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quarta-feira

ARGENTINA, 1985

 


ARGENTINA, 1985 (Argentina, 1985, 2022, La Unión de los Ríos/Kenya Films/Infinity Hills, 140min) Direção: Santiago Mitre. Roteiro: Santiago Mitre, Mariano Llinás, Martín Mauregui (colaborador). Fotografia: Javier Julia. Montagem: Andrés Pepe Estrada. Música: Pedro Osuna. Figurino: Mônica Toschi. Direção de arte/cenários: Micaela Saiegh. Produção executiva: Phin Glynn, Cindy Teperman. Produção: Victoria Alonso, Santiago Carabante, Chino Darín, Ricardo Darín, Axel Kuschevatzky, Agustina Llambi Campbell, Santiago Mitre, Federico Posternak, Ana Taleb. Elenco: Ricardo Darín, Peter Lanzani, Alejandra Fletchner, Paula Ransenberg. Estreia: 03/9/2021 (Festival de Veneza)

Vencedor do Golden Globe de Melhor Filme Internacional

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional 


As cicatrizes que a ditadura militar deixou na sociedade argentina ainda se fazem sentir no país, mesmo depois de quatro décadas após seu final. Pelo menos é que dizem filmes como "A história oficial" (1985), de Luis Puenzo - que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro - e o novo "Argentina, 1985", o fascinante petardo do diretor Santiago Mitre que concorreu ao Oscar 2023 na mesma categoria. Porém, enquanto a obra-prima de Puenzo direcionava suas câmeras a um olhar mais particular sobre o trágico período político encerrado em 1983 (com a história de uma professora descobrindo as origens de sua pequena filha adotiva), a produção de Mitre se debruça explicitamente sobre os crimes cometidos pelos militares - estupros, assassinatos, torturas - para fazer uma espécie de inventário de suas atrocidades e, por consequência, alertar sobre os perigos de que voltem a acontecer. Momentoso, sóbrio e inteligente, o filme, estrelado pelo sempre ótimo Ricardo Darín, surge na hora apropriada, mas seu sucesso não deve ser creditado somente à sua importância política: "Argentina, 1985" é cinema de primeira linha, um filmaço que consegue unir, em duas horas e meia de projeção, entretenimento e relevância histórica.

O filme de Mitre elege como protagonista o promotor público Julio Strassera (Ricardo Darín), escalado para ser o responsável pelo julgamento dos militares de alta patente acusados da violenta repressão  contra os críticos ao governo ditatorial que dominou o país entre 1963 e 1983. Contando com o apoio do jovem advogado Luis Moreno Ocampo (Juan Pedro Lanzani) - que entra em rota de colisão com a família, formada por apoiadores do regime - e um grupo de estagiários cuja vontade de ganhar a causa é inversamente proporcional a sua pouca idade, Strassera aceita a missão contra a vontade, ciente das consequências de um julgamento tão polêmico. Porém, conforme as sessões avançam e as ameaças contra ele, sua mulher e seus filhos aumentam, ele vê aumentar cada vez mais sua sede de justiça - especialmente diante de depoimentos contundentes das vítimas, que estabelecem um grau de crueldade e violência impossíveis de ignorar. Strassera sabe que a condenação dos réus é a única forma de evitar que tal atrocidade venha a repetir-se.

 

Fugindo do tom semi-documental que fatalmente acomete produções de teor político, "Argentina, 1985" não abre mão, no entanto, de deixar bem clara as suas intenções de desenterrar o passado sombrio do país. O roteiro, perfeitamente equilibrado entre dramas pessoais e questões jurídicas que jamais descambam para a verborragia técnica que poderia afastar o espectador, não hesita em explicitar, através de testemunhas e documentos, toda a fúria sanguinária de homens que tentavam, através da força física e psicológica, destruir seus inimigos políticos da forma mais vil. São momentos como esses, em que vítimas narram suas dores, que fazem do filme de Santiago Mitre um petardo histórico e emocional, em contraponto à frieza de todas as sequências em que são discutidos detalhes de bastidores. Em especial no terço final da produção, o cineasta parece abraçar definitivamente o desejo de comover a plateia, encaminhando-a para um clímax arrepiante e, melhor ainda, perfeitamente acurado e fiel aos fatos.

É admirável que o roteiro de "Argentina, 1985" - escrito por Mitre e Mariano Llinás - consiga a façanha de ser, ao mesmo tempo, informativo e dramaticamente consistente. Apesar de dedicar boa parte de sua narrativa a um estudo fidedigno dos processos jurídicos retratados e dos documentos oficiais, a trama encontra espaço suficiente para humanizar seus protagonistas e aproximá-los do espectador mais comum. Enquanto Strassera precisa lidar com as ameaças que sofre para abandonar o julgamento - em sequências tensas e editadas com precisão -, Ocampo sente na pele as consequências de enfrentar um sistema de violência ao tornar-se um pária dentro da própria família. Para isso, o diretor recebe o auxílio impecável de um elenco exemplar, liderado por Ricardo Darín, mais uma vez brilhante: um dos produtores do filme (ao lado do filho, o também ator Chino Darín), o astro mais popular do cinema argentino faz mais um gol de placa - e com o Golden Globe em mãos, voltou com prestígio à cerimônia da Academia, que em 2010 premiou o hoje quase clássico "O segredo dos seus olhos". Forte e tocante, "Argentina, 1985" é nada menos que obrigatório.

O FILHO DA NOIVA

O FILHO DA NOIVA (El hijo de la novia, 2001, Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales, 123min) Direção: Juan José Campanella. Roteiro: Juan José Campanella, Fernando Castets. Fotografia: Daniel Shulman. Montagem: Camilo Antolini. Música: Ángel Illarramendi. Figurino: Cecilia Monti. Direção de arte/cenários: Mercedes Alfonsin/Pablo Racioppi. Produção executiva: Juan Pablo Galli, Juan Vera. Produção: Mariela Besuievksy, Fernando Blanco, Pablo Bossi, Gerardo Herrero, Jorge Estrada Mora. Elenco: Ricardo Darín, Norma Aleandro, Héctor Alterio, Estreia: 16/8/01

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro


Mais do que apenas o representante oficial da Argentina ao Oscar de melhor filme estrangeiro na cerimônia de 2002, “O filho da noiva” marca também a segunda colaboração entre o roteirista/cineasta Juan José Campanella e o ator Ricardo Darín – vindo logo em seguida de “O mesmo amor, a mesma chuva” (99) e imediatamente antes do (esse sim oscarizado) “O segredo dos seus olhos” (2009). Já empregando alguns dos ingredientes que conquistam o espectador de seus trabalhos – a delicadeza da relação entre os personagens, o senso de humor sutil, a crítica discreta à sociedade argentina e doses comedidas de emoção -, o filme tornou-se um sucesso incontestável de público e confirmou Darín como o mais popular astro de cinema de seu país, a cara de uma filmografia que, a despeito da crise econômica, demonstrou uma corajosa vitalidade e uma supreendente criatividade. Dando sequência à boa fase que também ofereceu aos cinéfilos o divertido “Nove rainhas” (2000), “O filho da noiva” é valorizado ainda pela presença luminosa de Norma Aleandro – mesmo em um papel pequeno, a grande dama argentina rouba a cena com uma atuação que estabelece o tom sentimental e familiar da trama criada por Campanella.

Darín, competente como sempre, vive Rafael Belvedere, um quarentão em crise em praticamente todos os setores da vida: separado da primeira mulher, sofre pressão da parte dela para ter maior contato com a filha adolescente; sua nova namorada, Naty (Natalia Verbeke) cobra um comprometimento maior em sua relação; o restaurante de sua família passa por momentos complicados devido à crise econômica do país; e, para completar o panorama, seu pai, Nino (Héctor Alterio) tem planos de comemorar as bodas de prata de seu casamento com uma cerimônia de renovação de votos – um desejo complicado pelo fato de sua esposa, Norma (Norma Aleandro), estar internada em uma clínica, sofrendo de Alzheimer. Um inesperado ataque cardíaco e o reencontro com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de juventude, fazem com que Rafael reflita sobre sua vida e tente encontrar uma saída que o permita levar uma existência menos opressora e mais próxima de seus familiares.

Apesar de situar seu protagonista em meio a um furacão pessoal impiedoso, o roteiro de “O filho da noiva” evita pesar a mão no dramalhão, equilibrando, como é comum na filmografia de Juan José Campanella, momentos de extrema sensibilidade com outros dotados de um delicioso senso de humor. Mais uma vez Ricardo Darín se mostra o intérprete ideal para personagens criados pelo cineasta – seu rosto comum e de fácil empatia com o público traduz com perfeição o homem argentino médio, dividido entre trabalho e vida pessoal e lutando para atravessar suas crises pessoais sem perder a essência do que o faz um ser humano. E se seu carisma fortalece cada cena, ele encontra em Héctor Alterio e Norma Aleandro parceiros inestimáveis: sempre que a dupla de veteranos irrompe em cena, o filme se enche de beleza e emoção – principalmente em seus últimos momentos, quando Campanella finalmente resolve baixar a guarda e permitir que o público se entregue de vez às lágrimas.

Uma mistura agradável de drama familiar e comédia de costumes, “O filho da noiva” é, ao mesmo tempo, uma crítica sutil à sociedade argentina, soterrada por crises econômicas que empurram seus habitantes a sofríveis relações interpessoais enquanto luta pela sobrevivência. Rafael é um retrato vivo do país – alguém que, no fundo, precisa urgentemente reorganizar suas prioridades para reencontrar sua humanidade e autorrespeito. Juan José Campanella consegue o feito admirável de contar sua história de forma a nunca subestimar a emoção do espectador ao mesmo tempo em que o faz pensar sobre sua própria realidade social. Um belo filme – que perdeu o Oscar não para o franco-favorito “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, mas para o esloveno “Terra de ninguém”. Parecia que a Academia sabia que, por melhor que já parecesse, o cineasta conseguiria ser ainda melhor em um futuro próximo – que o diga “O segredo dos seus olhos”!

segunda-feira

NOVE RAINHAS

NOVE RAINHAS (Nueve reinas, 2000, FX Sound, 114min) Direção e roteiro: Fabian Bielinski. Fotografia: Marcelo Camorino. Montagem: Sergio Zottola. Música: Cesar Lerner. Figurino: Mônica Toschi. Direção de arte/cenários: Daniela Passalaqua/Marcelo Salvioli. Produção: Pablo Bossi. Elenco: Ricardo Darin, Gastón Pauls, Leticia Brédice, Oscar Nuñez, Ignasi Abadal. Estreia: 31/8/00

A cinematografia argentina, forte, criativa e inteligente, começou a despontar com toda a sua força no início dos anos 2000, quando passou a ser respeitada não apenas pela crítica e pelos assíduos frequentadores de cinematecas, mas também pelo público em geral, que só raramente tomava conhecimento de sua qualidade - até mesmo a Academia de Hollywood já havia se rendido a ela, lhe oferecendo, em 1985, o Oscar de melhor produção estrangeira por "A história oficial", de Luis Puenzo. Um dos primeiros filmes a chamar a atenção dos espectadores por sua mistura perfeita entre entretenimento e inteligência foi "Nove rainhas", um delicioso exercício de estilo do diretor Fabián Belinski que consegue a façanha de prender a atenção da audiência do primeiro ao último minuto sem precisar apelar para cenas de ação desnecessárias ou efeitos especiais milionários. Calcado basicamente em um roteiro repleto de diálogos saborosos, uma edição ágil e atores no topo de sua forma, Belisnki criou uma diversão perfeita - a ponto de chamar a atenção de Hollywood, que quatro anos mais tarde, lançou um remake estrelado por John C. Reilly e Diego Luna, logicamente sem o mesmo brilho.

Sem perder muito tempo - até mesmo os créditos só aparecerão no final da sessão - e indo diretamente ao ponto, o roteiro de "Nove rainhas" começa quando o jovem Juan (Gastón Pauls) é flagrado tentando dar um golpe em um mini-mercado e é socorrido pelo veterano Marcos (Ricardo Darín), que, se passando por policial, consegue administrar a situação e livrá-lo de uma punição mais severa do que um simples sermão. Longe do local da contravenção, o experiente Marcos - que vive de expedientes e de passar a perna em quem quer que esteja distraído - propõe sociedade ao novato, explicando que não gosta de trabalhar sozinho e que acaba de perder o parceiro. Convencido depois de perceber que o generoso estranho tem um vasto catálogo de truques, Juan - que precisa juntar dinheiro para ajudar ao pai, que está preso - aceita ser seu companheiro por um período. Depois de um tempo juntos, em que testam a capacidade um do outro em improvisar e escapar de imprevistos, os dois finalmente tem a grande chance de dar um golpe milionário - graças à involuntária presença de Valeria (Leticia Brédice), irmã de Marcos.





Revoltada com Marcos devido a problemas na herança que recebeu do pai, Valeria acaba por ser a responsável pelo reencontro do irmão com um antigo colaborador, Sandler (Oscar Nuñez), no hotel onde ela trabalha. Com a saúde frágil e debilitada, Sandler oferece a Marcos a possibilidade única de ganhar uma bolada, ao vender uma cartela de selos falsos - intitulada Nove Rainhas - a um colecionador milionário hospedado no local. Sabendo que a oportunidade é boa demais para ser recusada, Marcos e Juan aceitam o desafio e começam uma apressada jornada para conseguir fazer com que o pretenso comprador, Vidal Gandolfo (Ignasi Abadal), não saia de Buenos Aires sem a mercadoria que pode lhes deixar ricos. Para isso, apelam para as mais variadas e criativas mentiras - enquanto Juan se sente irremediavelmente atraído por Valeria.

E a partir daí, o roteiro do diretor Fabián Belinsky convida o espectador a uma montanha-russa: enquanto acompanha Marcos e Juan em suas tentativas nem sempre bem-sucedidas de enganar o próximo, o público se sente parte do cambalacho, mesmo que não saiba exatamente quem está enganando a quem. Recheando sua trama de reviravoltas e personagens pouco confiáveis, Belinsky exige da plateia atenção redobrada em cada diálogo, em cada expressão de seus atores, em cada silêncio revelador. Inserindo um humor inteligente e sardônico na narrativa, ele consegue transformar seus protagonistas em herois, mesmo que eles tenham, logicamente, grandes falhas de caráter - até mesmo Juan, que aprendeu com o pai todos os truques que conhece mas ainda mantém uma certa ética. A química excelente entre Ricardo Darín (o maior astro do cinema argentino) e Gastón Pauls é outro dos grandes trunfos do filme, que cativa e surpreende na medida exata, oferecendo um final de deixar qualquer um com um enorme sorriso estampado no rosto. Cinema de primeira linha!

sábado

O MESMO AMOR, A MESMA CHUVA

O MESMO AMOR, A MESMA CHUVA (El mismo amor, la misma lluvia, 1998, JEMPSA/Warner Bros, 113min) Direção: Juan José Campanella. Roteiro: Juan José Campanella, Fernando Castets. Fotografia: Daniel Shulman. Montagem: Camilo Antolini. Música: Emilio Kauderer. Figurino: Cecilia Monti. Direção de arte: María Julia Bertotto. Produção executiva: Ricardo Freixa. Produção: Jorge Estrada Mora. Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Ulises Dumont, Eduardo Blanco, Graciela Tenenbaum. Estreia: 16/9/99

Quem ficou encantado com a química entre Ricardo Darín e Soledad Villamil em "O segredo dos seus olhos" - inesperado vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010 - pode não saber, mas seu par romântico central já havia provocado faíscas dez anos antes, em outro filme dirigido pelo mesmo Juan José Campanella. "O mesmo amor, a mesma chuva", lançado em 1998, pode não ter o mesmo nível de qualidade técnica e narrativa de sua obra mais premiada, mas demonstra, sem sombra de dúvida, que Campanella já tinha um extremo cuidado em construir personagens verossímeis e falar de assuntos extremamente humanos e de fácil identificação com o público. Com um roteiro simples e personagens cativantes, seu filme conta uma simples história de amor que atravessa duas décadas e que comenta, em suas entrelinhas, o momento político atravessado pela Argentina nos anos 80.


Contada em forma de flashback, a história de amor entre o jornalista e escritor Jorge Pellegrini (Ricardo Darín) e a bela Laura Ramallo (Soledad Villamil) começa em 1980, quando ele a vê em uma tela de cinema, em um filme inspirado em um de seus contos. Ambos estão frustrados com suas carreiras incipientes - ele é obrigado a escrever contos para uma revista que não dá valor a seu talento, frequentemente cortando suas histórias, e ela ganha a vida como garçonete enquanto espera o retorno de um namorado que não lhe dá notícias há meses. Depois de alguns meses de relutância, finalmente o romance engata, mas o casal não demora a perceber que, apesar da paixão, os problemas insistirão em encontrar brechas em seu relacionamento. Com o passar dos anos, a batalha de Jorge em finalmente ser reconhecido como escritor - sempre incentivado por Laura - vai se misturando às mudanças políticas do país, e o desgaste natural ameaça por diversas vezes a manutenção dos sentimentos entre eles.


Com um roteiro assumidamente simples e sem firulas, "O mesmo amor, a mesma chuva" conquista justamente por sua objetividade e capacidade de tornar interessante até mesmo os acontecimentos mais banais. Graças à química incandescente entre Ricardo Darín e Soledad Villamil, os diálogos co-escritos por Campanella e Fernando Castets soam como poesia, ainda que versem sobre problemas triviais e comuns à maioria dos casais da plateia. Ciúmes, monotonia e traições estão na receita criada pelo cineasta, que aproveita para criticar com contundência o período negro vivido pela Argentina durante sua ditadura militar, entre 1976 e 1983: através dos colegas de Jorge na revista, ele apresenta ao espectador uma visão inteligente dos desdobramentos do golpe militar, ressaltando as dificuldades dos jornalistas veteranos em encontrar trabalho e a ascensão de jovens despreparados profissionalmente mas dispostos a rezar pela cartilha do governo. Não é o tema central do filme, mas surge organicamente no decorrer da narrativa, graças à sensibilidade do roteiro e à leveza com mesmo os momentos mais pesados são tratados. Injetando poesia em diversas sequências, Campanella já mostrava sua capacidade de equilibrar ingredientes aparentemente tão distintos quanto política e romance. Sua direção é tão leve que chega a impedir que o filme seja maior - sua despretensão é, ao mesmo tempo, seu maior mérito e seu calcanhar de Aquiles.

Ao optar por um viés menos ambicioso de contar sua história, "O mesmo amor, a mesma chuva" deixa escapar a oportunidade de ser um filme ainda melhor. Se o roteiro aprofundasse mais os conflitos entre o casal protagonista talvez se tornasse um programa inesquecível. Da forma como está, é o belo e delicado estudo de uma relação, interpretado por grandes atores e comandado por um diretor de vasto talento, mas sem aquele algo mais que o faça sobressair no gênero. De qualquer maneira, é mais um exemplar extremamente digno do cinema argentino, que em poucos anos começaria a demonstrar toda a sua força em filmes de gêneros e enfoques bastante distintos. E além do mais, tem Ricardo Darín, um dos maiores atores de sua geração. Precisa mais?

terça-feira

RELATOS SELVAGENS

RELATOS SELVAGENS (Relatos salvajes, 2014, Corner Producciones/El Deseo, 122min) Direção e roteiro: Damián Zsifrón. Fotografia: Javier Julia. Montagem: Pablo Barbieri Carrera, Damián Szifrón. Música: Gustavo Santaolalla. Figurino: Ruth Fischerman. Direção de arte: María Clara Notari. Produção executiva: Leticia Cristi, Pola Zito. Produção: Agustín Almodóvar, Pedro Almodóvar, Esther García, Matías Mosteirín, Hugo Sigman. Elenco: Ricardo Darín, Dario Grandinetti, Leonardo Sbaraglia, María Marull, Rita Cortese, Julieta Zylberberg, César Bordon, Walter Donado, Nancy Dupláa, Oscar Martínez, María Onetto, Osmar Nuñez, Germán de Silva, Erica Rivas, Diego Gentile. Estreia: 17/5/14 (Festival de Cannes)

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

Merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - que perdeu para o italiano "A grande beleza", de Paolo Sorrentino - o argentino "Relatos selvagens" mostra mais uma vez a grande fase do cinema do país, que em 2010 levou uma estatueta da Academia pelo fabuloso "O segredo dos seus olhos" - que passou a perna em filmes bem mais festejados em festivais internacionais, como "A fita branca", de Michael Haneke, e "O profeta", de Jacques Audiard. Produzido pela El Deseo de Pedro Almodóvar, o filme de Damián Zsifrón até lembra um pouco as características do cineasta espanhol mais conhecido da atualidade - humor negro, personagens femininas fortes, certa dose de surrealismo - mas tem personalidade própria e um senso de crítica social mais aprofundado. Uma reunião de seis pequenos curtas (de gêneros e tons diferenciados), "Relatos selvagens" tem ainda a seu favor o fato de ter realizado um milagre quando se trata de filmes episódicos: mantém uma qualidade rara em todos os seus segmentos, prendendo a atenção do público do primeiro ao último minuto sem apelar para artifícios baratos ou suspenses óbvios.

A primeira história, "Pasternak", já dá uma mostra ao espectador do que ele pode esperar pelas próximas duas horas: em um voo comercial aparentemente normal, a modelo Isabel (María Marullo) conhece o professor de música Salgado (Darío Grandinetti, de "Fale com ela") e, depois de alguns minutos de conversa, descobre que entre eles há um conhecido em comum - um ex-namorado dela que teve a carreira destruída por uma crítica dele. Aos poucos, outros passageiros também manifestam conhecer o tal rapaz, uma coincidência que terá um final inusitado e surpreendente, recheado com um tom de "Além da imaginação". O segundo conto, "As ratazanas", mostra um pequeno restaurante de beira de estrada que é visitado por um arrogante candidato a prefeito (César Bordón) que é reconhecido pela garçonete Moza (Julieta Zylberberg) como o homem que destruiu sua família. Incentivada pela velha cozinheira do lugar (Rita Cortese), a jovem considera a hipótese de matá-lo com veneno para ratos - até que um novo cliente chega, fazendo-a questionar sua missão. É uma trama que aposta na crítica social e no suspense, com um final que dosa violência e realismo. O relato seguinte, "O mais forte", lembra o clássico "Encurralado", de Steven Spielberg, ao contrapor, em uma estrada, dois homens dispostos a tudo para provar sua superioridade em relação ao outro a partir de uma banal discussão de trânsito. Leonardo Sbaraglia (de "Plata quemada") vive Diego, que com seu carro último modelo, ultrapassa o veículo pouco luxuoso de Mario (Walter Donado) e o humilha, para logo em seguida, ver-se à sua mercê violenta e pouco afável. É um episódio tenso e angustiante, valorizado pelo trabalho de seus dois atores e com um final de extrema ironia.


Em seguida, surge o grande astro do cinema argentino, Ricardo Darín, com seu "Bombinhas", talvez o mais contundente dos segmentos em relação à burocracia da máquina sócio-política do país. Darín interpreta Simón, um engenheiro de demolições que, ao ir buscar o bolo de aniversário da filha pequena, vê seu carro ser guinchado por estar estacionado em local proibido. Revoltado com o fato do aviso não estar visível à população, ele entra em uma campanha pessoal para evitar a multa e exigir um pedido de desculpas da Prefeitura. Sua via-sacra acabará por bagunçar sua vida familiar e profissional, até que ele resolve vingar-se à sua maneira - e é impossível para qualquer público não identificar-se com seu personagem, patético em sua luta pelos direitos do cidadão. A penúltima história, "A proposta", é a mais séria e desprovida de humor dentre as seis criadas para o filme: para evitar a prisão do filho adolescente que atropelou e matou uma mulher grávida sem prestar ajuda, o empresário Maurício Pereira (Oscar Martínez) propõe, com a ajuda de seu advogado (Osmar Nuñez), que seu caseiro, José (Germán de Silva), assuma a autoria do crime, oferecendo a ele 500 mil dólares em troca das consequências. O humilde empregado aceita a ideia, mas a ganância do advogado e do detetive encarregado do caso tornam as coisas cada vez mais complicadas - e Maurício se vê repentinamente preso à corrupção proposta por ele mesmo. E, para fechar o filme com chave de ouro, Zsifrón escolheu o delicioso "Até que a morte os separe", um conto repleto de todos os elementos possíveis e imagináveis para um quadro de poucos minutos: humor, drama, suspense, uma certa violência e até romance. Em plena festa de seu casamento com o galante Ariel (Diego Gentile), a jovem Romina (Erica Rivas) descobre que seu novo marido tem um caso com uma colega de trabalho que está entre as convidadas. Desesperada, ela não demora a tramar uma vingança imediata - que inclui sexo com um dos cozinheiros da recepção e uma série de escândalos que faz de sua festa uma montanha-russa imprevisível.

Contando cada uma de suas histórias com ritmo e visual próprios, Damián Zsifrón mostra pleno domínio de sua narrativa, com tramas dotadas de uma precisão cirúrgica na cadência e no tom. Fazendo rir pela ironia e chocando pelo realismo prosaico de suas situações, o roteiro do cineasta propõe ao espectador um jogo de identificação que o torna irresistivelmente familiar ao mesmo tempo em que se estabelece como ficção ao ver todos os acontecimentos narrados através de uma lente de aumento que lhes enfatiza o ridículo e o senso de humanidade de cada um dos personagens. Ao fazer de cada um de seus protagonistas seres dotados de defeitos e qualidades, Zsifrón os aproxima com maestria de qualquer plateia - que acaba por abraçá-los, criticá-los ou perdoá-los justamente devido à tal identificação. "Relatos selvagens" é um grande filme, que merece o sucesso que fez. E mais uma vez a Argentina mostra que em cinema, muitas vezes menos é realmente mais.

quarta-feira

ELEFANTE BRANCO

ELEFANTE BRANCO (Elefante blanco, 2012, Borsalino Productions/Canal + España, 105min) Direção: Pablo Trapero. Roteiro: Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre, Pablo Trapero. Fotografia: Guillermo Nieto. Montagem: Andrés P. Estrada, Nacho Ruiz Capillas, Pablo Trapero. Música: Michael Nyman. Figurino: Marisa Urruti. Direção de arte/cenários: Juan Pedro de Gaspar/Antonella Pasini. Produção executiva: Alejandro Cacetta, Pablo Trapero. Produção: Alejandro Cacetta, Juan Pablo Galli, Juan Gordon, Pablo Trapero, Juan Vera. Elenco: Ricardo Darín, Jérémie Renier, Martina Gusman. Estreia: 17/5/12

Uma favela habitada por cerca de 30 mil pessoas é convulsionada pela violência decorrente da luta pelo poder entre traficantes de droga e conta com a ajuda de dois bem-intencionados padres para manter a paz e a dignidade mesmo quando a burocracia do governo impede ações que podem transformar sua triste realidade. Parece sinopse de um filme nacional, mas não é. "Elefante branco" é a prova inconteste de que a realidade argentina não difere muito dos problemas sociais brasileiros. Dirigido por Pablo Trapero, um cineasta antenado com um cinema de viés social, o filme estrelado por Ricardo Darín e o belga Jérémie Renier - o ator preferido dos irmãos Dardenne - também mostra a riqueza temática da cinematografia do país, em franca ascensão desde o início dos anos 2000.

Apesar de uma certa lentidão em estabelecer sua história e seus personagens - o roteiro leva uns bons quinze minutos antes de entrar pra valer no assunto - Trapero tem a seu favor o carisma de seus atores e a urgência do tema, que não demora a envolver o espectador assim que põe suas cartas na mesa. Padre Julián (Ricardo Darín) é um dedicado pároco que mora no prédio da obra inacabada de um hospital (o Elefante Branco do título) localizado dentro de uma favela. Incansável em sua luta para evitar que as crianças abracem o tráfico de drogas e servindo como intermediário entre o arcebispado e o governo na problemática construção de uma série de casas populares, ele conta com a ajuda da assistente social Luciana (Martina Gusman), que, a despeito de seu ateísmo, colabora de forma ativa com o objetivo coletivo. Preocupado em encontrar alguém que dê continuidade a seu trabalho, ele reencontra um antigo pupilo, o belga Nicolás (Jérémie Renier), que chega ao país depois de uma traumática experiência no Amazonas. Se acostumando aos poucos com a dura realidade argentina, Nicolás ainda precisa lidar com um problema pessoal tão grave quanto: a atração imprópria que sente por Luciana.


Recheando seu filme com longos planos-sequência que empurram o espectador para dentro da ação sem piedade, Trapero - que assinou o contundente "Abutres", também com Darín como protagonista - divide sua narrativa entre cenas de crueza visual extremamente apropriada e momentos de delicada calma. Enquanto acompanha Julián e Nicolás pelo labirinto de ruas e becos da favela - um cenário impressionante tratado como mais um personagem da trama - a câmera do cineasta esquadrinha também suas personalidades distintas e suas aflições: enquanto Julián acredita no diálogo e evita confrontos diretos com os violentos donos do poder do local, Nicolás prefere agir com base no imediatismo e na coragem de olhar nos olhos do monstro. Seus embates ideológicos, embora tratados sem aquela ênfase que colocaria o filme no terreno perigoso do panfletarismo estéril, são interessantes e bem defendidos por seus atores, e até mesmo a aproximação romântica entre Nicolás e Luciana não soa um artifício forçado. Infelizmente, apesar de todas as suas qualidades, falta ao filme um algo mais que poderia transformar-lhe em uma pequena obra-prima.

Por não aprofundar-se em algumas subtramas que poderiam enriquecer ainda mais o painel sócio-político que deseja retratar, Trapero deixa de lado algumas possibilidades bastante interessantes, como a discussão a respeito dos possíveis milagres do Padre Mugica - personagem real, morto em 1974 e a quem o filme é dedicado e que é citado em alguns momentos - e a doença que incentiva Julián a buscar a ajuda de Nicolás. Esses dois pequenos caminhos que o roteiro apenas esboça mas deixa de percorrer de forma satisfatória deixa no ar a sensação de algo incompleto, e é impossível não perceber como isso afeta o resultado final. Ainda assim, "Elefante branco" cumpre muito de suas promessas e é um filme de relevância social indiscutível. Mais um belo exemplar do cinema argentino.

segunda-feira

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (El secreto de sus ojos, 2009, Tornasol Films, 129min) Direção: Juan José Campanella. Roteiro: Eduardo Sacheri, Juan José Campanella, romance "La pregunta de sus ojos", de Eduardo Sacheri. Fotografia: Félix Monti. Montagem: Juan José Campanella. Música: Frederico Jusid, Emilio Kauderer. Figurino: Cecilia Monti. Direção de arte: Marcelo Pont. Produção executiva: Gerardo Herrero, Vanessa Ragone. Produção: Mariela Besuievsky, Juan José Campanella, Carolina Urbieta. Elenco: Ricardo Darín, Soledad Vilamil, Javier Godino, Pablo Rago, Guillermo Francella. Estreia: 13/8/09

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro


Quando o espanhol Pedro Almodóvar e o americano Quentin Tarantino anunciaram o nome do argentino “O segredo dos seus olhos” como o vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro, a plateia não pode disfarçar a surpresa. Para os presentes no auditório e para os telespectadores que acompanhavam a cerimônia, estava certo que a disputa seria entre o alemão “A fita branca”, de Michael Haneke, e o belga “O profeta”, de Jacques Audiard, ambos amplamente premiados em festivais de cinema e associações de críticos de cinema. Porém, conforme o susto foi passando e os cinéfilos prestaram atenção na inteligente mistura entre drama romântico e trama policial engendrada pelo escritor Eduardo Sacheri – adaptada por ele mesmo e pelo cineasta Juan José Campanella – sua vitória começou a fazer todo o sentido do mundo. Não apenas o filme mereceu a vitória como acabou por tornar-se (merecidamente) um clássico moderno, uma perfeita demonstração de equilíbrio narrativo e brilhantismo técnico que apenas o melhor cinema mundial pode oferecer. E de quebra, consagrou o ator Ricardo Darín como o embaixador não-oficial do cinema argentino no resto do mundo.
Expressivo e carismático, Darín é o corpo e a alma de “O segredo dos seus olhos”, um filme que pode ser considerado, sem erro, dois em um. Fato raro em uma época em que os filmes dificilmente ousam misturar mais de um gênero – e quando o fazem chegam a resultados sofríveis – a obra de Campanella funciona perfeitamente bem tanto no campo do cinema policial (com uma trama coesa e intrigante, que prende a atenção do espectador do primeiro ao último minuto) quanto no terreno do drama romântico (que passa longe do sentimentalismo barato e seduz o público com extrema sutileza). Não fosse o bastante, o roteiro ainda consegue aliviar a barra de uma história pesada com momentos de um humor gaiato e malandro (personificado na figura de Guillermo Francella, sempre em vias de roubar as cenas em que aparece na pele de Pablo Sandoval, colega de trabalho e melhor amigo do protagonista). Ao contrário do que acontece na maioria dos filmes policiais americanos, porém, onde o alívio cômico tem a função única de fazer rir, aqui a presença de Sandoval tem desdobramentos imprevisíveis – e sua importância cabal no desenvolvimento de ambas as tramas apenas reitera o brilhantismo do roteiro de Sacheri e Campanella, que melhoram o livro que lhe deu origem, acrescentando a ele camadas visuais e nuances dramáticas ainda mais poderosas.



Quando a história começa, Benjamín Esposito (Ricardo Darín, impecável) resolve abandonar a solidão da aposentadoria para procurar um antigo amor platônico, Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), hoje procuradora de justiça de Buenos Aires. O motivo da visita – além da paixão que ainda nutre pela ex-colega, casada e mãe – é mostrar a ela os manuscritos de seu romance de estreia, inspirado em um caso policial em que ambos estiveram envolvidos 25 anos antes. Obcecado com a história da morte da jovem Liliana Coloto (Carla Quevedo) – estuprada e morta em sua própria casa quando o marido estava no trabalho – e com o desfecho do caso, Esposito tenta, com seu livro, encontrar um final satisfatório para o drama, bem como sabe que sua reaproximação com Irene pode alterar também seu destino romântico, interrompido por questões mal-resolvidas. Intercalando o presente – com os antigos apaixonados tentando lidar com o inesperado reencontro – com o passado – que mostra as investigações da morte de Liliana – “O segredo dos seus olhos” mergulha o espectador em um labirinto de pistas falsas, corrupção, violência e paixão, que, somados, constroem um amplo painel de crueldade e decepções. Sem jamais perder o fio da narrativa, Campanella penetra com maestria nos desvãos da (in) justiça para atingir o público com uma arrebatadora história de obsessão.
Brindando o espectador com sequências brilhantes, como o longo plano-sequência de cinco minutos em um estádio de futebol lotado (que na verdade, por obra e graça da edição impecável assinada pelo próprio diretor, são vários planos-sequências imperceptivelmente cortados em momentos precisos) e a potente cena em que o culpado pela morte de Liliana confessa seu crime incentivado pelo egocentrismo, Campanella – que já havia disputado o Oscar com o emotivo “O filho da noiva”, sintomaticamente estrelado pelo mesmo Ricardo Darín – se mostra um cineasta dotado de extremo talento para a imagem e a construção cinematográfica, com a vantagem de jamais deixar que seu virtuosismo técnico sobrepuje a força dos diálogos e de sua história. Por todo o seu filme ele faz questão de frisar – sutil mas enfaticamente – a força do olhar, a verdade que surge quando se presta atenção nos olhos alheios. Não é à toa que as trocas de olhares entre Esposito e Irene falam mais do que suas conversas, ou que sejam os olhares cobiçosos de um apaixonado fiel (em fotos antigas) que deslindem o caso e levem a polícia ao criminoso. Campanella parece dizer, em cada fotograma, que se os olhos são o espelho da alma, lhes são impossível esconder tudo que ela tenta manter recalcado.
Sufocantemente romântico e empolgante como thriller policial – com direito a um final arrebatador e de absoluta coerência com todo o discurso mostrado desde seus primeiros minutos – “O segredo dos seus olhos” é tão bom que nem mesmo inúmeras revisões conseguem tirar o prazer do espectador. É de lamentar apenas a ganância hollywoodiana, que transformou a originalidade de sua trama no insosso “Olhos da justiça”, um remake capenga e sem personalidade estrelado por Julia Roberts, Nicole Kidman e Chiwetel Ejiofor, que muda a essência da trama e justifica-se apenas pela preguiça legendária do público norte-americano de acompanhar legendas. Azar de quem preferir a versão sem graça ao invés do genial original.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...