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sexta-feira

PAPILLON (1973)


PAPILLON (Papillon, 1973, Allied Artists/Columbia Pictures, 151min) Direção: Franklin J. Schaffner. Roteiro: Dalton Trumbo, Lorenzo Semple Jr., livro de Henri Charrière. Fotografia: Fred Koenekamp. Montagem: Robert Swink. Música: Jerry Goldsmith. Figurino: Anthony Powell. Direção de arte/cenários: Anthony Masters. Produção executiva: Ted Richmond. Produção: Franklin J. Schaffner. Elenco: Steve McQueen, Dustin Hoffman, Victor Jory, Don Gordon, Anthony Zerbe. Estreia: 16/12/73

Indicado ao Oscar de Trilha Sonora Original

Era a receita para um grande sucesso. Um best-seller internacional de não-ficção. Um cineasta recém saído da consagração de uma chuva de Oscar. Um dos maiores e mais populares astros de Hollywood. E um ator em ascensão. Tudo estava a favor de "Papillon", adaptação do livro escrito por Henri Charrière que contava (com fartas licenças poéticas) seu período na famigerada Ilha do Diabo - uma das prisões mais seguras do mundo, localizada na Guiana Francesa. Depois de passar pelas mãos de Richard Brooks (que sonhava em ter Alain Delon e Jean-Paul Belmondo nos papéis centrais) e Roman Polanski (cujo projeto ruiu quando Warren Beatty recusou fazer parte do elenco), a produção finalmente chegou a Franklin J. Schaffner, que, do alto de seus Oscar de melhor filme e diretor por "Patton: rebelde ou herói?" (1970), pareceu a escolha mais acertada para transformar em imagens um roteiro que explorava tanto a relação de confiança e amizade os entre protagonistas quanto momentos da mais pura adrenalina. O resultado foi mais que positivo: elogios entusiasmados da crítica e sucesso de bilheteria. Porém, nem tudo foram flores durante as filmagens - e a esperança de colecionar mais algumas estatuetas morreu por motivos bem pouco relacionados à qualidade final da produção.

Os problemas começaram quando os produtores descobriram que, apesar da contratação de Dustin Hoffman pelo salário de 1,25 milhão de dólares, seu personagem no livro de Charrière era muito menor do que eles esperavam (uma questão que poderia ter sido evitada com uma leitura prévia do material original). A solução foi fazer com que o roteiro, escrito pelo premiado Dalton Trumbo e Loreno Semple Jr., expandisse sua importância no filme para acomodar o novo status de estrela do ator. E então, não bastassem os episódios de furtos nos sets construído na Jamaica (prejuízos que custaram cerca de trinta mil dólares à produção), uma crise de egos instalou-se nos bastidores quando chegou aos ouvidos de Hoffman (já então um ator considerado "difícil") a informação de que, apesar do mesmo destaque nos créditos que seu colega de cena Steve McQueen, seu salário era consideravelmente menor (a McQueen, já estabelecido como um dos grandes nomes de Hollywood, foram pagos 2 milhões de dólares). Tal revelação não ajudou em nada a relação entre os dois atores, que, a partir daí, tornou-se unicamente profissional, sem direito sequer a qualquer tipo de confraternização fora das câmeras. Nem mesmo a presença de Henri Charrière em pessoa nas filmagens ajudou a melhorar o clima, prejudicado pelo fato de que Schaffner e Trumbo ainda não estavam com o roteiro completo no início dos trabalhos: em encontros diários, os dois trabalhavam no que seria feito durante o dia de trabalho - o que resultou no fato de "Papillon" ter sido filmado quase todo em ordem cronológica, uma ajuda e tanto para o desempenho de seus atores.

 

E se Hoffman brilhou como o estelionatário Louis Dega, responsável por financiar as tentativas de fuga de seu companheiro Papillon, foi Steve McQueen quem recebeu os maiores elogios da crítica - principalmente por sua entrega ao papel a ponto de dispensar dublês em sequências perigosas. Porém, sua atuação, louvada unanimemente, não foi o suficiente para lhe garantir uma esperada indicação ao Oscar: apesar de concorrer ao Golden Globe de melhor ator dramático, McQueen se viu esnobado pela Academia e não demorou para que fofocas a respeito de sua vida pessoal servissem como explicação para a situação. Mulherengo contumaz, o ator não era bem visto pelos maridos da indústria, temerosos que seu charme viril pudesse causar o estrago que havia feito no casamento do produtor Robert Evans, um dos mais poderosos de então: durante as filmagens de "Os implacáveis" (1972), sua mulher, a atriz Ali McGraw, encantou-se pelo ator, seu colega de cena, e nem pensou duas vezes em pedir divórcio e abandonar os ambiciosos projetos do marido para viver sua história de amor. Certamente tal escândalo em um ambiente tão sexualmente hipócrita minou as chances de McQueen de ganhar uma estatueta, principalmente quando se percebe que "Papillon" foi seu último grande trabalho - ao menos o último a chamar a atenção do público e explorar seu carisma e talento em igual medida.

A despeito das questionáveis afirmações de Henri Charrière sobre seu período na prisão localizada na Guiana Francesa, a trama de "Papillon" empolga justamente pela presença de McQueen, um ator que se utilizava de um tom naturalista para aproximar-se do espectador mesmo em personagens de caráter duvidoso: mesmo que afirme ser inocente do homicídio que o condenou, o protagonista da história não oferece ao público maiores explicações sobre seu passado, deixando no ar toda e qualquer certeza a respeito de seu caráter. Ao roteiro tampouco interessa detalhes anteriores à sua condenação - o filme de Schaffner se dedica a equilibrar-se entre as tentativas de fuga de Papillon e suas consequências, muitas delas bastante violentas. O ritmo é um tanto problemático - uns vinte minutos a menos faria milagres pela narrativa - mas a química entre McQueen e Hoffman é admirável, especialmente quando se sabe da relação pouco amistosa entre ambos fora de cena. Com belas sequências de ação e bons momentos dramáticos, "Papillon" não chegou a ser visto por Carrière, morto de câncer no pulmão em julho de 1973, menos de seis meses antes da estreia, e nunca emplacou sua continuação, "Banco", nas telas. Mas tornou-se clássico o suficiente para merecer um remake em 2017, estrelado por Charlie Hunnam e Rami Malek. É um filme cult, ainda hoje capaz de envolver a plateia com seu misto de ação e homenagem à resistência humana.

quarta-feira

INFERNO NA TORRE

INFERNO NA TORRE (The towering inferno, 1974, 20th Century Fox/Warner Bros, 165min) Direção: John Guillermin, cenas de ação dirigidas por Irwin Allen . Roteiro: Stirling Siliphant, romances "The glass inferno", de Thomas N. Scortia, Frank M. Robinson e "The tower", de Richard Martin Stern. Fotografia: Fred Koenemkamp. Montagem: Carl Kress, Harold F. Kress. Música: John Williams. Figurino: Paul Zastupnevich. Direção de arte/cenários: William Creber/Raphael Bretton. Produção: Irwin Allen. Elenco: Paul Newman, Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway, Richard Chamberlain, Jennifer Jones, Fred Astaire, Susan Blakely, O.J. Simpson, Robert Vaughn, Robert Wagner. Estreia: 10/12/74

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Fred Astaire), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Canção ("We may never love like this again"), Direção de Arte/Cenários, Som
Vencedor de 3 Oscar: Fotografia, Montagem, Canção ("We may never love like this again")
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Fred Astaire)

Um fenômeno cinematográfico típico dos anos 70 - e que tentou uma sobrevida na década de 90 - o filme-catástrofe quase tornou-se uma espécie de gênero na indústria hollywoodiana, graças a sucessos como a série "Aeroporto" e "O destino do Poseidon". Em 1974, o filme que talvez tenha se tornado a quintessência do estilo levou multidões às salas de cinema, concorreu ao Oscar de melhor produção do ano, escalou um elenco de super-estrelas e, durante duas horas e meia, manteve o público em constante tensão - ancorado por efeitos especiais de última geração. "Inferno na torre" é o típico produto de entretenimento que o cinema americano sempre fez com maestria, ainda que peque no desenvolvimento pouco profundo de seus personagens - detalhe que fica em segundo plano, porém, uma vez que o roteiro, inspirado em dois romances de temática semelhante, consegue manter o suspense até seu final apoteótico.

Primeira vez na história que um filme foi co-produzido por dois grandes estúdios de Hollywood, "Inferno na torre" teve uma produção atípica. A Warner Bros, excitada com o sucesso de seu filme sobre o naufrágio do Poseidon, comprou os direitos do livro "The tower", escrito por Richard Martin Stern. Poucas semanas depois, a Fox, também ciente das possibilidades de lucro de um filme-catástrofe, arrebatou os direitos de "The glass inferno", de Thomas N. Scortia e Frank M. Robinson. Ao contrário do que aconteceria anos mais tarde em inúmeras circunstâncias em Hollywood - empresas diferentes competindo pela bilheteria com filmes similares - os dois estúdios resolveram então juntar forças em um único filme, já que ambos os romances tratavam de um incêndio em um arranha-céu (e coincidentemente ambos foram inspirados na construção do World Trade Center). Rachando as despesas de produção, eles também dividiriam o lucro: a Fox ficaria com a receita doméstica (EUA e Canadá) e a Warner com o lucro internacional. Tudo combinado, eles escalaram o roteirista Stirlig Siliphant para juntar as duas tramas em uma só, juntaram um elenco milionário, contrataram John Guillermin para assinar a co-direção - o produtor Irwin Allen fez questão de comandar as várias cenas de ação - e estavam preparados para correr para o abraço. Mas os problemas estavam apenas começando.


Reunir astros de primeira grandeza em um único set de filmagens não é tarefa das mais fáceis, especialmente quando tais astros são, digamos, temperamentais e egocêntricos. Os produtores de "Inferno na torre" descobriram isso da pior maneira possível. Escalado para viver o arquiteto Doug Roberts, Steve McQueen aceitou interpretar o chefe dos bombeiros desde que "alguém do mesmo calibre dele aceitasse interpretar o arquiteto". Paul Newman foi contratado, o papel do bombeiro teve que ser consideravelmente aumentado para ter exatamente o mesmo número de falas do arquiteto e uma espécie de rivalidade surgiu imediatamente entre os dois atores - que por pouco já não haviam dividido a tela em "Butch Cassidy e Sundance Kid" (69). Não bastasse isso, McQueen e a atriz Faye Dunaway proibiram quaisquer visitantes ao set de lhe dirigirem a palavra, além de McQueen também recusar-se a dar entrevistas para divulgar o filme. Além disso, Dunaway começou a incomodar a equipe com seus constantes atrasos e faltas, irritando William Holden a ponto do ator fazer-lhe sérias ameaças - o que resultou em um comportamento exemplar da atriz, que voltaria a contracenar com ele (e ganharia um Oscar por isso) em "Rede de intrigas". Tais problemas de bastidores, no entanto, não se refletiram no resultado final: "Inferno na torre" é o típico filme de ação hollywoodiano dos anos 70, com tudo que isso tem de bom e de ruim.

Os clichês dos filmes-catástrofe estão todos disponíveis para os fãs do gênero, na história do maior prédio do mundo que vê sua glória ser destruída já na festa de inauguração, quando um problema elétrico põe em chamas os andares mais altos da construção: existe o bombeiro heróico (McQueen), o arquiteto que se torna herói por acaso (Newman), os construtores vilões (Holden e Richard Chamberlain), a senhora que protege um casal de crianças (Jennifer Jones), figurantes que morrem queimados, momentos de tensão, uma trama romântica desnecessária (entre Newman e Dunaway) e até um gatinho de estimação que corre o risco de virar churrasco no meio da confusão orquestrada por Guillermin e Allen. Até mesmo o veterano Fred Astaire tem sua chance de brilhar - não dançando, é claro - mas na pele de um escroque que se apaixona por uma possível vítima de seus golpes. Astaire ganhou o Golden Globe de ator coadjuvante e chegou a ser sentimentalmente indicado ao Oscar, mas de certa forma desaparece diante do grandioso espetáculo pirotécnico que tornou-se um clássico da destruição. Para quem gosta é um prato cheio.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...