gravada por sua mãe com sucessos musicais da época e um pacote de presente ainda não aberto. Vinte e seis anos mais tarde, Quill trabalha como mercenário das galáxias, vendendo sua mão-de-obra e seu jogo de cintura em lidar com os mais variados tipos de alienígenas para resolver pequenos problemas interplanetários. Bem-humorado e feliz com sua atividade profissional (além de reconhecido e prestigiado por ela), Quill subitamente vê sua cabeça à prêmio quando, depois de roubar uma misteriosa esfera com o poder de destruir o mundo, passa a ser caçado pelo perigoso Ronan (Lee Pace) e seus violentos asseclas. Para defender-se (e ao mundo), ele se une então a um grupo no mínimo excêntrico, formado pelo ambicioso guaxinim Rocket (voz de Bradley Cooper), a árvore mutante Groot (voz de Vin Diesel), o agressivo Drax (Dauve Batista) e a vingativa Gamora (Zoe Saldana). Juntos, eles são a última esperança de impedir a destruição do universo.

A partir daí, dá-lhe cenas de ação que equilibram com destreza efeitos especiais caprichadíssimos (que perderam o Oscar para "Interestelar", de Christopher Nolan) e piadas realmente engraçadas e que surgem organicamente no roteiro - não como artifício narrativo, mas sim como parte essencial de um conjunto de extrema coesão. Agarrando com unhas e dentes o papel principal, Chris Pratt parece ter nascido para interpretar Peter Quill, com um misto de heroísmo, sarcasmo e pureza que o torna irresistível. Sua química com o restante da equipe é admirável, conduzida com leveza por James Gunn, um cineasta sem vasta experiência mas com inteligência o suficiente para explorar as maiores qualidades da trama (o humor, os personagens carismáticos, a despretensão) sem tentar impor um estilo próprio ou ousadias desnecessárias. Um excelente meio-termo entre entretenimento rápido e eficaz e um produto comercial gigantesco (por menores que fossem as expectativas trata-se de um filme da Marvel, afinal de contas), "Guardiões da galáxia" não conquistou às exigentes plateias mundiais à toa: é uma das mais gratificantes experiências do universo dos gibis, entregando mais do que prometia e apresentando ao público uma gama de personagens encantadores e simpáticos. Uma pérola do gênero!

sexta-feira

DIAMANTE DE SANGUE

DIAMANTE DE SANGUE (Blood diamond, 2006, Warner Bros, 143min) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Charles Leavitt, história de Charles Leavitt, C. Gaby Mitchell. Fotografia: Eduardo Serra. Montagem: Steven Rosenblum. Música: James Newton Howard. Figurino: Ngila Dickson. Direção de arte/cenários: Dan Weil/Olivia Bloche-Laine. Produção executiva: Len Amato, Kevin de la Noy, Benjamin Waisbren. Produção: Gillian Gorfil, Marshall Jerskovitz, Graham King, Paula Weinstein, Edward Zwick. Elenco: Leonardo DiCaprio, Djimon Houson, Jennifer Connelly, Michael Sheen, Kagiso Kuypers. Estreia: 08/12/06

5 indicações ao Oscar: Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Djimon Houson), Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som

Conhecido por filmes de visual estonteante e conteúdo um tanto raso - como "Lendas da paixão", "Coragem sob fogo" e "O último samurai" - o cineasta Edward Zwick surpreendeu a crítica quando lançou "Diamante de sangue", onde substituiu a fotografia esplendorosa de seus trabalhos anteriores por uma trama forte e violenta, que utiliza um triste fato real - os conflitos em Serra Leoa entre soldados do governo e forças rebeldes que lutam contra a opressão - para contar uma história dotada de ritmo e dramaticidade na medida certa. Ainda que se estenda demais em seu terço final, o filme estrelado por Leonardo DiCaprio e Djimon Houson facilmente se insere entre as melhores obras do cineasta.

Passado em 1999, durante a crise civil que dividia Serra Leoa, "Diamante de sangue" começa quando os soldados do governo invadem uma pequena ilha e fazem de refém, dentre dezenas de outros homens, o pescador Solomon Vandy (Djimon Houson, indicado ao Oscar de coadjuvante). Afastado da família para procurar diamantes, ele acaba encontrando uma enorme pedra preciosa, que esconde com o objetivo de, com sua venda, encontrar seus entes queridos. Em seu caminho, porém, ele cruza com Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário inglês que vê no diamante encontrado por Vandy seu passaporte para fora da África. Unidos, os dois tentarão escondê-lo das violentas trupes governamentais para atingir suas metas. Para isso, eles contam com a ajuda da jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly), disposta a revelar em uma reportagem todos os horrores que circundam o tráfico de diamantes da África.


Sem medo de apelar para a violência - suas sequências iniciais são de uma brutalidade ímpar - Edward Zwick consegue, em "Diamante de sangue" equilibrar com grande eficácia cenas de ação realistas com momentos de genuíno e emocionante drama, em especial quando direciona seu foco para a relação entre Solomon Vandy e seu filho pequeno, recrutado para tornar-se um pequeno soldado. A atuação de Djimon Houson é esplêndida, transmitindo toda a dor de um pai que se vê afastado da família só para encontrá-la em uma situação aterradora. Seu trabalho visceral encontra eco em Leonardo DiCaprio - indicado ao Oscar no mesmo ano em que também esteve no elenco do multipremiado "Os infiltrados". Mesmo que seja basicamente uma escada para o talento de Hounson - apesar de ser o primeiro nome dos créditos - o jovem ator consegue injetar humanidade a uma personagem não exatamente heroica, mas nem mesmo sua presença fez com que o filme encontrasse seu público nos cinemas americanos, onde rendeu pouco mais da metade de seu orçamento (bastante alto) de 100 milhões de dólares.

Intenso e sofrido, "Diamante de sangue" peca apenas por demorar demais a chegar a seu final, enrolando por bons quinze minutos com algumas cenas desnecessárias. Ainda assim, é suficientemente empolgante para manter a atenção do início ao fim e emocionar aos mais sensíveis. Belo programa!

sábado

CONSTANTINE

CONSTANTINE (Constantine, 2005, Warner Bros, 121min) Direção: Francis Lawrence. Roteiro: Kevin Brodbin, Frank A. Cappello, estória de Kevin Brodbin, HQ de Jamie Delano, Garth Ennis. Fotografia: Phillippe Rousselot. Montagem: Wayne Wahrman. Música: Klaus Badelt, Brian Tyler. Figurino: Louise Frogley. Direção de arte/cenários: Naomi Shohan/Douglas A. Mowat. Produção executiva: Gilbert Adler, Michael Aguilar. Produção: Lorenzo Di Bonaventura, Akiva Goldsman, Benjamin Melniker, Lauren Shuler Donner, Erwin Stoff, Michael E. Uslan. Elenco: Keanu Reeves, Rachel Weisz, Tilda Swinton, Dijmon Houson, Gavin Rossdale, Shia LeBeouf, Pruitt Taylor Vince, Peter Stormare. Estreia: 16/02/05

Depois do acachapante sucesso de "X-Men" e "Homem-aranha" qualquer herói de HQ que se preze começou a sonhar em virar protagonista de um filme bem-sucedido. Até mesmo personagens mais cultuados que populares entraram na fila e o resultado é "Constantine", adaptação de um comic book inglês que já chegou às telas debaixo de uma saraivada de críticas dos fãs, que foram principalmente contra a escalação do americano e moreno Keanu Reeves para encarnar a personagem principal, que na versão em papel é britânico e louro. No entanto, como boa parte do público nem sabia que existia a personagem antes que o filme estreasse, a obra de Francis Lawrence não ligou para esses detalhes e acabou se tornando apenas mais um produto de entretenimento bem embalado por efeitos visuais e um orçamento generoso que serve como um eficiente passatempo.

E é como um passatempo que “Constantine” deve ser encarado. Keanu Reeves continua o mesmo apático de sempre na pele do protagonista John Constantine, que segundo o roteiro, tem o dom de se comunicar com seres de outro mundo – no caso, anjos, demônios e afins. Sabendo que está com os dias contados devido a um câncer de pulmão, ele é procurado pela policial Ângela Doodson (Rachel Weisz, menos canastra do que o normal), cuja irmã gêmea acaba de cometer suicídio. Ela pede sua ajuda para provar que algo mais complexo do que o corriqueiro empurrou sua irmã para a morte e os dois acabam se envolvendo em uma trama que envolve a tentativa do filho do próprio demônio de subir à Terra.
        



Apesar de algumas ideias bastante interessantes – como a escalação de Tilda Swinton como o anjo Gabriel – e um visual sujo o bastante para transmitir a sensação de desesperança dos protagonistas, o filme de Lawrence carece principalmente de empatia. Da forma que é interpretado por Keanu Reeves, o herói John Constantine nunca chega a convencer plenamente, seja como detetiva seja com ser humano, mostrando mais uma vez as flagrantes falhas de Reeves como ator. É de se pensar se com outro ator mais talentoso em seu lugar o resultado não teria sido bem mais forte e marcante. Até mesmo o senso de humor negro que o roteiro tenta apresentar sofre com a apatia de seu protagonista.


“Constantine” funciona – e bem – como entretenimento. É bem realizado, tem uma história suficientemente interessante e uma fotografia caprichada – cortesia do veterano oscarizado Phillippe Rousselot. Mas perde a oportunidade tanto de ser um filme inesquecível quanto de começar uma franquia de grandes possibilidades financeiras. Talvez os fãs dos quadrinhos realmente tenham razão quanto à ira despertada pela escalação de Keanu Reeves.

sexta-feira

TERRA DE SONHOS


TERRA DE SONHOS (In America, 2003, Fox Searchlight Pictures, 105min) Direção: Jim Sheridan. Roteiro: Jim Sheridan, Naomi Sheridan, Kirsten Sheridan. Fotografia: Declan Quinn. Montagem: Naomi Geraghty. Música: Gavin Friday, Maurice Seezer. Figurino: Eimer Ní Mhaoldomhnaigh. Direção de arte/cenários: Mark Geraghty/Johnny Byrne. Produção: Arthur Lappin, Jim Sheridan. Elenco: Samantha Morton, Paddy Considine, Djimon Houson, Sarah Bolger, Emma Bolger. Estreia: 26/11/03

3 indicações ao Oscar: Atriz (Samantha Morton), Ator Coadjuvante (Djimon Houson), Roteiro Original

A julgar pelos furiosos trabalhos anteriores do diretor Jim Sheridan a chegar ao grande público – em especial os premiados “Meu pé esquerdo” e “Em nome do pai” – a última coisa que se poderia esperar a seu respeito é que ele fosse realizar um filme como “Terra de sonhos”, uma ode a uma América justamente em um dos momentos mais cruciais de sua auto-estima. Inspirado em fatos reais – em tese ocorridos com a família do próprio diretor, que escreveu o roteiro juntamente com suas filhas Naomi e Kirsten – seu novo filme é uma declaração de amor à família, ao amor e aos EUA enquanto terra das oportunidades

O filme começa com a chegada de uma família irlandesa a Nova York, no início dos anos 80. O aspirante a ator Johnny (o ótimo Paddy Considine) logo arruma emprego como taxista noturno enquanto luta por um lugar ao sol. Sua mulher, Sarah (Samantha Morton, em uma atuação esplêndida, indicada ao Oscar) começa a trabalhar como garçonete e suas duas filhas, Christy e Ariel (as encantadoras irmãs na vida real Sarah e Emma Bolger) não demoram a acostumar-se com a vizinhança, repleta de travestis e traficantes de drogas, apesar de não se darem tão bem assim na escola. A vida cheia de dificuldades da família logo se transforma quando eles ficam amigos do artista plástico Matteo (uma interpretação poderosa de Djimon Hounson, também concorrente ao Oscar), um imigrante africano que sofre de AIDS. Justamente nesse momento, Sarah se descobre grávida novamente, o que pode ajudar seu marido a superar a trágica morte de seu filho pequeno, ocorrida pouco antes de sua chegada à América.



Quando ainda tinha o título de "East of Harlem", o filme de Sheridan tinha como prováveis protagonistas oa ótimos Ewan McGregor e Kate Winslet, mas não há como negar que a escalação de Considine (um ator pouco conhecido pelo grande público) e Morton (revelada por Woody Allen em "Poucas e boas" e que roubou a cena de Tom Cruise em "Minority report, a nova lei") provou-se mais do que acertada. Longe do visual glamouroso de Hollywood, os atores ganham a audiência justamente por serem normais e verossímeis, o que seria bem menos fácil com a inclusão dos conhecidos McGregor e Winslet. Na pele de Johnny e Sarah, Considine e Morton mostram-se entregues, sofridos e esperançosos na medida certa e essa qualidade intangível é que eleva "Terra de sonhos" a um patamar dramático absolutamente fascinante.
  
 Escrito com sensibilidade e exalando carinho e esperança em cada cena, “Terra de sonhos” é um filme para ser assistido com o coração aberto, uma vez que apresenta cenas de grande apelo emocional, sem que apele para cenas desnecessariamente chorosas. A encantadora química que une os atores centrais transforma o que poderia ser um filme comum em uma experiência rica e devastadora, que seduz pela simplicidade e pela poesia de um trabalho inesquecível de um homem contando uma experiência pessoal sem ranços panfletários ou discursivos. Um filme a ser descoberto!

quinta-feira

GLADIADOR

GLADIADOR (Gladiator, 2000, Dreamworks SKG/Universal Pictures, 155min) Direção: Ridley Scott. Roteiro: David Franzoni, John Logan, William Nicholson, estória de David Franzoni. Fotografia: John Mathieson. Montagem: Pietro Scalia. Música: Hans Zimmer, Lisa Gerrard. Figurino: Janty Yates. Direção de arte/cenários: Arthur Max/Crispian Sallis. Produção executiva: Laurie MacDonald, Walter F. Parkes. Produção: David Franzoni, Branko Lustig, Douglas Wick. Elenco: Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Connie Nielsen, Oliver Reed, Richard Harris, Derek Jacobi, Djimon Hounson, Tomas Arana, Spencer Treat Clark. Estreia: 05/5/00

12 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Russell Crowe), Ator Coadjuvante (Joaquin Phoenix), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Figurino, Direção de Arte/Cenários, Efeitos Visuais, Som
Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Ator (Russell Crowe), Figurino, Efeitos Visuais, Som
Vencedor de 2 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Trilha Sonora Original

Houve uma época em que Hollywood adorava filmes de gladiadores, que constituíam uma espécie de gênero próprio dentro da indústria. Filmes como "Ben-hur", o recordista em número de Oscar por quarenta anos, lotavam salas e mais salas de cinema, criavam astros e solidificavam carreiras (ainda que Paul Newman tenha renegado eternamente sua estreia em "O manto sagrado"). Com o tempo, heróis vestindo sandálias deixaram de agradar a audiência, que ansiava por personagens mais próximos à sua realidade. Foi somente às vésperas do século XXI, com todos os recursos tecnológicos disponíveis, que um estúdio resolveu ressuscitar o gênero. Aliás, um estúdio não, e sim dois: assustados com o orçamento, que ultrapassou os 100 milhões de dólares, os executivos da DreamWorks (Steven Spielberg entre eles) resolveram unir-se à Universal Pictures para produzir o arriscado "Gladiador".

Arriscado? Sim. Décadas separavam "Gladiador" de seus antecessores bem-sucedidos e, a bem da verdade, pouca gente acreditava que o filme, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Russell Crowe (no auge da carreira graças ao sucesso de "Los Angeles, cidade proibida" e "O informante") pudesse tornar-se um êxito. Com mais de 450 milhões de dólares arrecadados pelo mundo e cinco Oscar na prateleira, incluindo Melhor Filme e Ator (mas não de diretor, em mais uma injustiça histórica), hoje é difícil não admirar e se apaixonar pela história concebida pelo roteirista David Franzoni nos anos 70. Grandiloquente, fascinante e emocionante, "Gladiador" é uma das obras-primas com que Hollywood brindou seu público no final dos anos 90, um espetáculo para os olhos e a alma.


Russell Crowe - substituindo Mel Gibson e Antonio Banderas, que foram sondados para o papel - vive Maximus Decimus Meridius, um poderoso e bem-quisto general que é escolhido pelo Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) como seu substituto para governar Roma. Sentindo-se traído, o filho do imperador, Commodus (Joaquin Phoenix) toma atitudes radicais: asfixia o próprio pai e manda executar Maximus e sua família. Sobrevivendo ao plano do ambicioso novo governante, o ex-general caído em desgraça é capturado e transformado em um escravo utilizado para lutar em arenas espanholas. Com o codinome de "Espanhol", ele torna-se um dos mais populares astros do entretenimento mais adorado pelo povo, enquanto planeja vingar-se do homem que destruiu sua vida. A chance acontece quando seu treinador, Proximus (Oliver Reed, que morreu antes do término das filmagens) recebe o convite para participar de um torneio na Itália. Maximus tem, então, a possibilidade de encarar seu maior inimigo frente a uma plateia de centenas de pessoas.

O roteiro de Franzoni (co-escrito por John Logan e William Nicholson) é um achado de simplicidade e fluência. Direto e sem firulas, ele consegue ser ágil sem parecer apressado, ser contemplativo sem parecer monótono e empolgante sem deixar de lado cenas mais emotivas, em especial quando o foco da narrativa passa a ser a relação entre Maximus e Lucilla (Connie Nielsen), irmã de Commodus que teve uma história de amor com o gladiador (e que tem um filho pequeno cuja paternidade nem chega a ser exatamente dúbia). Crowe e Nielsen transmitem uma paixão reprimida que impulsiona o lado mais romântico e sexy da trama, sem que isso prejudique o desenvolvimento daquilo que mais impressionou as multidões: as espetaculares cenas de ação, desde a batalha que dá início ao filme até as sangrentas lutas nas arenas, filmadas com competência absurda por um Ridley Scott no auge de seu vigor criativo. Scott comanda com firmeza milhares de figurantes, efeitos visuais premiados com o Oscar e um elenco de atores em dias inspirados. Se apenas Crowe ganhou sua estatueta - como prêmio de consolação por ter perdido no ano anterior por "O informante" e que lhe impediu de vencer no ano seguinte por "Uma mente brilhante" - tudo não passa de injustiça. Joaquin Phoenix está perfeito como o venal e covarde Commodus, Richard Harris brilha nas poucas cenas em que aparece como Marcus Aurelius e Oliver Reed comove com seu último trabalho na pele do amigo e protetor Proximus. Atuando em um cenário nunca aquém de deslumbrante e sob a trilha sonora inesquecível e arrepiante de Hans Zimmer e Lisa Gerrard - cuja canção final é de uma beleza tocante - o elenco escolhido por Ridley Scott não tem sequer uma falha, um exemplo que deveria ter sido seguido por todos os subprodutos que vieram no rastro do sucesso do filme.

"Gladiador" é um exemplo perfeito de tudo que Hollywood tem de bom a oferecer em termos de entretenimento. Funciona como aventura, como drama, como romance e como uma aula de narrativa clássica. Seu protagonista é carismático e convence como herói, dono de uma verdade que a estampa viril de Russell Crowe apenas confirma - que atire a primeira pedra quem não se arrepia com seu reencontro com Commodus. Seu vilão é cruel, cínico e vil como todos os bons antagonistas. E seu visual acachapante (e seu desenho de som sensacional) são uma festa para os sentidos. Uma obra-prima que dá muito orgulho a seus (bons) antecessores.

terça-feira

AMISTAD

AMISTAD (Amistad, 1997, Dreamworks SKG, 155min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: David Franzoni. Fotografia: Janusz Kaminski. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Ruth E. Carter. Direção de arte/cenários: Rick Carter/Rosemary Brandenburg. Produção executiva: Laurie MacDonald, Walter Parkes. Produção: Debbie Allen, Steven Spielberg, Colin Wilson. Elenco: Matthew McConaughey, Morgan Freeman, Djimon Hounson, Anthony Hopkins, Nigel Hawthorne, David Paymer, Pete Postletwhaite, Stellan Skarsgard, Anna Paquin, Paul Guilfoyle, Xander Berkeley, Arliss Howard. Estreia: 04/12/97

4 indicações ao Oscar: Ator Coadjuvante (Anthony Hopkins), Fotografia, Trilha Sonora Original/Drama, Figurino

Chega a ser inacreditável que o diretor de "Amistad" seja o mesmo Steven Spielberg que assinou filmes como "Os caçadores da Arca Perdida" e "ET, o extra-terrestre", filmes que, apesar de escapistas e estritamente comerciais, tinham a noção exata de ritmo. Arrastado, monotóno e em muitos momentos simplesmente desinteressante, o longa de Spielberg é uma prova cabal de que até mesmo os aparentemente infalíveis tem seus momentos equivocados.

Feito com a intenção de abocanhar uma penca de Oscar - objetivo que Spielberg nunca deixou de lado mesmo depois do sucesso de "A lista de Schindler" - "Amistad" decepcionou tanto aqueles que esperavam mais uma obra-prima do cineasta quanto os fãs de dramas épicos históricos, uma vez que não atinge o mesmo nível emocional de seus melhores filmes. Inspirado em uma história real - retratada no livro "Echo of lions", cuja autora Barbara Chase-Riboud moveu um processo contra os produtores - é um filme que tinha um enorme potencial, mas que ficou muito aquém de suas possibilidades. Culpa da opção de Spielberg em concentrar-se nas maquinações políticas da trama ao invés de seguir seu habitual caminho de comover o público.

A sequência inicial é poderosa e impressiona pelo cuidado visual (cortesia da belíssima fotografia de Janusz Kaminski e pela forte trilha sonora de John Williams): o ano é 1839 e o navio Amistad, indo de Cuba em direção aos EUA vê sua carga (escravos negros viajando para serem vendidos) iniciar uma violenta rebelião. Liderados por Cinque (Djimon Houson) - que deixou em sua terra natal uma história de crueldade e sofrimento contra sua família - os negros matam a maior parte da tripulação e exigem dos sobreviventes que os levem de volta para casa. Enganados, eles acabam aportando nos EUA, onde são presos acusados de assassinato. Sem falar uma palavra de inglês, eles vem seu caso ser assumido pelo advogado abolicionista Roger Sherman Baldwin (Matthew McConaughey). Aos poucos o caso ganha contornos outros - com vários países alegando a propriedade dos réus - e sofre uma reviravolta com a adesão do ex-presidente John Quincy Adams (Anthony Hopkins), também um fervoroso político anti-escravagista.



Tecnicamente "Amistad" é admirável como qualquer produto com a griffe de Spielberg. Da fotografia espetacular (que vai do escuro claustrofóbico às explosivas cores libertárias) à reconstituição de época detalhista, tudo é de encher os olhos. O elenco super estelar que desfila pela tela também chama a atenção pela diversidade: estão presentes desde veteranos consagrados como Anthony Hopkins (que concorreu ao Oscar por sua pequena participação) e Morgan Freeman até jovens promessas, como é o caso de Matthew McConaughey e de Djimon Houson (modelo sul-africano que ficou com o papel recusado por Denzel Washington e Cuba Gooding Jr. e que impressiona pela expressividade corporal). A trilha sonora de John Williams mais uma vez é adequada e delicada. Mas falta o essencial ao filme: coração.

É difícil de entender como Spielberg - que tem no currículo o sensível "A cor púrpura", que também toca na ferida do racismo - errou tanto a mão em "Amistad". Nem mesmo as cenas com mais potencial dramático (o passado de Cinque e a maneira cruel com que a tripulação tratava os escravos) conseguem emocionar a plateia, sedenta por boas cenas de impacto. Mesmo quando a plateia consegue ser arrebatada, a sensação é tão efêmera que não justifica duas horas e meia de duração. Isso sem falar em longas cenas em que as personagens discutem política americana do século XIX, que, mais do que interesse, desperta somente sono.

Em resumo, "Amistad" é um filme lindamente fotografado, com uma trama socialmente importante, realizado com todos os recursos milionários de Hollywood. Mas lhe falta o essencial: alma. E em um filme que fala sobre um tema tão caro quanto liberdade, isso é um pecado mortal.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...