LIVRAI-NOS DO MAL (Deliver us from Evil, 2014, Screen Gems/Jerry
Bruckheimer Films, 118min) Direção: Scott Derrickson. Roteiro: Scott
Derrickson, Paul Harris Boardman, livro de Ralph Sarchie, Lisa Collier
Cool. Fotografia: Scott Kevan. Montagem: Jason Hellman. Música:
Christopher Young. Figurino: Christopher Peterson. Direção de
arte/cenários: Bob Shaw/Ellen Christiansen. Produção executiva: Paul
Harris Boardman, Glenn S. Gainor, Chad Oman, Mike Stenson, Ben Waisbren.
Produção: Jerry Bruckheimer. Elenco: Eric Bana, Édgar Ramírez, Olivia
Munn, Chris Coy, Dorian Missick. Estreia: 24/6/14
O cineasta Scott Derrickson adora misturar filmes de terror com outros gêneros que aparentemente não permitiriam tal conexão. Foi isso que ele fez em "O exorcismo de Emily Rose", de 2005, baseado em uma história real e que caiu no gosto da crítica e do público ao equilibrar com segurança um assustador conto de horror com um filme de tribunal. Quase dez anos - e um fracasso no caminho, o remake da ficção científica "O dia em que a Terra parou", de 2008 - o diretor voltou a buscar na fusão de estilos a inspiração para um novo trabalho. Nascia "Livrai-nos do mal", que misturava elementos dos filmes sobre possessões demoníacas com uma tradicional narrativa de filme policial. Não deu certo. Vendido como baseado em fatos reais - descritos pelo detetive da polícia nova-iorquina Ralph Sarchie em seu livro de mesmo nome - o filme acabou apenas empatando seu orçamento de 30 milhões de dólares nas bilheterias americanas e não convenceu a crítica. E o pior é que motivos não faltaram para tal apatia: apesar de ter o sempre dedicado Eric Bana à frente do elenco - substituindo a escolha inicial para o papel, Mark Wahlberg - o filme de Derrickson tropeça justamente no que tinha tudo para ser seu maior trunfo, e fica a dever tanto como filme de terror quanto como policial.
Tudo começa muito bem e dá para perceber o talento do diretor em criar um clima e prender a atenção da plateia: em uma noite chuvosa em Nova York, o detetive Ralph Sarchie (Eric Bana) encontra o corpo sem vida de um bebê jogado em uma lixeira e é chamado, junto a seu parceiro, Jimmy (Chris Coy), a atender um chamado no zoológico da cidade, onde uma mulher, aparentemente sem motivo algum, acaba de atirar seu filho pequeno na jaula dos leões. Os dois policiais chegam quando a criança já está a salvo, mas investigações mais profundas ligam a mulher, Jane Crenna (Olivia Horton), a um trio de ex-soldados americanos com históricos de comportamento violento e imprevisível. Sentindo vibrações pouco saudáveis à sua volta, Sarchie - conhecido por seus colegas como um homem cujos pressentimentos são sempre confiáveis - se aproxima do Padre Mendoza (Edgar Ramírez), um sacerdote pouco convencional que tenta convencê-lo que a razão da violência que cerca Jane é um ritual demoníaco que eles devem, juntos, tentar impedir de acontecer.
A produção de "Livrai-nos do mal" é exemplar. A fotografia sombria e em tons amarelados dá a exata dimensão do suspense da história (ainda que seja escura demais em alguns momentos) e a trilha sonora (apesar de apelar para o clichê quando usa The Doors como elo entre o mal e suas vítimas) pontua com destreza um bom desenho de som, que enfatiza sem espaço para dúvidas todos os (vários) momentos de tensão que pontuam a narrativa. Em especial no clímax - poderoso, perturbador e chocante, mas infelizmente prejudicado por sua demora em acontecer - a união de todos esses elementos dramáticos acontece de forma orgânica e inteligente, oferecendo ao público o que ele espera quando assiste a um filme de terror. Mas acontece que, ao tentar amenizar o tom sobrenatural da trama e fincá-la mais na realidade, o roteiro acaba por diluir o impacto de suas melhores sequências.
Eric Bana está bem na pele do protagonista, acertando mais uma vez em uma atuação que ilustra com perfeição os conflitos internos de seu personagem - que são revelados ao espectador em uma cena especialmente interessante - e Edgar Ramírez também está no ponto como o imprevisível Padre Mendoza. Os sustos estão todos no lugar, a maquiagem é caprichada e a tensão é palpável. Por que, então, "Livrai-nos do mal" não funciona tão bem como deveria? Talvez seja culpa do roteiro, que insiste em fazer um cruzamento nem sempre satisfatório entre os dois gêneros, talvez seja culpa da direção de Derrickson, que tenta abraçar muitas ramificações da trama sem saber como dar conta de todas elas. A história começa muito interessante, mas vai se esvaziando cada vez mais, até chegar a um final que, a despeito de extremamente bem-filmado, carece de força dramática - é pouco provável que o espectador ainda esteja se importando com os personagens quando chega o momento mais crítico da história, e isso, como se sabe, é um pecado mortal para qualquer filme.
No fim das contas, "Livrai-nos do mal" é um filme de terror superior à média, com uma produção bem cuidada e uma nítida preocupação em encantar e chocar a plateia com seu visual caprichado. Porém, erra feio ao tropeçar em suas próprias ambições, se arrastando sem muito critério até um clímax capaz de atenuar seus defeitos. Vale uma sessão, mas não será tão marcante quanto poderia.
Filmes, filmes e mais filmes. De todos os gêneros, países, épocas e níveis de qualidade.
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quarta-feira
segunda-feira
O GRANDE HERÓI
O GRANDE HERÓI (Lone survivor, 2013, Film 44/Emmett/Furla Films, 121min) Direção: Peter Berg. Roteiro: Peter Berg, livro de Marcus Lutrell, Patrick Robinson. Fotografia: Tobias Schliesser. Montagem: Colby Parker Jr.. Música: Explosions in the Sky, Steve Jablonsky. Figurino: Amy Stofsky. Direção de arte/cenários: Tom Duffield/Ron Reiss. Produção executiva: Braden Aftergood, Brandt Andersen, Remington Chase, Grant Cramer, Mark Damon, Simon Fawcett, Kerry Foster, Louis G. Friedman, George Furla, Stepan Martirosyan, Jeff Rice, Steven Saxton, Lauren Selig, Adi Shankar, Jason Shuman, Spencer Silna, Tamara Birkemoe. Produção: Sarah Aubrey, Peter Berg, Randall Emmett, Akiva Goldsman, Vitaly Grigoriants, Norton Herrick, Stephen Levinson, Barry Spikings, Mark Wahlberg. Elenco: Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Emile Hirsch, Ben Foster, Eric Bana, Alexander Ludwig, Rich Ting, Yousuf Azami. Estreia: 12/11/13
2 indicações ao Oscar: Edição de Som, Mixagem de Som
Alguns reclamaram que se trata de mais uma obra que exalta o
patriotismo americano - como se o louvado e superestimado "Sniper americano" fosse diferente ou ufanismo alterasse a
qualidade de um filme em termos cinematográficos. Mas o fato é que "O
grande herói", dirigido pelo ator/cineasta Peter Berg - que já havia
demonstrado seu interesse por temas polêmicos em "O reino", de 2007 e
comandou o mastodôntico fracasso "Battleship, a batalha dos mares" em
2012 - passa por cima de qualquer ideologia política para criar um
poderoso drama de guerra que surpreendeu nas bilheterias americanas
(tradicionalmente avesso a produções do gênero, salvo raras exceções) e
caindo no gosto da crítica - foi eleito um dos dez melhores filmes de 2013 pela conceituada National Board of Review.
A encenação crua e realista de Berg de uma história real, ocorrida em 2005, durante a guerra no Afeganistão - e que já estava nos planos do diretor desde 2008, quando ele leu o livro que deu origem ao roteiro - remete às duras e violentas cenas de "Falcão negro em perigo", que deu a Ridley Scott uma indicação ao Oscar de diretor em 2002. Porém, enquanto Scott aproveitou a oportunidade para explorar seu virtuosismo técnico, sem focar-se a contento nos dramas de seus inúmeros personagens, Berg segue um caminho quase inverso. Sim, as cenas de conflito físico são dirigidas com segurança invejável e não poupam a audiência de sentir-se dentro da ação - para o que colabora também a maquiagem detalhista e a edição de som (que concorreu a uma merecida estatueta do Oscar) - mas o roteiro também se dá ao trabalho de dedicar boa parte de seu segundo ato ao desenvolvimento de seus protagonistas. Logicamente não há tempo para uma maior profundidade, mas contar com um elenco coadjuvante formado por Emile Hirsch, Eric Bana e Ben Foster (especialmente o último, em mais uma atuação estupenda) já é meio caminho andado para provocar a empatia essencial a uma história que, de outra maneira, seria apenas mais um filme de guerra a preencher as sessões noturnas da televisão.
Também favorável a "O grande herói" - que conta a história de um grupo de fuzileiros americanos que veem falhar sua missão de capturar um líder da Al Qaeda nas montanhas do Afeganistão e precisam lutar pela sobrevivência - é a presença de seu ator central, Mark Wahlberg. Surgido no mundo do entretenimento como modelo de cuecas Calvin Klein e posteriormente como o rapper Marky Mark, Wahlberg se reinventou como ator respeitado, presente em filmes prestigiados como "Boogie nights", "Três reis" e "Os infiltrados", de Martin Scorsese, pelo qual chegou a ser indicado ao Oscar. Na pele de Marcus Luttrell - que lidera a missão e acaba encontrando a salvação onde menos poderia esperar (com a ajuda do grande herói do título nacional) - o ator mostra que sabe escolher boa parte dos projetos dos quais participa (deixemos de lado bobagens como "Sem dor, sem ganho") e se manter sempre em evidência na fugaz fogueira das vaidades hollywoodianas com filmes de visibilidade e qualidade dramática.
Uma das boas surpresas de sua temporada, "O grande herói" ganha o público logo nos créditos de abertura - em cenas que mostram o rígido treinamento dos fuzileiros - e mantém sua atenção durante duas horas de adrenalina nas alturas, que se encerram com uma melancólica versão da clássica "Heroes", de David Bowie, na voz de Peter Gabriel. Escapando com inteligência de ser apenas mais uma obra de patriotismo exarcebado para tornar-se um drama de guerra da melhor estirpe, é também um trabalho impecável de edição, fotografia e técnica. Enfim, um filme imperdível.
2 indicações ao Oscar: Edição de Som, Mixagem de Som
A encenação crua e realista de Berg de uma história real, ocorrida em 2005, durante a guerra no Afeganistão - e que já estava nos planos do diretor desde 2008, quando ele leu o livro que deu origem ao roteiro - remete às duras e violentas cenas de "Falcão negro em perigo", que deu a Ridley Scott uma indicação ao Oscar de diretor em 2002. Porém, enquanto Scott aproveitou a oportunidade para explorar seu virtuosismo técnico, sem focar-se a contento nos dramas de seus inúmeros personagens, Berg segue um caminho quase inverso. Sim, as cenas de conflito físico são dirigidas com segurança invejável e não poupam a audiência de sentir-se dentro da ação - para o que colabora também a maquiagem detalhista e a edição de som (que concorreu a uma merecida estatueta do Oscar) - mas o roteiro também se dá ao trabalho de dedicar boa parte de seu segundo ato ao desenvolvimento de seus protagonistas. Logicamente não há tempo para uma maior profundidade, mas contar com um elenco coadjuvante formado por Emile Hirsch, Eric Bana e Ben Foster (especialmente o último, em mais uma atuação estupenda) já é meio caminho andado para provocar a empatia essencial a uma história que, de outra maneira, seria apenas mais um filme de guerra a preencher as sessões noturnas da televisão.
Também favorável a "O grande herói" - que conta a história de um grupo de fuzileiros americanos que veem falhar sua missão de capturar um líder da Al Qaeda nas montanhas do Afeganistão e precisam lutar pela sobrevivência - é a presença de seu ator central, Mark Wahlberg. Surgido no mundo do entretenimento como modelo de cuecas Calvin Klein e posteriormente como o rapper Marky Mark, Wahlberg se reinventou como ator respeitado, presente em filmes prestigiados como "Boogie nights", "Três reis" e "Os infiltrados", de Martin Scorsese, pelo qual chegou a ser indicado ao Oscar. Na pele de Marcus Luttrell - que lidera a missão e acaba encontrando a salvação onde menos poderia esperar (com a ajuda do grande herói do título nacional) - o ator mostra que sabe escolher boa parte dos projetos dos quais participa (deixemos de lado bobagens como "Sem dor, sem ganho") e se manter sempre em evidência na fugaz fogueira das vaidades hollywoodianas com filmes de visibilidade e qualidade dramática.
Uma das boas surpresas de sua temporada, "O grande herói" ganha o público logo nos créditos de abertura - em cenas que mostram o rígido treinamento dos fuzileiros - e mantém sua atenção durante duas horas de adrenalina nas alturas, que se encerram com uma melancólica versão da clássica "Heroes", de David Bowie, na voz de Peter Gabriel. Escapando com inteligência de ser apenas mais uma obra de patriotismo exarcebado para tornar-se um drama de guerra da melhor estirpe, é também um trabalho impecável de edição, fotografia e técnica. Enfim, um filme imperdível.
terça-feira
A OUTRA
A OUTRA (The other Boleyn girl, 2008, Columbia Pictures/Focus Features, 115min) Direção: Justin Chadwick. Roteiro: Peter Morgan, romance de Phillippa Gregory. Fotografia: Kieran McGuigan. Montagem: Paul Knight, Carol Littleton. Música: Paul Cantelon. Figurino: Sandy Powell. Direção de arte/cenários: John-Paul Kelly/Sara Wan. Produção executiva: Scott Rudin, David M. Thompson. Produção: Alison Owen. Elenco: Natalie Portman, Eric Bana, Scarlett Johansson, Kristin Scott-Thomas, Jim Sturgess, David Morrissey, Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne, Juno Temple. Estreia: 15/02/08 (Festival de Berlim)
Os dramas relacionados à vida e governo do Rei Henrique VIII sempre interessaram ao cinema. Filmes como "Os amores de Henrique VIII" (1933) - que deu o Oscar de melhor ator a Charles Laughton - e "O homem que não vendeu sua alma" (1966) - estrelado por Robert Shaw e Paul Scofield e vencedor do prêmio máximo da Academia - trataram do assunto com seriedade e cuidado. Porém, nem sempre a veracidade histórica é o suficiente para agradar ao grande público, que prefere uma versão mais romanceada dos fatos. Ao menos é o que devem pensar os produtores da série de TV "The Tudors" e do filme "A outra" - homônimo de um drama de Woody Allen lançado em 1988 - baseado em romance de Phillippa Gregory. Enquanto no seriado o rei é interpretado pelo magérrimo (e um tanto andrógino) Jonathan Rhys-Meyers, no filme de Justin Chadwick (estreando como cineasta) ele é vivido pelo másculo e viril Eric Bana. Basta uma rápida olhada em qualquer imagem do monarca para perceber que nenhum dos dois atores chega perto da verdade, ao menos em termos físicos. Mas esse é apenas o menor dos problemas.
O romance de Gregory - parte de uma série de livros a respeito da dinastia Tudor - é um calhamaço que detalha com precisão os costumes da época em que se passa, transmitindo ao leitor uma visão bem nítida das situações vividas. O roteiro de Peter Morgan - também autor do script de "A rainha" - não tem muito esse cuidado, preferindo dedicar-se ao aspecto romanesco da trama, que trata do triângulo amoroso formado entre Henrique e as duas irmãs Bolena, Mary (Scarlett Johansson) e Ana (Natalie Portman), que, como todos sabem, acabou por dar-lhe uma filha, Elizabeth, que governou o país por muitos anos (e deu origem a dois filmes estrelados por Cate Blanchett). A opção por tratar a história como uma novela global dá certo do ponto de vista dramático - o elenco é acima de críticas - mas não empolga como cinema.
A falta de ousadia da direção de Chadwick compromete o resultado final de "A outra", tornando-o um filme pálido, principalmente levadas em conta as possibilidades imensas da história contada. Ainda assim, seu elenco - em especial Natalie Portman - é razão suficiente para elevá-lo acima da média. Portman, com seu jeito angelical escondendo objetivos nada nobres, rouba o filme, engolindo todos à sua volta - com a possível exceção da sempre ótima Kristin Scott-Thomas no papel de sua mãe. A bela Natalie esmaga a apática Scarlett Johansson sem fazer muita força, sendo beneficiada por uma personagem bem mais interessante, ainda que provida de escolhas nada éticas. É ela quem move o filme, que peca também por um ritmo claudicante e por um final anticlimático.
Para quem não sabe, a história é a seguinte: o casamento do rei Henrique VIII (Eric Bana fazendo o possível com uma personagem mal escrita) com Catarina de Aragão (Ana Torrent) está por um fio, devido à incapacidade da rainha de lhe dar um filho homem. Maquiavélico, o duque de Norfolk (David Morrissey), homem de confiança do rei, tem a ideia de apresentar ao monarca sua sobrinha Ana Bolena (Portman). Depois de tentar sem sucesso seduzí-lo, Ana vê sua irmã Mary (Scarlett Johansson) tornar-se sua amante. Uma gravidez de risco põe Mary de cama, e Anna tem novamente uma chance de provar-se mais digna de subir ao trono de rainha - nem que para isso precise tirar Catarina e sua irmã do caminho.
A história é realmente muito forte e interessante, mas acaba diluída por um roteiro condescendente e fraco, que só é valorizado pelo elenco, pela produção caprichada e por Natalie Portman, sempre uma atriz muito maior do que suas personagens.
quarta-feira
MUNIQUE
5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Steven Spielberg), Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Sonora Original
Ninguém tem dúvidas de que quando quer Steven Spielberg sabe muito bem como falar sério. Foi assim que ele conquistou seus dois Oscar de melhor diretor, por "A lista de Schindler" (93) e "O resgate do soldado Ryan" (98). E, não fosse Ang Lee e seu belo "O segredo de Brokeback Mountain" talvez o diretor mais bem-sucedido da história tivesse embolsado uma terceira estatueta por aquele que é seu filme mais polêmico e provavelmente o mais desprovido de sentimentalismos: "Munique", a recriação de uma das vinganças mais chocantes da história política contemporânea. Ao recriar o triste episódio que foi consequência do famigerado "setembro negro", Spielberg deixou de lado a parcialidade e entregou um suspense aterrador, capaz de deixar a plateia roendo as unhas de tensão. E o melhor ainda: conseguiu equilibrar tudo com um roteiro coeso e espaço para discussões e dramas pessoais do protagonista, vivido com garra e emoção pelo ótimo Eric Bana.
Bana - coadjuvante que roubou a cena em "Tróia" e "Falcão negro em perigo" - foi a escolha perfeita de Spielberg para ser o protagonista de "Munique". Na pele de Avner, o jovem recrutado pela primeira-ministra Golda Meir (Lynn Cohen, a Magda da série de TV "Sex and the city" em caracterização excepcional), o ator transmite em igual intensidade medo, raiva, angústia, solidão e desespero, jamais permitindo que sua personagem caia na superficialidade. Ao focar sua trama não apenas nos violentos atos de vingança do governo israelense contra os responsáveis pelo massacre dos atletas judeus nas Olimpíadas de Munique em 1972 mas também nos conflitos éticos e religiosos de seu protagonista, o diretor atinge um ponto alto em sua carreira - que infelizmente não encontrou seu público.
Realizado em tempo recorde e sem maiores alardes, "Munique" se apresenta como um estupendo thriller político, magistralmente fotografado e editado e dono de um roteiro espetacular, baseado no livro do jornalista George Jonas. Ao contrário do que fez em "A lista de Schindler" - onde revestiu a violência com a poética fotografia em preto-e-branco de Janusz Kaminski - e em "O resgate do soldado Ryan" - onde a fotografia granulada jogava o espectador no meio da guerra - Spielberg não teve medo de explicitar a violência em "Munique". Mesmo que sejam visualmente deslumbrantes, as cenas de assassinato do filme são de uma crueza e de uma força jamais vista na obra do cineasta, que não hesita em mostrar a violêmcia como ela é, em especial nas sequências que descrevem as mortes dos atletas - espalhadas pelo filme como uma lembrança do ponto de partida da trama.
Mas se a chacina das Olimpíadas é o empurrão para a trama - afinal é ela que precisa ser vingada por Avner e seus companheiros de missão - não o é para os conflitos que são discutidos veemente durante a projeção. Em um ato de coragem e inteligência, Spielberg não toma partido - como nas ocasiões anteriores - e deixa que suas personagens e seus atos falem por si. É exemplar, por exemplo, a cena em que inimigos se encontram em uma casa abandonada e discutem sobre a situação política e religiosa de seus países: ninguém está certo, ninguém está errado, e o diretor conduz a sequência com uma neutralidade impressionante para quem assinou clássicos da manipulação sentimental como "A cor púrpura" e "Império do sol" (grandes filmes, sem dúvida, mas desprovidos de imparcialidade emocional).
"Munique" é, talvez, o grande filme de Steven Spielberg. Forte, contundente, chocante e tecnicamente perfeito - além de possibilitar grandes voos de interpretação de seu protagonista e de coadjuvantes de peso como Geoffrey Rush, Daniel Craig e Mathieu Kassovitz - é também um de seus mais subestimados trabalhos. Azar de quem perdeu um dos grandes suspenses políticos de todos os tempos.
domingo
TRÓIA
TRÓIA (Troy, 2004, Warner Bros, 163min) Direção: Wolfgang Petersen. Roteiro: David Benioff, poesia "A ilíada", de Homero. Fotografia: Roger Pratt. Montagem: Peter Honess. Música: James Horner. Figurino: Bob Ringwood. Direção de arte/cenários: Nigel Phelps/Anna Pinnock, Peter Young. Produção: Wolfgang Petersen, Diana Rathbun, Colin Wilson. Elenco: Brad Pitt, Orlando Bloom, Eric Bana, Diane Kruger, Julie Christie, Peter O'Toole, Brian Cox, Brendan Gleeson, Sean Bean. Estreia: 14/5/04
Indicado ao Oscar de Figurino
Muito foi falado sobre os excessos de “Tróia”, a super-produção de Wolfgang Petersen sobre a Guerra entre Tróia e Esparta. Realizado com um orçamento milionário de cerca de 175 milhões de dólares e com uma renda abaixo do esperado no mercado americano, o filme, estrelado por Brad Pitt, foi massacrado pela crítica, ignorado pelas cerimônias de premiação e fez um barulho muito menos ensurdecedor do que se esperava de um projeto de seu porte. No final das contas, graças à arrecadação pelo resto do mundo, “Tróia” conseguiu se pagar, mas mesmo assim passou à história como um fracasso. Mas é realmente tão ruim como se pintou?
Na verdade, como história “Tróia” é uma nulidade. Chega a ser vergonhoso como o roteiro do prestigiado David Benioff – autor de “A última noite”, de Spike Lee – ignora fatos importantes e cria outros jamais citados com a única intenção de deixar a trama mais dramática e romanesca. Incorrendo na ira dos puristas, Benioff comprou briga também com o público menos ligado à mitologia, justamente por não se decidir entre narrar um romance capaz de desencadear batalhas grandiosas ou mostrar essas batalhas, timidamente filmadas por Roger Pratt apesar do orçamento generoso.

O filme começa quando o príncipe caçula de Tróia, o jovem Paris (o fraquíssimo Orlando Bloom) inicia uma história de amor com a bela Helena (a inexpressiva e nem tão bela assim Diane Kruger), esposa de um dos príncipes de Esparta. O flagrante adultério – e a subsequente fuga para casa – destrói a paz recém estabelecida entre os dois países e o rei de Esparta, Agamenon (o onipresente Brian Cox) cede aos desejos sanguinários de seu irmão Menelau (Brendan Gleeson) e declara guerra à Tróia. Para ajudá-los nas sangrentas batalhas lideradas pelo competente Heitor (Eric Bana), os espartanos contam com a ajuda do lendário Aquiles (Brad Pitt), que entra em uma guerra que não é sua quando tem seu primo assassinado por Heitor.
Como já foi dito, “Tróia” não deve ser visto como uma aula de História. Repleto de falhas e invenções, o roteiro - que desagradou totalmente ao cineasta Terry Gilliam, que recusou a oferta de dirigí-lo - ganha pontos quando humaniza personagens tidos como deuses, como Aquiles, por exemplo. No entanto, ao mesmo tempo em que faz isso, de certa forma enfraquece seu herói. Diante de um íntegro e valente Heitor vivido com sutileza e garra pelo sensacional Eric Bana, o personagem de Brad Pitt empalidece sem maiores chances de redenção e conseqüentemente leva a trama a um cruel impasse: pra quem se deve torcer afinal? Para um país que prefere começar uma guerra por uma mulher ou por um quase mercenário pop e arrogante? Essa dubiedade, que poderia elevar o filme a um patamar de maior inteligência, no entanto o amarra a uma quase esquizofrenia. Se levarmos em consideração que as cenas pretensamente climáticas do filme – a invasão de Tróia pelo cavalo de madeira dado de presente pelos gregos – são filmadas quase com preguiça e que o desenvolvimento dos personagens é quase nulo, certamente podemos afirmar que a obra do alemão Petersen é um fiasco. Mas se levarmos em conta a beleza da produção, a história bem contada (ainda que repleta de furos) e a atuação de nomes consagrados como Peter O’Toole – dono da cena mais tocante do filme – e jovens como Eric Bana, pode-se considerar “Tróia” como um filme que poderia ter sido extraordinário mas que nunca deixa de ser apenas razoável.
Indicado ao Oscar de Figurino
Muito foi falado sobre os excessos de “Tróia”, a super-produção de Wolfgang Petersen sobre a Guerra entre Tróia e Esparta. Realizado com um orçamento milionário de cerca de 175 milhões de dólares e com uma renda abaixo do esperado no mercado americano, o filme, estrelado por Brad Pitt, foi massacrado pela crítica, ignorado pelas cerimônias de premiação e fez um barulho muito menos ensurdecedor do que se esperava de um projeto de seu porte. No final das contas, graças à arrecadação pelo resto do mundo, “Tróia” conseguiu se pagar, mas mesmo assim passou à história como um fracasso. Mas é realmente tão ruim como se pintou?
Na verdade, como história “Tróia” é uma nulidade. Chega a ser vergonhoso como o roteiro do prestigiado David Benioff – autor de “A última noite”, de Spike Lee – ignora fatos importantes e cria outros jamais citados com a única intenção de deixar a trama mais dramática e romanesca. Incorrendo na ira dos puristas, Benioff comprou briga também com o público menos ligado à mitologia, justamente por não se decidir entre narrar um romance capaz de desencadear batalhas grandiosas ou mostrar essas batalhas, timidamente filmadas por Roger Pratt apesar do orçamento generoso.
O filme começa quando o príncipe caçula de Tróia, o jovem Paris (o fraquíssimo Orlando Bloom) inicia uma história de amor com a bela Helena (a inexpressiva e nem tão bela assim Diane Kruger), esposa de um dos príncipes de Esparta. O flagrante adultério – e a subsequente fuga para casa – destrói a paz recém estabelecida entre os dois países e o rei de Esparta, Agamenon (o onipresente Brian Cox) cede aos desejos sanguinários de seu irmão Menelau (Brendan Gleeson) e declara guerra à Tróia. Para ajudá-los nas sangrentas batalhas lideradas pelo competente Heitor (Eric Bana), os espartanos contam com a ajuda do lendário Aquiles (Brad Pitt), que entra em uma guerra que não é sua quando tem seu primo assassinado por Heitor.
Como já foi dito, “Tróia” não deve ser visto como uma aula de História. Repleto de falhas e invenções, o roteiro - que desagradou totalmente ao cineasta Terry Gilliam, que recusou a oferta de dirigí-lo - ganha pontos quando humaniza personagens tidos como deuses, como Aquiles, por exemplo. No entanto, ao mesmo tempo em que faz isso, de certa forma enfraquece seu herói. Diante de um íntegro e valente Heitor vivido com sutileza e garra pelo sensacional Eric Bana, o personagem de Brad Pitt empalidece sem maiores chances de redenção e conseqüentemente leva a trama a um cruel impasse: pra quem se deve torcer afinal? Para um país que prefere começar uma guerra por uma mulher ou por um quase mercenário pop e arrogante? Essa dubiedade, que poderia elevar o filme a um patamar de maior inteligência, no entanto o amarra a uma quase esquizofrenia. Se levarmos em consideração que as cenas pretensamente climáticas do filme – a invasão de Tróia pelo cavalo de madeira dado de presente pelos gregos – são filmadas quase com preguiça e que o desenvolvimento dos personagens é quase nulo, certamente podemos afirmar que a obra do alemão Petersen é um fiasco. Mas se levarmos em conta a beleza da produção, a história bem contada (ainda que repleta de furos) e a atuação de nomes consagrados como Peter O’Toole – dono da cena mais tocante do filme – e jovens como Eric Bana, pode-se considerar “Tróia” como um filme que poderia ter sido extraordinário mas que nunca deixa de ser apenas razoável.
quinta-feira
FALCÃO NEGRO EM PERIGO
FALCÃO NEGRO EM PARIS (Black Hawk down, 2001, Jerry Bruckheimer Studios, 144min) Direção: Ridley Scott. Roteiro: Ken Nolan, livro de Mark Bowden. Fotografia: Slawomir Idziak. Montagem: Pietro Scalia. Música: Hans Zimmer. Figurino: David Murphy, Sammy Howarth-Sheldon. Direção de arte/cenários: Arthur Max/Eli Griff. Produção executiva: Branko Lustig, Chad Oman, Mike Stenson, Simon West. Produção: Jerry Bruckheimer, Ridley Scott. Elenco: Josh Hartnett, Ewan McGregor, Tom Sizemore, Eric Bana, William Fichtner, Ewen Bremner, Sam Shepard, Ron Eldard, Ioan Gruffud, Thomas Guiry, Jason Isaacs, Zeljo Ivanek, Orlando Bloom, Tom Hardy. Estreia: 28/12/01
4 indicações ao Oscar: Diretor (Ridley Scott), Fotografia, Montagem, Som
Vencedor de 2 Oscar: Montagem, Som
Depois de perder um Oscar quase certo pela direção de "Gladiador" - que levou pra casa os prêmios de Melhor Filme e Ator (Russell Crowe) - o cineasta inglês Ridley Scott embarcou numa canoa furada que parecia auspiciosa, a continuação de "O silêncio dos inocentes" chamada simplesmente "Hannibal". Apesar do sucesso comercial, porém, a crítica não gostou nem um pouco da sequência (e estava coberta de razão, uma vez que o filme é tenebroso na pior acepção do termo) e o homem que havia legado ao mundo filmes do porte de "Alien, o oitavo passageiro", "Blade Runner, o caçador de andróides" e "Thelma & Louise" estava em um perigoso momento da carreira (ainda que não pudesse reclamar da bilheteria de seus filmes). Foi então que mais uma vez surpreendeu os fãs com um imponente, violento e realista filme de guerra baseado em fatos reais. "Falcão negro em perigo" não apenas lhe devolveu elogios e uma bela carreira financeira, mas também lhe deu uma merecida indicação ao Oscar de direção.
Filmado no Marrocos (que faz o papel de Mogadishu, Somália), "Falcão negro em perigo" é um filme caro, produzido por Jerry Bruckheimer, que leu o livro escrito pelo jornalista Mark Bowden antes de sua publicação e adquiriu os direitos imediatamente. Dirigido com realismo e crueza por Scott, é também uma obra que não faz muitas concessões ao comercial, apresentando sequências dolorosas e chocantes e fugindo do tradicional final feliz. "Falcão negro em perigo" não é um filme de Oliver Stone, portanto não há sentimentalismo no roteiro de Ken Nolan, que faz o possível para reduzir 18 horas de combate em palatáveis 144 minutos de duração - e cerca de 100 personagens em aceitáveis 39, vividos por um elenco excelente onde não há protagonistas, ainda que alguns nomes não precisem fazer muito esforço para se destacar.

O principal destaque do elenco de "Falcão negro em perigo" é o australiano Eric Bana, fazendo sua estreia em Hollywood. Recomendado a Scott por Russell Crowe, Bana consegue chamar a atenção da plateia sempre que entra em cena, mesmo que sua personagem não seja exatamente protagonista. Seu carisma esmaga Josh Hartnett (cujo rosto estampa o cartaz, provavelmente na expectativa de chamar a atenção do público feminino) a tal ponto que seu trabalho lhe rendeu convites para protagonizar o "Hulk" de Ang Lee e antagonizar Brad Pitt em "Tróia" (onde mais uma vez roubou a cena com uma personagem e uma atuação muito mais interessantes do que o galã máximo da América). Mas não é apenas o nome de Bana que enfeita os créditos de "Falcão negro em perigo". A seu lado estão nomes fortes como Ewan McGregor, Tom Sizemore, Sam Shepard e Orlando Bloom (além dos ainda pouco conhecidos Ioan Gruffud, Tom Hardy, Jeremy Piven e Hugh Dancy), todos envolvidos em uma trama tão empolgante e tensa que é difícil de crer que realmente tenha acontecido.
Tudo acontece no dia 03 de outubro de 1993, em Mogadishu, na Somália dominada pelo ditador Mohammed Farah Aidid. Um grupo de soldados americanos comandado pelo Major William Garrison (Sam Shepard) é escalado para fazer de reféns dois homens de confiança do ditador, em uma missão que a princípio levaria apenas uma hora. Quando um dos aviões americanos - um Falcão Negro - é abatido, porém, as coisas se complicam e quase 24 horas se passam até que os soldados sejam resgatados das mãos da milícia somali.
É difícil resumir tudo que acontece em "Falcão negro em perigo". O roteiro eletrizante de Nolan, somado à direção inspirada de Scott - chamado pelo elenco de "maestro do caos" durante as filmagens - e à equipe técnica impecável (justamente premiada com os Oscar de edição e som) fazem dele um programa obrigatório aos aficcionados do gênero e àqueles que sabem reconhecer bom cinema.
4 indicações ao Oscar: Diretor (Ridley Scott), Fotografia, Montagem, Som
Vencedor de 2 Oscar: Montagem, Som
Depois de perder um Oscar quase certo pela direção de "Gladiador" - que levou pra casa os prêmios de Melhor Filme e Ator (Russell Crowe) - o cineasta inglês Ridley Scott embarcou numa canoa furada que parecia auspiciosa, a continuação de "O silêncio dos inocentes" chamada simplesmente "Hannibal". Apesar do sucesso comercial, porém, a crítica não gostou nem um pouco da sequência (e estava coberta de razão, uma vez que o filme é tenebroso na pior acepção do termo) e o homem que havia legado ao mundo filmes do porte de "Alien, o oitavo passageiro", "Blade Runner, o caçador de andróides" e "Thelma & Louise" estava em um perigoso momento da carreira (ainda que não pudesse reclamar da bilheteria de seus filmes). Foi então que mais uma vez surpreendeu os fãs com um imponente, violento e realista filme de guerra baseado em fatos reais. "Falcão negro em perigo" não apenas lhe devolveu elogios e uma bela carreira financeira, mas também lhe deu uma merecida indicação ao Oscar de direção.
Filmado no Marrocos (que faz o papel de Mogadishu, Somália), "Falcão negro em perigo" é um filme caro, produzido por Jerry Bruckheimer, que leu o livro escrito pelo jornalista Mark Bowden antes de sua publicação e adquiriu os direitos imediatamente. Dirigido com realismo e crueza por Scott, é também uma obra que não faz muitas concessões ao comercial, apresentando sequências dolorosas e chocantes e fugindo do tradicional final feliz. "Falcão negro em perigo" não é um filme de Oliver Stone, portanto não há sentimentalismo no roteiro de Ken Nolan, que faz o possível para reduzir 18 horas de combate em palatáveis 144 minutos de duração - e cerca de 100 personagens em aceitáveis 39, vividos por um elenco excelente onde não há protagonistas, ainda que alguns nomes não precisem fazer muito esforço para se destacar.
O principal destaque do elenco de "Falcão negro em perigo" é o australiano Eric Bana, fazendo sua estreia em Hollywood. Recomendado a Scott por Russell Crowe, Bana consegue chamar a atenção da plateia sempre que entra em cena, mesmo que sua personagem não seja exatamente protagonista. Seu carisma esmaga Josh Hartnett (cujo rosto estampa o cartaz, provavelmente na expectativa de chamar a atenção do público feminino) a tal ponto que seu trabalho lhe rendeu convites para protagonizar o "Hulk" de Ang Lee e antagonizar Brad Pitt em "Tróia" (onde mais uma vez roubou a cena com uma personagem e uma atuação muito mais interessantes do que o galã máximo da América). Mas não é apenas o nome de Bana que enfeita os créditos de "Falcão negro em perigo". A seu lado estão nomes fortes como Ewan McGregor, Tom Sizemore, Sam Shepard e Orlando Bloom (além dos ainda pouco conhecidos Ioan Gruffud, Tom Hardy, Jeremy Piven e Hugh Dancy), todos envolvidos em uma trama tão empolgante e tensa que é difícil de crer que realmente tenha acontecido.
Tudo acontece no dia 03 de outubro de 1993, em Mogadishu, na Somália dominada pelo ditador Mohammed Farah Aidid. Um grupo de soldados americanos comandado pelo Major William Garrison (Sam Shepard) é escalado para fazer de reféns dois homens de confiança do ditador, em uma missão que a princípio levaria apenas uma hora. Quando um dos aviões americanos - um Falcão Negro - é abatido, porém, as coisas se complicam e quase 24 horas se passam até que os soldados sejam resgatados das mãos da milícia somali.
É difícil resumir tudo que acontece em "Falcão negro em perigo". O roteiro eletrizante de Nolan, somado à direção inspirada de Scott - chamado pelo elenco de "maestro do caos" durante as filmagens - e à equipe técnica impecável (justamente premiada com os Oscar de edição e som) fazem dele um programa obrigatório aos aficcionados do gênero e àqueles que sabem reconhecer bom cinema.
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